Terry Jones, membro dos Monty Python, morreu aos 77 anos, confirmou o agente do artista à AFP.

Terry morreu na terça-feira à tarde, aos 77 anos, com a mulher Anna Soderstrom do seu lado após uma longa e extremamente brava, mas sempre bem disposta batalha com uma rara forma de demência - DFT (demência frontotemporal)", pode ler-se no comunicado divulgado pela família.

Em 2015, o ator escocês foi diagnosticado com afasia progressiva primária, uma forma de demência frontotemporal, tendo deixado de falar no final de 2016.

Ao longo dos últimos dias a mulher, filhos, família e amigos próximos estiveram constantemente com o Terry (...). Perdemos um homem gentil, engraçado, caloroso, criativo e verdadeiramente amoroso, cuja individualidade intransigente, intelecto implacável e humor extraordinário deram prazer a inúmeros milhões de pessoas ao longo de seis décadas. O seu trabalho com os Monty Python, os seus livros, filmes, programas de televisão, poemas e outros trabalho vão permanecer para sempre, um legado adequado a um verdadeiro polímato", acrescenta a mesma nota.

A família agradece ainda o trabalho de todos os profissionais médicos que acompanharam Terry Jones ao longo dos anos e expressam o seu "desejo de que esta doença seja erradicada completamente no futuro".

Apesar de ter desempenhado vários papéis nas histórias de humor absurdo e desconcertante, na lendária série “Monty Python’s Flying Circus” (1969), foi na realização que Terry Jones mais se destacou nos Monty Python, assinando o filme "A vida de Brian" (1979) e dividindo a realização com Terry Gilliam em "Monty Python e o cálice sagrado" (1975) e "O sentido da vida", de 1983.

Este último venceu o grande prémio do júri no Festival de Cinema de Cannes.

As últimas atuações de Terry Jones aconteceram em 2014 numa série de atuações dos Monty Python, na despedida dos palcos, numa altura em que o ator e encenador se terá apercebido dos primeiros sintomas da doença, diagnosticada no ano seguinte.

Enquanto realizador, Terry Jones assinou ainda, entre outros, uma adaptação de "O vento nos salgueiros" (1996), de Kennethn Grahame, e "Uma comédia intergalática" (2015).

Especialista em História Medieval, o ator britânico apresentou ainda vários documentários televisivos, foi colunista na imprensa britânica e publicou vários livros para os mais novos.

Terry Jones esteve em Portugal em 2011, a convite do Festival Internacional de Cinema do Funchal, e em 2008 apresentou em Lisboa o musical "Evil Machines", que escreveu com Anna Söderström e encenou, com música original do compositor português Luís Tinoco.

O espetáculo foi encomendado a Terry Jones e a Luís Tinoco pelo Teatro Municipal São Luiz na sequência do êxito de "Contos Fantásticos", a primeira parceria destes dois artistas, estreada naquele teatro em 2006 e reposta em dezembro de 2007.

Na altura, por ocasião da estreia de "Evil Machines", Terry Jones contou em entrevista à agência Lusa que a recompensa mais importante de tudo aquilo que fazia - escrever, representar, dirigir - era "as pessoas gostarem".

Questionado sobre o objetivo de vida, respondeu: "Como diz o Woody Allen, fazer piadas com mais piada, fazer filmes melhores. Eu quero fazer coisas cada vez melhores - não só coisas engraçadas, coisas melhores, em geral".