Um erro monumental, histórico até. A 89.ª cerimónia dos Óscares ficou marcada por um final totalmente inesperado, um plot twist como se diz no cinema. "La La Land" foi anunciado como o Melhor Filme, mas, afinal, a estatueta era de "Moonlight". Um envelope trocado esteve na origem do incidente, inédito na história dos prémios da Academia.

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Era o momento mais aguardado pela plateia do Dolby Theater, em Los Angeles, e pelos milhões de espetadores que assistiam à cerimónia no mundo inteiro. Warren Beatty tinha o envelope que anunciava o Melhor Filme. Abriu-o, leu o que dizia, hesitou e passou a palavra a Faye Dunaway, que anunciou o vencedor como sendo "La La Land". E depressa a equipa de Damien Chazelle subiu ao palco para agradecer a estatueta mais desejada da noite.

Mas o inesperado aconteceu, já o musical fazia a festa. O envelope tinha sido trocado e o que chegou a Warren Beatty e Faye Dunaway não era o de Melhor Filme, mas o de Melhor Atriz, que tinha ido para Emma Stone, de "La La Land". Estávamos perante um erro monumental.

"Quando abri o envelope dizia Emma Stone La La Land - por isso é que demorei muito tempo a olhar, não estava a tentar ter piada", explicou depois Warren Beatty.

O Melhor Filme era, afinal, "Moonlight", o drama de Barry Jenkins que acompanha as três fases da vida de um homem e a descoberta da sua sexualidade, num bairro problemático de Miami.

Erro monumental marca cerimónia dos Óscares
 

"Moonlight" foi, de resto, o grande vencedor da noite com três das estatuetas mais importantes: Melhor Filme, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Ator Secundário (Mahershala Ali). 

"Nem nos meus sonhos achei que isto era possível, mas que se lixem os sonhos - é verdade", afirmou Barry Jenkins ao receber o prémio.

Mahershala Ali tornou-se no primeiro ator muçulmano a receber um Óscar. O ator foi o primeiro a subir ao palco para receber uma estatueta, agradecendo a todos os professores que o acompanharam.

Eles sempre me disseram: não é sobre ti, é sobre os personagens. Estás a servir estas histórias e estas personagens. Sou muito abençoado por ter tido esta oportunidade."

"La La Land" tinha 14 nomeações, mas arrebatou apenas seis estatuetas e quase todas em categorias técnicas (Direção de Arte, Direção de Fotografia, Banda Sonora, Canção Original). Dos Óscares mais importantes apenas dois: o de Melhor Realização (Damien Chazelle) e o de Melhor Atriz Principal (Emma Stone). 

Damien Chazelle, de 32 anos, tornou-se o realizador mais jovem a vencer o Óscar de Melhor Realização.

Emma Stone protagonizou uma das surpresas da noite, já que Natalie Portman ("Jackie") era apontada como favorita nesta categoria. Ela própria terá sido surpreendida e acabou a dedicar o prémio às restantes nomeadas.

"Às mulheres nesta categoria - vocês são tão extraordinárias, admiro-vos. Foi uma grande honra ter estado ao vosso lado."

Emma Stone

 

"Manchester by the Sea", que tinha seis nomeações, venceu, sem surpresas, duas estatuetas importantes: o Óscar de Melhor Ator Principal (Casey Affleck) e o de Melhor Argumento Original. 

No discurso de agradecimento, Casey Affleck lembrou outro dos nomeados, Denzel Washington.

"Uma das primeiras pessoas que me ensinou a representar foi o Denzel Washington e eu conheci-o pela primeira vez esta noite. Estou aqui por causa do talento e da boa vontade de tantas pessoas que não é possível nomeá-las todas."

Casey Aflleck

O prémio de Melhor Atriz Secundária foi para Viola Davis, que fez um discurso muito emocionado."Somos a única profissão que celebra o que significa viver uma vida", frisou a atriz.

O Melhor Documentário foi para "O.J.: Made in America" que se tornou no filme mais longo a ganhar um Óscar, com 467 minutos. 

Outra curiosidade: o sonoplasta e diretor de som Kevin O'Connell conseguiu, por fim, vencer uma estatueta, à 21.ª nomeação. Foi pela Melhor Mistura de Som, com "O Herói de Hacksaw Ridge", de Mel Gibson. Um filme que venceu duas estatuetas - conseguiu ainda a de Melhor Montagem.

 

As muitas críticas a Trump

A cerimónia, a primeira da era Donald Trump, ficou marcada pelas muitas críticas ao presidente norte-americano. Muito por causa do anfitrião, Jimmy Kimmel. As piadas começaram logo no monólogo de abertura e culminaram com o envio de um tweet, em direto, para o líder norte-americano.

Os atores, pelo contrário, mostraram-se mais contidos nos discursos. O mexicano Gael Garcia Bernal, que apresentou dois galardões de animação, foi dos poucos que fez questão de deixar uma mensagem política, fazendo alusão ao muro que Trump quer construir na fronteira com o México.

Mas o momento político da noite foi quando o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro foi para o Irão, um dos países banidos por Trump.  O realizador de "O Vendedor", Asghar Farhadi, não esteve presente na cerimónia - como, de resto, tinha anunciado logo depois de Trump ter anunciado a polémica medida -, mas deixou uma carta com palavras muito duras contra as políticas do presidente norte-americano.

Importante ainda notar os galardões conquistados por afro-americanos - Barry Jenkins, Mahershala Ali, Viola Davis -, ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, marcados pelas acusações de racismo, que deram origem à famosa hashtag #Oscarssowhite. 

Como habitualmente, a Academia lembrou as estrelas da sétima arte que partiram no último ano, como Gene Wilder, Michael Cimino ou Emmanuelle Riva.

Pelo meio, houve muitos momentos de humor, mais ligeiros, que supreenderam as celebridades do Dolby Theater... e não só.

Um grupo de turistas que viajava num autocarro por Los Angeles acabou o passeio a visitar a sala e a entrar em direto na emblemática cerimónia. Perante a panóplia de celebridades, a espontaneidade das reações acabou por ser um dos momentos da gala. 

Turistas invadiram cerimónia

Antes da gala propriamente dita, o tradicional desfile pela passadeira vermelha proporcionou momentos de grande glamour e sofisticação. Mas, segundo os especialistas, nem todas as celebridades acertaram na escolha da indumentária.

A 89.ª cerimónia dos Óscares da Academia ocorreu este domingo, em Los Angeles, repleta de ingredientes que, para o bem ou para o mal, a tornaram numa edição inesquecível.

VEJA A LISTA COMPLETA DOS VENCEDORES DOS ÓSCARES

 
Sofia Santana Andreia Miranda / atualizada às 06:51