Os filmes "1917", de Sam Mendes, e "Era uma Vez… em Hollywood", de Quentin Tarantino, foram os grandes vencedores da 77.ª edição dos Globos de Ouro, que trouxe várias surpresas na cerimónia desta madrugada em Los Angeles.

O filme "1917" foi coroado com o Globo de Ouro para melhor Drama, batendo "Joker", "Marriage Story", "O Irlandês" e "Os Dois Papas", uma escolha inesperada da Associação da Crítica Estrangeira em Hollywood.

“1917” deu ainda a Sam Mendes a estatueta de Melhor Realizador, numa categoria onde estavam também nomeados Martin Scorsese com “O Irlandês” e Quentin Tarantino.

É difícil fazer filmes sem grandes estrelas e espero que as pessoas o vão ver no grande ecrã, onde foi feito para ver", disse Sam Mendes ao aceitar o galardão. "1917", que estreia em Portugal a 23 de janeiro, é protagonizado por dois atores britânicos pouco conhecidos, George MacKay e Dean-Charles Chapman.

Já "Era Uma Vez… em Hollywood" confirmou o favoritismo vencendo o globo na categoria de Comédia ou Musical e dando ainda a Brad Pitt o galardão de Melhor Ator Secundário em Comédia ou Musical e a Quentin Tarantino a estatueta para Melhor Argumento. De cinco nomeações o filme venceu três, o melhor resultado entre os títulos mais nomeados.

"Joker", de Todd Phillips, deu a Joaquin Phoenix o Globo de Melhor Ator em filme dramático e ainda venceu na categoria de melhor banda sonora original, premiando a compositora islandesa Hildur Guönadóttir.

Da lista de surpresas consta a vitória do filme de animação "Missing Link", da Laika Entertainment, superando os pesos-pesados da Disney - "Frozen 2", Toy Story 4" e "O Rei Leão" - e "Como Treinares o Teu Dragão: O Mundo Secreto", da Universal, o que gerou grande comoção na cerimónia.

No sentido inverso, "O Irlandês" de Martin Scorsese e com Al Pacino não recebeu qualquer dos Globos de Ouro entre as cinco nomeações que tinha.

Também o filme com mais nomeações (seis), "Marriage Story", de Noah Baumbach, saiu da cerimónia apenas com uma estatueta, entregue a Laura Dern na categoria de Atriz Secundária.

Ambos os títulos são da plataforma Netflix, que não confirmou as expectativas geradas pelo elevado número de nomeações que recebeu para esta edição dos Globos de Ouro: de um total de 17, venceu apenas dois.

Na televisão, foi a HBO, Hulu e Amazon Prime que dominaram. A série "Succession" da HBO levou para casa o Globo mais cobiçado de melhor série dramática e o seu protagonista Brian Cox, que interpreta o magnata Logan Roy, recebeu o galardão de melhor ator em série dramática.

"Chernobyl", também da HBO, foi considerada a melhor série limitada e Stellan Skarsgård venceu o globo para ator secundário em série, série limitada ou filme para televisão.

Na comédia, e tal como aconteceu nos prémios Emmy, em setembro de 2019, "Fleabag" da Amazon Prime foi a melhor série e Phoebe Waller-Bridge recebeu o Globo de melhor atriz em Comédia ou Musical.

Olivia Colman foi premiada pelo desempenho em "The Crown", da Netflix, levando o Globo para Melhor Atriz em Série Dramática, Patricia Arquette foi a Melhor Atriz em Série Limitada por "The Act" (Hulu) e Renée Zellweger Melhor Atriz em Filme Dramático, por "Judy".

Entre os títulos que não conseguiram qualquer estatueta estão "Os Dois Papas", "Knives Out" e "The Marvelous Ms. Maisel". "Parasitas", do sul-coreano Bong Joon-ho, venceu na categoria de Filme em Língua Estrangeira, tal como esperado.

Awkwafina, Taron Egerton e Ramy Youssef batem veteranos nos Globos de Ouro

 Numa cerimónia com vitórias inesperadas, Awkwafina fez história ao tornar-se na primeira atriz de ascendência asiática a vencer um Globo de Ouro para Melhor Atriz, feito conseguido esta madrugada na categoria de Comédia ou Musical.

