“Roma” e “A Favorita” lideram a corrida aos Óscares, que são atribuídos este domingo, em Los Angeles, com dez nomeações cada. Mas ainda que estes dois filmes sejam considerados os favoritos por terem mais nomeações, no que toca à estatueta mais desejada, a de "Melhor Filme”, parece estar tudo em aberto.

Os prémios da Academia Britânica do Cinema, os Bafta, confirmaram-lhes o estatuto de favoritos: “Roma”, de Alfonso Cuarón, ganhou quatro prémios, incluindo o de Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Filme Estrangeiro, e “A Favorita”, de Yorgos Lanthimos, venceu sete galardões, incluindo Melhor Atriz (Olivia Colman), Melhor Atriz Secundária (Rachel Weisz) e Melhor Argumento Original. Mas nos Óscares, atribuídos pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, poderá haver interferências de terceiros neste duelo.

Por um lado, os triunfos de “Bohemian Rapody”  e “Green Book – Um Guia Para a Vida” nos Globos de Ouro e de “Black Panther” nos prémios do Sindicato de Atores deixaram o aviso de que tudo pode acontecer.  Por outro, edições anteriores têm mostrado o quão imprevisíveis podem ser as escolhas da Academia – como em 2017, quando “Moonlight” levou a melhor sobre “La La Land”, ou como em 2006, ano em que “Colisão” bateu "O Segredo de Brokeback Mountain".

A revista especialista em notícias de cinema e entretenimento Variety diz que esta é uma das corridas mais abertas que Hollywood já viu, considerando que "qualquer um dos oito nomeados para Melhor Filme pode vencer". Ainda assim, a revista aposta numa vitória de “Green Book – Um Guia Para a Vida”, com “Roma” a ficar-se pela estatueta de Melhor Filme Estrangeiro.

No que toca à realização, o mexicano Alfonso Cuarón, que já conquistou este Óscar por “Gravidade” (2013), surge na linha da frente com alguma vantagem, depois de ter levado para casa o Globo de Ouro, o Bafta e o prémio do Sindicato de Realizadores com “Roma”, o filme cujos direitos de distribuição foram adquiridos pela Netflix.

Já na categoria de Melhor Ator as apostas estão direcionadas para Rami Malek, que deu vida a Freddie Mercury em Bohemian Rhapsody. Malek ganhou o Globo de Ouro para Melhor Ator em Drama, o Bafta para Melhor Ator e o prémio do Sindicato de Atores.

Mas Christian Bale, que encarnou o vice-presidente dos Estados Unidos Dick Cheney em “Vice”, também tem hipóteses de ganhar. Bale, que já foi premiado com um Óscar de Melhor Ator Secundário com The Fighter (2010), venceu o Globo de Ouro para Melhor Ator em Musical ou Comédia e o prémio da crítica.

Uma situação idêntica verifica-se na categoria de Melhor Atriz. Glenn Close (“A Mulher”) é a vencedora mais provável, depois de ter vencido o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama e o prémio do Sindicato de Atores. A atriz, que já foi sete vezes nomeada pela Academia, mas que nunca venceu um Óscar, pode, assim, ganhar a sua primeira estatueta dourada.

Todavia, os especialistas vincam que pode haver outra vencedora: Olivia Colman (“A Favorita”), que ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Musical ou Comédia e o Bafta para Melhor Atriz.

Na categoria de Melhor Ator Secundário, Mahershala Ali (“Green Book – Um Guia Para a Vida”), que há dois anos venceu este Óscar com “Moonlight”, deverá ser o vencedor, depois de ter arrecadado vários prémios: nos Globos de Ouro, nos Bafta, nos prémios do Sindicato de Atores.

Mais renhida está a corrida para Melhor Atriz Secundária. Regina King (“Se Esta Rua Falasse”) lidera as apostas, mas com a concorrência por perto.

King venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz Secundária e o prémio da crítica, mas o facto de nem sequer ter sido nomeada para os prémios do Sindicato de Atores não abona a seu favor. É que apenas uma atriz, Marcia Gay Harden, com “Pollock” (2000), conseguiu ganhar o Óscar de Melhor Atriz Secundária sem uma nomeação nos SAG.

Por isso, Rachel Weisz (“A Favorita”) que ganhou o Bafta para Melhor Atriz Secundária, também surge como potencial vencedora.

A 91.ª edição dos Óscares decorre este domingo no Dolby Theatre, em Los Angeles. Este ano, a gala não terá um apresentador principal, o que já não acontecia há três décadas. A cerimónia deverá ser mais curta, num ano em que muitas polémicas deram que falar.

Veja ou reveja os principais nomeados na galeria acima.