Quando “Black Panther” estreou nos Estados Unidos, a imprensa norte-americana escreveu que desde “Malcom X” (1993), de Spike Lee, um filme não suscitava tanto entusiasmo na comunidade afro-americana. Estávamos, de facto, perante um filme-acontecimento. Este era o primeiro filme da Marvel predominantemente negro: com um super-herói negro (Chadwick Boseman), com um elenco maioritariamente negro (Michael B. Jordan, Lupita Nyong'o, Danai Gurira, Angela Bassett…) e realizado por um cineasta negro (Ryan Coogler).

Ainda que “Blade”, protagonizado por Wesley Snipes, seja, na verdade, o primeiro super-herói negro da Marvel, a história desta saga decorre nos Estados Unidos. "Black Panther" não: o enredo gira em torno de T'Challa, príncipe do reino de Wakanda, que é um reino fictício em África.  

“Black Panther” veio celebrar a cultura negra e valorizar aspetos da história e da tradição africanas, de várias formas: através do guarda-roupa e da caraterização, dos cenários, da direção de arte, dos sotaques dos atores.

E foi um sucesso de bilheteira em todo o mundo, com uma receita global de 1,3 mil milhões de dólares. Foi o segundo filme mais visto do ano passado, segundo os dados do Box Office Mojo, um site especializado em receitas de bilheteira nos cinemas. Em Portugal, foi o 11.º filme mais visto do ano, com uma receita de cerca de 1,7 milhões de euros, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA).

Se é certo que os números podem não dizer nada sobre a qualidade dos filmes, no caso de "Black Panther" provam uma coisa: um filme pode ser predominantemente negro e vender bem em todo o mundo.

Mais, "Black Panther" foi além da sua popularidade, conseguindo elogios da crítica e da imprensa especializada. Por isso, quando a temporada de prémios começou, não se pode dizer que as nomeações em várias categorias tenham sido uma grande surpresa.

No entanto, porque, por regra, os filmes de super-heróis limitam-se às nomeações em categorias técnicas e porque nem mesmo o "Batman", de Christopher Nolan, conseguiu convencer a Academia, a nomeação para o Óscar de Melhor Filme foi um feito de grande relevância.

"Black Panther" tornou-se no primeiro filme de super-heróis nomeado para o Óscar de Melhor Filme e o terceiro nomeado a esta categoria com maior sucesso em sala, apenas ultrapassado pelos recordistas “Titanic” e “Avatar”.

E cinco dias depois de ter conseguido a nomeação histórica para os Óscares, o filme recebeu o galardão mais importante dos prémios do Sindicato de Atores de Hollywood, o prémio de Melhor Elenco.

Que não haja dúvidas: a probabilidade de "Black Panther" ser considerado o Melhor Filme este domingo, na gala do Dolby Theatre, em Los Angeles, é bastante reduzida. De qualquer forma, o mérito de já ter feito história nos prémios mais conhecidos do cinema já ninguém lhe tira. "Black Panther" é um fenómeno - para muitos inesperado - e um marco cultural do nosso tempo.