A atriz Emma Thompson recusa fazer parte da produção “Luck” depois de os estúdios de animação Skydance Media terem chamado John Lasseter para dirigir o filme. O antigo diretor criativo da Disney foi acusado de assédio sexual e a atriz questiona agora a razão da “segunda hipótese”.

Numa carta enviada à produtora, Thomson justificou a saída do projeto com “desconforto” em trabalhar com o recém-contratado diretor, que deixou no ano passado a Pixar depois do escândalo em que ficou envolvido.

O The Los Angeles Times teve acesso à carta, enviada à direção dos estúdios em janeiro, cuja autenticidade foi depois confirmada por Catherine Olim, representante da atriz, à CNN Business.

Na nota, a atriz, vencedora de duas estatuetas da Academia, questiona a razão para a celebração deste contrato com um homem que durante anos teve comportamentos “de forma inapropriada”.

Se um homem passou décadas a tocar em mulheres de forma inapropriada, porque é que uma mulher ia querer trabalhar para ele, se a única razão pela qual não vai tocá-la de forma inapropriada é o facto de o seu contrato o obrigar a portar-se 'com profissionalismo'?”, escreveu a artista de 59 anos.

A atriz deixou ainda a questão da “segunda hipótese” dada a Lasseter.

Vai ganhar milhões de dólares por receber essa segunda hipótese, aparentemente. Quanto dinheiro estão a receber os empregados da Skydance por dar essa segunda hipótese?".

Emma Thompson esclareceu ainda que tem pena de “ter que sair” do filme, mas que tem que fazer o que lhe parece mais correto.

Só posso fazer o que me parece correto nestes tempos difíceis de transição e de consciencialização coletiva", justificou. "Tenho consciência de que se as pessoas que falaram, como eu, não adotarem este tipo de postura, será muito pouco provável que as coisas mudem no ritmo necessário para proteger a geração da minha filha".

Os estúdios Skydance ainda não comentaram a carta da atriz.