Hugo Chávez, ex-presidente da Venezuela, perdeu a batalha contra o cancro e morreu em 2013. Esta semana regressa “à vida” no pequeno ecrã, na série “El Comandante”. Mesmo antes do primeiro episódio ir para o ar, a polémica já está instalada. Os apoiantes de Chávez dizem que série não passa de “lixo imperialista”, escreve a Associated Press (AP).

Produzida pela Sony Pictures Television, a série, com 60 episódios, vai estrear esta semana na América Latina e deve ir para o ar nos Estados Unidos na próxima primavera, através da cadeia Telemundo.

O ex-ministro do Comércio e Indústria da Venezuela, entre o final dos anos de 1980 e o início de 1990, Moisés Naím teve a ideia de criar a série depois de passar anos a tentar explicar aos amigos, em Washington, nos EUA, onde agora reside, como foi a chegada ao poder do carismático líder.

Em “El Comandante” é contada a chegada ao poder de Chávez, desde as suas origens rurais pobres, até à presidência do país. Sem esquecer como o seu autoritarismo, defendem os criadores do telefilme, levou a Venezuela à crise económica que agora enfrenta.

"Há duas coisas que ninguém pode discutir independentemente da ideologia: a primeira é que Chávez foi um político carismático extraordinário, que seduziu pessoas de todo o mundo. A outra é que a Venezuela, de hoje, foi destruída por uma grande crise", disse Naím à AP. Por isso, "e muito difícil argumentar que a tragédia atual não tem nada a ver com Hugo Chávez", conclui.

Parte da série é ficcionada, porque apesar de estar horas frente às câmaras – por exemplo, em longos discursos -, o que se passava quando não estava a gravar era desconhecido. Para construir a história acabou por ser feita alguma especulação.

 

Esta semana, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro considerou que a série não passava de “lixo imperialista”. A ex-mulher de Chávez também já veio a público ameaçar a Sony com processos na justiça.

No domingo, Adan Chávez, irmão do falecido Hugo Chávez e atual ministro da Cultura, avançou que vai começar a ser gravada, em breve, uma co-produção venezuelana e cubana intitulada “O verdadeiro Chávez”.

O ator escolhido para viver a vida de Hugo Chávez foi o colombiano Andrés Parra, que ficou conhecido por ter protagonizado o  narcotraficante colombiano Pablo Escobar.