A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos vai exigir requisitos de inclusão e diversidade às obras que se candidatem ao Óscar de melhor filme, foi anunciado esta quarta-feira.

A decisão será posta em prática entre 2022 e 2024, e é justificada pela Academia pela vontade de que os Óscares - os prémios norte-americanos de cinema - espelhem "a diversidade da população global" tanto do lado de quem trabalha na indústria cinematográfica, como da parte dos espectadores.

A Academia está empenhada em ter um papel vital em tornar isto realidade. Acreditamos que a inclusão daqueles padrões impulsionará uma mudança essencial e duradoura na nossa indústria", afirmaram os responsáveis da organização, David Rubin e Dawn Hudson.

A título de exemplo, para se candidatar a uma nomeação na categoria de 'Melhor Filme', uma obra terá de ter pelo menos um ator ou atriz principais de etnias subrepresentadas, como asiática, hispânico, afroamericano ou nativo americano; o elenco secundário terá de ter, pelo menos, 30% de mulheres, LGBTQ+ ou pessoas com incapacidades, e devem estar também representados, de alguma forma, no argumento.

Segundo a academia, para as edições de 2022 e 2023 dos Óscares, já será exigido um documento, confidencial, sobre requisitos de inclusão para todos os que quiserem candidatar-se, mas só a partir de 2024 é que esses requisitos serão considerados para elegibilidade naquela categoria.

Nos últimos anos a academia tem tentado mostrar-se mais aberta à diversidade racial, depois de duras críticas de falta de representatividade de minorias étnicas, de exclusão de mulheres entre nomeados e de falta de diversidade de género nos Óscares.

Por causa da pandemia da covid-19, a cerimónia de 2021 dos Óscares foi adiada de fevereiro para 25 de abril, e o anúncio dos nomeados realizar-se-á a 15 de março.

O prazo de elegibilidade dos filmes para os Óscares, em termos de estreia em salas norte-americanas, também foi alterado, estendendo-se agora ao dia 28 de fevereiro de 2021, indo além do limite habitual de 31 de dezembro.

As alterações devem-se ao impacto da pandemia da covid-19 na indústria cinematográfica não só norte-americana como global, que levou ao encerramento de salas de cinema, à suspensão de estreias de novos filmes e ao adiamento de produções cinematográficas.

/ AG