A associação profissional dos realizadores de cinema e televisão do Reino Unido publicou um conjunto de regras que deverão ser seguidas pelos responsáveis de realização no que diz respeito a nudez e cenas de sexo. 

As regras da Directors UK foram divulgadas na mesma semana em que a atriz Emilia Clarke revelou que se sentiu desconfortável durante as filmagens de algumas cenas de sexo e nudez durante a série "A Guerra dos Tronos", explicando que, como jovem atriz, sentiu-se sem orientação e sem saber como poderia travar o que pudesse estar para lá do aceitável naquela situação.

É a primeira vez que são publicadas diretivas para estes casos. Em comunicado, a Directors UK informa que as medidas deverão ser tidas em conta também nas audições e se destinam a ser seguidas por realizadores, produtores, guionistas, atores, diretores de casting e coordenadores de intimidade, que supervisionam as cenas de relações sexuais.

Os coordenadores de intimidade surgiram na sequência do movimento #MeToo, que começou devido aos casos de abusos e assédio sexual na indústria cinematográfica; foi a norte-americana HBO que inaugurou o cargo, cujo papel é o de coreografar as cenas de sexo, controlando o que é ou não admissível.

Segundo o The Guardian, o documento agora publicado pela Directors UK inclui 96 regras que eliminam "áreas cinzentas" que deixam os atores vulneráveis, para que as expetativas sejam "claras e partilhadas" por todos os profissionais em cena. 

Nas audições, por exemplo, aconselha-se a que seja proibida nudez total e, nas primeiras audições, não deve haver sequer nudez parcial, sugerindo-se que os atores trabalhem em fatos de banho e levem alguém que os acompanhe e possa ficar a assistir.

O ator passará a ter que dar autorização por escrito à produção antes de ser filmado nu ou seminu e os realizadores de televisão são aconselhados a refletir se a cena de sexo é realmente necessária para a narrativa. Os realizadores são também incentivados a conversar com as equipas de produção e elenco após a filmagem de nudez ou sexo simulado.

As indicações foram compiladas nos últimos seis meses e têm como objetivo encorajar os realizadores a "pensarem duas vezes sobre o ambiente que criam nas audições e durante as filmagens", disse à Sky News Natasha Moore, responsável da Directors UK.

Os realizadores podem usar a sua influência para criarem um ambiente de trabalho seguro para todos e isto é particularmente sentido quando se ensaiam e filmam cenas sensíveis e vulneráveis", acrescentou a responsável. 

/ BC