O SOS Racismo exigiu, este sábado, “justiça” no caso da morte do homem baleado esta tarde em Moscavide, concelho de Loures, distrito de Lisboa, considerando tratar-se de “um crime com motivações de ódio racial”.

Hoje, pelas 14h, Bruno Candé Marques, cidadão português negro, foi assassinado com quatro tiros à queima roupa. O seu assassino já o havia ameaçado de morte três dias antes e reiteradamente proferiu insultos racistas contra a vítima”, afirma o SOS Racismo em comunicado.

Para a associação, “o caráter premeditado do assassinato não deixa margem para dúvidas de que se trata de um crime com motivações de ódio racial”.

No comunicado, o SOS Racismo pede que o "assassinato do Bruno Candé Marques não seja mais um sem consequências", exigindo que "justiça seja feita".

Bruno Candé homem morreu  após ter sido "baleado em várias zonas do corpo" por outro homem, entre os 60 e os 70 anos, na avenida de Moscavide, no concelho de Loures, distrito de Lisboa, disse hoje a PSP.

O alerta para a situação de disparos na avenida de Moscavide ocorreu pelas 13:20, e quando a Polícia de Segurança Pública (PSP) chegou ao local encontrou "um homem que tinha sido baleado em várias zonas do corpo por outro homem".

Fonte do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP disse à Lusa que o óbito do homem baleado foi declarado no local e que o homem responsável pelos disparos, com idade entre os 60 e os 70 anos, informação que foi, posteriormente, corrigida para “cerca de 80 anos”, foi detido, tendo-lhe sido apreendida uma arma de fogo.

Em declarações aos jornalistas no local, pelas 16:00, o comissário do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP Bruno Pires adiantou que a vítima tem “cerca de 40 anos” e o suspeito de homicídio tem “cerca de 80 anos”.

O detido, após os disparos, foi retido por populares até à chegada da PSP, não ofereceu resistência e, neste momento, encontra-se na nossa custódia”, referiu o comissário Bruno Pires, acrescentando que o suspeito está num dos departamentos policiais do Comando Metropolitano de Lisboa.

O crime ocorreu na via pública, “em plena avenida de Moscavide”, onde foram registados “alguns disparos” cujos vestígios “estão a ser recolhidos pela Polícia Judiciária”, por se tratar de um crime de homicídio, avançou o comissário da PSP.

Questionado sobre se o crime foi motivado por racismo, Bruno Pires referiu que “a única coisa que se sabe, e que poderá ser útil para a investigação, é que já existem relatos ao longo desta semana de desacatos”, mas a PSP ainda desconhece o motivo dos mesmos.

Dos relatos que conseguimos, não foi adiantada muita informação”, reforçou.

A ocorrência mobilizou "dezenas de polícias", inclusive devido à necessidade de interromper o trânsito na avenida de Moscavide.

Bruno Candé Marques tinha 39 anos e deixa três filhos. Todos com menos de cinco anos. Era ator e pertencia à companhia Casa Conveniente, que este sábado mudou a fotografia de perfil da sua página para uma a preto e branco com o rosto de Bruno Candé. 

A família do ator Bruno Candé Marques também exigiu "justiça célere e rigorosa" perante um crime que considerou "premeditado e racista".

Em comunicado, a família do ator, de 39 anos, refere que Bruno Candé Marques "foi alvejado à queima-roupa, com quatro tiros, na rua principal de Moscavide" e que "o seu assassino já o havia ameaçado de morte três dias antes, proferindo vários insultos racistas".

"Face a esta circunstância", a família considera que "fica evidente o caráter premeditado e racista deste crime" e exige que "a justiça seja feita de forma célere e rigorosa".

/ Publicado por MM - atualizado às 23:08