Morreu esta quarta-feira o realizador Fernando Lopes. O cineasta de 76 anos estava hospitalizado e faleceu no Hospital da Cruz Vermelha, segundo disse à Lusa a diretora da Cinemateca Portuguesa, Maria João Seixas, com quem era casado.

O corpo de Fernando Lopes será velado a partir de quinta-feira à tarde, no Palácio das Galveias, em Lisboa, disse à Lusa fonte da Associação Portuguesa de realizadores, que adiantou que, na sexta-feira, decorrerá a cerimónia de cremação.

O último filme de Fernando Lopes, «Em Câmara Lenta», estreou a 8 de março.

Sobre o cineasta, António-Pedro Vasconcelos considerou-o «um homem que procurou construir pontes». Vicente Jorge Silva lembra-o como «um belíssimo contador de histórias».

Na TVI24, Rui Cardoso Martins, argumentista do seu último filme fala da «experiência marcante» que viveu com Fernando Lopes e de uma frase que hoje é simbólica: «Hoje vou à procura de um peixe que anda à procura de mim. Ou eu o apanho a ele, ou ele apanha-me a mim» .

O realizador estava ligado ao cinema há cerca de 50 anos e dividiu a sua vida entre a ficção e o documentário, tendo assinado mais de três dezenas de obras. Era, a par de Paulo Rocha, também nascido em 1935, e Manoel de Oliveira, 103 anos, uma das referências do cinema nacional.

Foi responsável por alguns dos filmes mais emblemáticos da cinematografia portuguesa, como «Belarmino», em 1964, «Uma Abelha na Chuva», de 1972, ou a adaptação ao cinema de «O Delfim», em 2002, obra de José Cardoso Pires.

Fernando Lopes nasceu a 28 de dezembro de 1935 em Maçãs de Dona Maria, concelho de Alvaiázere, em Leiria. Passou a infância em Ourém, aos cuidados de uma tia e, aos 10 anos, fixou-se em Lisboa, junto da mãe. Pouco tempo depois, começou a trabalhar como paquete enquanto prosseguia os estudos no ensino técnico.

Despertou para o cinema com o Cineclube Imagem, dirigido por José Ernesto de Sousa, e foi um dos primeiros técnicos da RTP, onde entrou em 1957.

Dois anos depois, enquanto bolseiro do Fundo do Cinema Nacional, viria a ingressar na London Film School, onde obteve um diploma em Realização de Cinema, vindo a estagiar na BBC, a televisão pública britânica.

Depois filmou «Belarmino» (1964), sobre a vida do pugilista Belarmino Fragoso, considerado um dos filmes fundamentais do movimento do Novo Cinema nacional. A seguir, fez um estágio de seis meses em Hollywood. E regressado da terra das estrelas de cinema, filmou outro dos filmes que viriam a marcar a sua carreira, «Uma Abelha na Chuva» (1971).

Nos anos 80, Fernando Lopes foi co-fundador e diretor do Canal 2 da RTP, que chegou a assumir o seu nome, «Canal Lopes», sob a presidência de João Soares Louro, entre o final da década de 1970 e o início da seguinte. Na RTP, Fernando Lopes fundou ainda Departamento de Co-Produções Internacionais.

Fernando Lopes lecionou no Curso de Cinema da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa e dirigiu a revista Cinéfilo, com António-Pedro Vasconcelos, editada no início da década de 1970.

O realizador viu o seu trabalho distinguido diversas vezes, sendo presença habitual em festivais de cinema internacionais.

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