Se parece indiscutível anunciar "Nomadland - Sobreviver na América" como o grande vencedor da noite (ganhou os óscares de Melhor Filme e Melhor Realização), parece também fácil apontar uma grande derrota a "Mank", o filme que tinha o recorde de nomeações (dez), e que saiu de Hollywood com apenas duas estatuetas, ambas em categorias técnicas.

Chloé Zhao subiu ao palco por duas vezes, primeiro como realizadora, e depois como uma das produtoras do filme que monopolizou a noite. Como se não bastasse, Frances McDormand também venceu na categoria de Melhor Atriz, depois de um fantástico papel num filme que conta uma história da América profunda, e que tem um cunho muito pessoal, quer de realizadora, quer de atriz.

Nem se pode dizer que estas vitórias tenham sido uma surpresa. Aliás, de certa forma, a grande surpresa foi o último prémio, que consagrou Anthony Hopkins como Melhor Ator, pelo papel no filme "O Pai".

Aqui, todos esperavam que a decisão recaísse em Chadwick Boseman, que poderia receber o Óscar a título póstumo. A Academia não embarcou em politicamente correto, e rompeu com o que era esperado, gerando uma reação furiosa nas redes sociais.

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Do outro lado da barricada, David Fincher e o seu "Mank" ficam como os grandes derrotados. É verdade que ainda levou os óscares de Melhor Design de Produção e Melhor Fotografia, dois prémios consecutivos que deram alguma esperança, que se esfumou por completo no resto da gala.

Acabou por acontecer a "Mank" aquilo que tinha acontecido a dois filmes no ano passado. "Era Uma Vez em Hollywood" e "Joker" também tiveram noemações na casa das dezenas, mas trouxeram só duas estatuetas cada.

Ainda assim, o filme de David Fincher fica à frente do filme "O Irlandês", também do ano passado, de Martin Scorsese, que tinha dez nomeações, as quais perdeu todas.

É mais um caso que deixa que pensar que a Academia pode não ter a melhor das relações com a Netflix. Afinal, foi a plataforma de streaming que produziu "Mank" e "O Irlandês".

No resto das categorias, cumpriu-se o previsível, numa cerimónia sem muito sal, porque a covid-19 também não deixou.

António Guimarães