A Comissão Europeia está “moderadamente otimista” relativamente às previsões económicas da primavera, que serão divulgadas em maio, por revelarem que a economia europeia “está a recuperar”, juntamente com o mercado laboral, apesar das incertezas relacionadas com a pandemia.

As previsões [macroeconómicas da primavera] mostram-nos que, globalmente falando, a economia europeia está a recuperar e que o mercado de trabalho está a melhorar, mas ainda com um certo número de incertezas”, diz em entrevista à agência Lusa, em Bruxelas, o comissário europeu do Emprego e Direitos Sociais, Nicolas Schmit.

A poucos dias de o executivo comunitário divulgar estas projeções, que permitirão ter uma ideia mais clara da evolução da situação económica da UE e da zona euro neste ano e no próximo após a recessão gerada pela covid-19, Nicolas Schmit observa: “Acho que podemos ser moderadamente otimistas”.

Digamos que estou otimista, mas não em demasia”, acrescenta.

Nas previsões macroeconómicas mais recentes, divulgadas em fevereiro passado, a Comissão Europeia voltou a rever em baixa o ritmo da recuperação económica este ano na Europa, devido à pandemia, estimando que a zona euro cresça 3,8% e a União Europeia (UE) 3,7%.

Numa altura de ressurgimento de infeções no espaço comunitário, que já levaram à adoção de novas e pesadas medidas restritivas, o executivo comunitário vai atualizar estas previsões macroeconómicas aquando da divulgação das projeções da primavera, na primeira quinzena de maio.

Sem revelar mais dados, Nicolas Schmit afirma antes, nesta entrevista à Lusa, que “o que é importante agora é implementar o plano de recuperação de forma rápida e eficiente”, numa alusão às verbas europeias de apoio à retoma económica pós-crise da covid-19.

“Portanto, [é preciso] gastar o dinheiro nos investimentos certos, também adaptando e reestruturando [as áreas] onde as reformas são necessárias para tornar esta recuperação sustentável e duradoura”, sublinha o comissário europeu do Emprego e Direitos Sociais.

E adianta: “Acho que precisamos dessa recuperação na Europa e, portanto, o que foi decidido deve agora ser implementado”.

Em fevereiro deste ano, o Conselho da UE adotou o regulamento que cria o Mecanismo de Recuperação e Resiliência, avaliado em 672,5 mil milhões de euros e que está no centro do “Next Generation EU”, o plano de 750 mil milhões de euros aprovado pelos líderes europeus em julho de 2020.

Estes são os principais instrumentos para recuperação económica na UE pós-crise da covid-19.

Relativamente ao mecanismo, os países da UE têm até à próxima sexta-feira para apresentar os planos nacionais que definam os seus programas de reforma e de investimento até 2026, embora este prazo não seja rígido, dispondo depois a Comissão Europeia de dois meses para avaliar os planos e o Conselho de um mês.

A ambição da atual presidência portuguesa da UE é conseguir a aprovação dos primeiros planos até final de junho.

Na passada quinta-feira, o Governo português entregou o seu Plano de Recuperação e Resiliência à Comissão Europeia através da plataforma informática oficial, tornando-se no primeiro Estado-membro da União Europeia a entregar a versão final.

O documento português prevê projetos de 16,6 mil milhões de euros, dos quais 13,9 mil milhões de euros dizem respeito a subvenções a fundo perdido. O Governo diz ter ainda “em aberto” a possibilidade de recorrer a um valor adicional de 2,3 mil milhões de euros em empréstimos.

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