A atriz venceu pelo papel em "A Despedida", filme realizado por Lulu Wang, superando Cate Blanchet, Emma Thompson, Ana de Armas e Beanie Feldstein.

É excelente, se vier a ter tempos difíceis posso vender isto", disse a atriz no discurso de aceitação, apontando para a estatueta. Awkwafina agradeceu ainda pela "oportunidade de uma vida".

Na mesma categoria para atores masculinos, outra surpresa: foi Taron Egerton quem levou o galardão pelo papel em "Rocketman", levando a melhor sobre Leonardo DiCaprio, que estava nomeado por "Era Uma Vez… em Hollywood", de Quentin Tarantino.

Este papel mudou a minha vida", disse Taron Egerton em palco, agradecendo a Elton John, no qual "Rocketman" se baseia, por ter vivido uma vida tão interessante de contar.

O cantor britânico estava também nomeado e venceu, em conjunto com Bernie Taupin, o Globo de Ouro para Melhor Canção Original com "I'm gonna love me again".

A noite começou com a vitória de Ramy Youssef na categoria de Melhor Ator em Série de Comédia ou Musical, com "Ramy", da Hulu, batendo Michael Douglas, Bill Hader, Paul Rudd e Ben Platt.

"Eu sei que vocês não viram a minha série", disse Ramy Youssef, sorrindo, quando aceitou o prémio. "Fizemos uma série muito específica sobre uma família árabe muçulmana a viver em Nova Jersey", descreveu, agradecendo a oportunidade à Hulu e dizendo que a sua própria mãe "estava a torcer por Michael Douglas".

Com uma grande lista de nomeados em cinema e televisão, a cerimónia confirmou alguns favoritos e deixou cair outros. Brad Pitt foi um dos que venceu, consagrando-se com o Globo de Ouro para Melhor Ator Secundário em "Era Uma Vez… em Hollywood", contra concorrentes de peso: Anthony Hopkins, Al Pacino, Joe Pesci e Tom Hanks.

Quando estava a começar, estes nomes com quem estive nomeado eram como deuses para mim", disse Brad Pitt, na vitória, chamando a Leonardo DiCaprio o seu "parceiro no crime" e dizendo que teria partilhado a "jangada" com ele, uma alusão ao final do filme "Titanic".

Laura Dern venceu a mesma categoria no feminino, pelo seu papel em "Marriage Story", deixando para trás Jennifer Lopez, Margot Robbie, Kathy Bates e Annette Bening.

Nas principais categorias de interpretação, a grande vitória coube a Joaquin Phoenix ("Joker) e Renée Zellweger ("Judy"). Levaram os Globos de Melhor Ator e Atriz em Filme Dramático, contra Christian Bale, Antonio Banderas, Adam Driver e Jonathan Pryce e Scarlett Johansson, Charlize Theron, Saoirse Ronan e Cynthia Erivo, respetivamente.

A Associação deu a Tom Hanks o prémio de carreira no cinema Cecil B. deMille e a Ellen DeGeneres o prémio de carreira na televisão Carol Burnett, dois momentos de retrospetiva que geraram discursos emocionados dos homenageados.

A 77.ª edição dos Globos de Ouro foi apresentada por Ricky Gervais, que apontou várias farpas à elite de Hollywood e às empresas por detrás das plataformas de ‘streaming’, num desempenho que obrigou a estação NBC a silenciar vários palavrões do comediante na emissão em direto.

Os seus alvos foram desde Leonardo DiCaprio e as suas namoradas jovens à sentença de Felicity Huffman, o fracasso do filme "Cats" e o suicídio de Jeffrey Epstein.

Ricky Gervais chegou a pedir aos nomeados que não fizessem discursos de vitória com apelos políticos, argumentando que "não sabem nada do mundo real", "não estão em posição de dar lições ao público" e a maioria "passou menos tempo na escola que Greta Thunberg".

/ BC