As referências a Donald Trump já estão a marcar a 89ª cerimónia de entrega dos Óscares. Foi logo no discurso de abertura que o apresentador Jimmy Kimmel deu o pontapé de saída nas referências ao presidente norte-americano. As piadas culminaram com Kimmel a enviar um tweet em direto a Trump. Mas o momento político da noite foi quando a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro foi para o Irão, um dos países banidos por Trump. O realizadorAsghar Farhadi, não esteve presente, mas deixou uma carta com duras palavras contra o presidente norte-americano.

“Esta cerimónia está a ser assistida por milhares de pessoas em todo mundo, de 220 países que agora nos odeiam”, começou por dizer Jimmy Kimmel, logo no início da gala.

Durante o monólogo de abertura, o humorista dirigiu-se a Meryl Streep e recuperou, com muita ironia, as palavras de Trump sobre a atriz: "é uma das atrizes mais sobrevalorizadas de sempre", disse. Um momento que proporcionou uma salva de palmas de pé a Meryl Streep, no Dolby Theatre, em Los Angeles. 

Antes, aproveitou a presença da atriz francesa Isabelle Huppert para lembrar uma polémica medida de Trump - o presidente norte-americano baniu a entrada de cidadãos de vários países nos Estados Unidos.

"Estamos gratos que a segurança nacional te tenha deixado vir até aqui." 

Kimmel lembrou ainda que este ano, e ao contrário do que aconteceu no passado, há vários negros nomeados para os Óscares.  E agradeceu a Trump isso.

"Tenho de agradecer a Donald Trump. Lembram-se de como no ano passado os Óscares pareciam racistas? Este ano, os negros salvaram a NASA e salvaram o jazz", frisou.

E depois de a Casa Branca ter barrado a entrada a vários órgãos de comunicação social num briefing, na semana passada, o humorista lançou a a piada:

"Se alguém da CNN, do New York Times ou de alguma publicação com a palavra 'times' estiver aqui que abandone o edfício, pois não toleramos notícias falsas."

As piadas culminaram com Kimmel a enviar um tweet a Trump em direto. "Hey Trump, o que se passa?", escreveu o humorista no microblog

O grande momento político da noite foi a entrega da estatueta dourada de Melhor Filme Estrangeiro à película iraniana "O Vendedor". O realizador Asghar Farhadi não esteve presente na cerimónia, como tinha anunciado logo depois de Trump ter proíbido a entrada de cidadãos de sete países nos Estados Unidos, incluindo do Irão. Porém, o cineasta deixou uma carta com palavras muito duras contra o presidente norte-americano, que foi lida por Anousheh Ansari.

"Peço desculpa por não estar aí esta noite, com vocês. A minha decisão é por respeito a todas as pessoas do meu país e dos outros seis países que foram desrespeitados pela lei não humana que baniu imigrantes de sete países dos Estados Unidos."

Depois, foi a vez do ator mexicano Gael Garcia Bernal, que apresentou os nomeados para melhor curta-metragem e melhor filme de animação, deixar uma mensagem.

"Como mexicano, como latino-americano, como trabalhador imigrante, como ser humano, sou contra qualquer forma de muro que nos queira separar."

 
Sofia Santana Andreia Miranda / atualizada às 03:13