O actor português Tomás Alvez defendeu hoje a importância do sentimento rebelde dos adolescentes em tempos de globalização, na apresentação da sua primeira longa-metragem, «Um amor de perdição», de Mário Barroso, noticia a agência Lusa.

Alves falava na apresentação do filme no Festival de Cinema de Las Palmas, onde a obra é candidata ao prémio máximo do certame, a «Lady Harimaguada de Oro».

Adaptada da obra de 1862 de Camilo Castelo Branco, a trama continua ainda hoje, na opinião de Tiago Alves, a ser particularmente actual.

O protagonista do filme, que com 19 anos confessa ter obtido o papel de forma inesperada - e quando já quase tinha desistido de o tentar -, insiste que a mensagem do filme é «algo que todos podem entender».

A obra de Mário Barroso é, sublinha o actor, «o amor de uma adolescência que vai, um pouco, contra tudo o que está imposto» que destaca «a energia dos jovens e a revolta interior que vai contra todo o sistema que o rodeia».

«O texto clássico passa mais pelo amor, o amor proibido destes jovens, porque as suas famílias se detestam e se combatem mas o amor neste filme está muito mais nas imagens», sublinhou.

O X Festival de Las Palmas vai homenagear o realizador português Manoel de Oliveira, em reconhecimento da sua original, brilhante e ousada cinematografia.

Oliveira será galardoado no Festival com o prémio «Lady Harimaguada de Honra».

Com 100 anos cumpridos em Dezembro, o veterano realizador aceitou o convite para se deslocar a Las Palmas, o que coincidirá com a apresentação do seu mais recente filme, «Singularidades de uma rapariga loira», na secção oficial a concurso do certame.

Manoel de Oliveira, que tem na sua filmografia, como realizador, perto de 50 títulos, começou no cinema pelo documentário, em 1931, realizando a curta-metragem «Douro, faina fluvial».

Desse total de películas, quase 30 foram realizadas nas últimas duas décadas.

Actualmente, Oliveira prepara um novo filme, com o título ainda provisório de «O Estranho caso de Angélica».