Os 14 projetos já aprovados, no âmbito dos incentivos à captação de filmagens em Portugal, preveem um investimento total de 23,7 milhões de euros no país, disse hoje à Lusa fonte oficial do Ministério da Cultura.

Até agora - e incluindo os pedidos que deram entrada em 2017, com o anterior regime fiscal – foram já aprovados incentivos a 14 projetos, que incluem produções dos EUA, Índia, Brasil, Portugal ou Itália, e várias coproduções de Portugal e França, ou Portugal, Espanha e França", correspondendo a "um investimento total de 23,7 milhões de euros, em filmagens em Portugal".

Os números são avançados na véspera do Dia Mundial do Cinema e cerca de um mês após a publicação em Diário da República do regulamento do Fundo de Apoio ao Turismo, Cinema e Audiovisual, que enquadra a concessão destes incentivos.

De acordo com o diploma publicado em 28 de setembro, a adaptação de literatura portuguesa, a rodagem em locais e em estúdios portugueses, a existência de realizadores premiados e a participação maioritária de mulheres, nos projetos, são requisitos valorizados nas candidaturas a este fundo.

Criado pelo Governo, e em vigor deste junho, o Fundo de Apoio ao Turismo, Cinema e Audiovisual tem um capital de 30 milhões de euros e uma dotação global que poderá permitir a extensão aos 50 milhões, até 2022, "em função da sua execução e da avaliação do seu impacto".

Para 2018, "o incentivo à produção cinematográfica e audiovisual e à captação de filmagens internacionais, para Portugal", tem uma dotação anual máxima de dez milhões de euros.

A partir do próximo ano, e até 2022, segundo fonte do Ministério da Cultura, o regime prevê uma dotação anual de 12 milhões de euros.

A candidatura ao fundo implica que seja feito um investimento mínimo de 500 mil euros em território nacional, no caso de filmes rodados em Portugal, e de 250 mil euros, no caso de trabalho de produção.

Segundo a regulamentação, o montante máximo de apoio por cada produção é de quatro milhões de euros, e "são unicamente admitidos projetos de obras que tenham distribuição internacional".

É permitido que os projetos apoiados também tenham outros "auxílios estatais", mas a soma do incentivo "não pode superar 50 por cento dos respetivos custos de produção".

O Governo português considera este fundo "um dos mais competitivos da Europa", ao permitir um reembolso "até 30% das despesas em projetos de elevado impacto económico e/ou cultural" e ao estabelecer "um prazo máximo de 20 dias úteis para a apreciação dos pedidos".

A concessão de apoios é realizada por decisão conjunta do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) e do Turismo de Portugal.

O Fundo de Apoio ao Turismo, Cinema e Audiovisual tem um conselho consultivo presidido pelo Turismo de Portugal, com representações do ICA, do Ministério das Finanças e de uma personalidade a designar pelo Governo.

A entidade gestora do Fundo terá de fazer uma avaliação até dezembro de 2022, antes de se decidir se este será ou não renovado.

O anterior regime, em vigor em 2017, previa, essencialmente, uma dedução à coleta de 20% a 25% das despesas elegíveis, realizadas em Portugal, para a produção de obras cinematográficas de longa-metragem.

Sete filmes estrangeiros rodados em Lisboa

Meryl Streep, Johnny Depp e Jeremy Irons estão entre os atores que já vieram trabalhar a Portugal. A capital portuguesa possui uma luz ótima para filmagens e atrai cada vez mais realizadores. Descubra sete filmes estrangeiros rodados em Lisboa.

1. 007 – Ao Serviço de Sua Majestade (1969)

Sean Connery fez um intervalo de ser James Bond (lá voltaria mais duas vezes) e a produção e o realizador, Peter R. Hunt, acharam por bem filmar em Lisboa. Escolheram George Lazenby para protagonista de uma película que apresenta o Guincho, a Quinta do Zambujal, perto de Setúbal, Cacilhas e umas partes do Ribatejo. Mas é na Joalharia Ferreira Marques, no Rossio, em Lisboa, e no esplendor do Hotel Palácio, no Estoril que melhor se apresenta a modernidade, o luxo e o cosmopolitismo salazarista.

 

2. A Cidade Branca (1983)

Quem já ouviu falar na luz da cidade branca, mesmo sem saber, ouviu-a a propósito do filme de Alain Tanner. Apaixonado pela luz e pelo casario, o realizador suíço usou o lado terceiro-mundista da cidade para filmar o amor amalucado entre as personagens interpretadas por Bruno Ganz e Teresa Madruga.

 

3. A Casa da Rússia (1990)

Quem passou pelo Príncipe Real nos dias em que a equipa de A Casa da Rússia ali filmou dificilmente reconheceria Lisboa. No entanto, a capital, vista de maneira uma bocadinho turística, com tantos monumentos à vista, é cenário essencial do trama do filme, pois aqui se refugia a figura central, o editor inglês Barney Blair, isto é, Sean Connery a fazer de espião reformado.

Inspirado na obra homónima de John Le Carré, com a Guerra Fria por pano de fundo e uns documentos secretos em jogo, o filme foi realizado por Fred Schepisi e, ao lado de Connery, está Michelle Pfeiffer.

 

4. A Casa dos Espíritos (1993)

Meryl Streep, Jeremy Irons, Glenn Close, Winona Ryder e Antonio Banderas protagonizam este filme do realizador Bille August, que adaptou o romance de Isabel Allende.

As desventuras da família Trueba passam-se nos Andes, do lado do Chile, porém grande parte das filmagens foram feitas em Lisboa e no Monte das Três Marias, em Vila Nova de Milfontes, no Alentejo.

 

5. Viagem a Lisboa (1994)

Wim Wenders já tinha filmado a Praia Grande, em Sintra. E voltou para dirigir Viagem a Lisboa (e mais vezes havia de voltar), com o objetivo de mostrar ao mundo a capital através de uma ficção de “qualidade”.

E assim um engenheiro de som alemão que vem ajudar um realizador entretanto desaparecido encontra os Madredeus. E assim se apaixona por Teresa Salgueiro, com quem tem conversas lírico-amorosas-platónicas, troca filosofias com Pedro Aires de Magalhães. E no filme também lá está Manoel de Oliveira a fazer de Charlot.

 

6. A Nona Porta (1999)

O Éden de Byron, em Sintra, é cenário bastante adequado a uma história que mete uma sociedade secreta e que Roman Polanski foi buscar a Clube Dumas, o romance de Arturo Pérez-Reverte, onde o escritor espanhol criou personagens obcecadas por certos clássicos literários com uma especial predileção pela obra de Alexandre Dumas. É por isso que Johnny Depp, quer dizer a personagem que interpreta, pode ser visto no Hotel Central, na Estrada da Pena ou a passear-se pelos salões do Chalet Biester.

 

7. Comboio Noturno para Lisboa (2013)

Vinte anos depois de Casa dos Espíritos, o realizador Bille August regressa a Portugal e a Lisboa e, por conta de um professor obcecado com um livro sobre a resistência ao fascismo, filma a Igreja da Cartuxa, em Caxias, o Cais de Belém e a Estação de Santa Apolónia, o Cemitério dos Prazeres ou um bar, na Bica, para o caso feito mercearia, enquanto se perde entre ruelas e miradouros e jardins como um turista fascinado.

Jeremy Irons é o professor e protagonista, mas atores portugueses como Beatriz Batarda, Nicolau Breyner e Marco d’Almeida não deixam de ter papéis relevantes.