Maria João Raposo encarna a personagem de rainha do ferro-velh0. Tal como Laura Alves, a actriz inspirou-se na figura da norte-americana Marilyn Monroe para compor a personagem.

Ao seu lado estão José Raposo (Harry Brock, o rei do ferro-velho), João Baião (o jornalista Paul Verral), Mário Jacques (o advogado Jo Devery), Canto e Castro (senador), Lurdes Norberto (mulher do senador) e Tiago Diogo (afilhado de Brock), entre outros.

Laura Alves protagonizou a peça em 1958, no Teatro Monumental, em Lisboa, a qual foi um êxito. Um cartaz exposto no Salão Nobre do Politeama recorda que foi a primeira peça em Portugal a estar em cena mais de um ano. O cartaz faz parte de uma pequena exposição sobre a actriz, realizada com o apoio do Museu Nacional do Teatro. Estão expostos programas de peças protagonizadas pela falecida actriz, fotografias, vestidos e até sapatos.

A actriz iniciou carreira em 1935, alcançou sucesso em palco, nos diversos géneros: revista, opereta, comédia e drama. Em 1982 retirou-se dos palcos. «Laura Alves era grande demais para Portugal» tal era «a sua entrega ao palco», afirmou La Féria. O encenador salientou ainda o facto da actriz «ser minuciosa no estudo das personagens e do seu papel».

Rainha do ferro-velho retrata a actualidade política

Relativamente à peça, Filipe La Féria considera-a de «extrema actualidade política, um manifesto contra a corrupção do poder e os negócios escuros da política».

A Rainha do ferro-velho abre com um boletim noticioso cinematográfico que a enquadra na época em que os Estados Unidos vivem a recuperação económica pós II Grande Guerra. Harry Brock, que trabalha desde os 12 anos, torna- se num multimilionário. Brock é o exemplo do "self-made-man" graças ao negócio da sucata.

Nestas circunstâncias, a sua amante, a loira Billie Dawn, ex-corista, embaraça-o nos meios políticos de Washington, o que o leva a contratar um jornalista para a «polir» e ensinar a «estar em sociedade». Os dados estão lançados para uma peça desenvolvida em dois actos, tendo como cenário uma suite de 500 dólares por dia em Washington.

A peça, com cenografia de La Féria, e figurinos assinados pelo teatrólogo Vítor Pavão dos Santos, surge com uma nova tradução «sem cortes da censura», como salientou o encenador.
Sandra Pedro