O realizador do filme “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, adaptação da obra de José Saramago com o mesmo título, esteve esta sexta-feira na TVI24.

João Botelho explicou o porquê do seu mais recente filme ter sido gravado a preto e branco. O cineasta garante que seria financeiramente impossível recriar a capital portuguesa do ano 1936 de outra forma.

Não se pode fazer Lisboa, em 1936, a cores. Era impossível”, explicou.

O realizador criticou o tipo de longas-metragens que têm sido criadas em Hollywood ao longo dos últimos anos.

A celebração do cinema deixou de existir. Ganhou o entretenimento e perdeu o pensamento”, referiu.

João Botelho considera que o cinema é uma arte que não tem como propósito impor ideologias ou dar lições.

O cinema não dá lições de nada. O cinema é uma coisa fingida, o que não é fingido é o que as pessoas sentem quando o estão a ver”, lembrou.

O cineasta comparou as semelhanças do ano de 1936, em que houve a ascensão de várias ditaduras na Europa, com o surgimento recente de vários movimentos extremistas nos últimos anos.

Parece que não aprendemos nada com o mal. É difícil, mas se fosse fácil estavam cá outros”, desabafou.

João Botelho lembrou ainda todos os que mais têm sofrido com os efeitos colaterais da pandemia de covid-19 em Portugal, destacando as injustiças sociais que tem vindo a observar.

Isto é um mundo da treta! Não pode ser. Temos de lutar contra isso”, reiterou João Botelho.

Nuno Mandeiro