Há mais de um mês que conhecemos os nomeados para a 85ª gala dos Óscares, mas agora, na véspera da entrega dos prémios em Hollywood, há grandes favoritos à vitória, derrotados que se adivinham, e categorias que deverão ser bastante disputadas.

Na arte de representar, só um filme conseguiu colocar um nomeado para cada um dos quatro prémios. «Guia para um Final Feliz» foi uma das surpresas este ano, com um total de oito nomeações, incluindo as para Melhor Ator Secundário (Robert De Niro), Melhor Atriz Secundária (Jacki Weaver), Melhor Ator Principal (Bradley Cooper) e Melhor Atriz Principal (Jennifer Lawrence).

A jovem que aos 22 anos soma a sua segunda nomeação para os Óscares (a primeira aconteceu em 2011 com «Despojos de Inverno») está bem colocada para poder vencer o principal galardão feminino. Lawrence, que em «Guia para um Final Feliz» interpretou uma viúva com problemas emocionais, foi distinguida pelo Sindicato de Atores e ganhou o Globo de Ouro para Melhor Atriz em Filme de Comédia.

Mas isso poderá não chegar. É que Jessica Chastain e a francesa Emmanuelle Riva também têm predicados de peso e receberam distinções importantes durante o último mês. Chastain é uma agente da CIA que não desiste de encontrar Osama Bin Laden em «00:30 A Hora Negra», um papel que lhe valeu o Globo de Ouro para Melhor Atriz em Filme Dramático.

Porém, quem mais impressionou o júri dos Baftas como Melhor Atriz Principal foi Emmanuelle Riva, a mais velha nomeada para o prémio homónimo nos Óscares. Com 85 anos, a atriz de «Amor» tem comovido o público e a crítica com a interpretação fiel de uma idosa cuja saúde se vai deteriorando para desespero do marido.

Quvenzhané Wallis («Bestas do Sul Selvagem») - a mais jovem nomeada de sempre, com 9 anos ¿ e Naomi Watts («O Impossível») completam o lote de nomeadas para Melhor Atriz Principal.

No lado dos homens, as previsões parecem ser mais fáceis de fazer. Daniel Day-Lewis é o presidente que luta contra a abolição da escravatura nos EUA, em «Lincoln». Um papel que lhe valeu, entre outros, um Bafta, um Globo de Ouro e um prémio do Sindicato dos Atores. A confirmar-se a vitória esperada, este será o terceiro Óscar para Day-Lewis, depois de «Haverá Sangue», em 2008, e «O Meu Pé Esquerdo», em 1990.

Se houver surpresas, o galardão de Melhor Ator Principal será entregue a Hugh Jackman («Os Miseráveis»), Bradley Cooper («Guia para um Final Feliz»), Joaquin Phoenix («O Mentor») ou Denzel Washington («Decisão de Risco»).

Entre os favoritos nas restantes categorias, «Amor», do austríaco Michael Haneke, tem fortes probabilidades de vencer o Óscar para Melhor Filme Estrangeiro, enquanto que Adele deverá repetir o feito alcançado nos Globos de Ouro e levar para casa o prémio de Melhor Canção Original com «Skyfall» (escrita a meias com o produtor Paul Epworth para o novo filme de 007).

Se «Força Ralph» cumprir o pronúncio que foi a vitória nos Annie Awards (os chamados «Óscares da animação»), então será o Melhor Filme de Animação do ano. E «Searching for Sugar Man», o documentário que «encontrou» o «desaparecido» músico Rodriguez, não será uma surpresa total se ganhar o Óscar para Melhor Documentário - pelo menos a julgar pelos prémios conseguidos nos Bafta, no festival Sundance e nos Critics Choice Awards.

Mas certezas absolutas só as teremos ao final da noite de domingo (madrugada de segunda-feira em Portugal), quando todos os prémios forem entregues. Porque, apesar de todas as previsões, nunca é de mais lembrar que os Óscares também vivem de surpresas. Que o diga Michel Hazanavicius, realizador de «O Artista» e que o ano passado conquistou Hollywood com um filme mudo e a preto e branco.
Redação / JCS