O novo coronavírus está a ter um forte impacto na economia portuguesa, sobretudo nos setores das viagens e do turismo. No Algarve, os cancelamentos de hotéis já chegam aos 60% e a TAP suprimiu 3500 voos nos meses de março e abril. Pedro Siza Vieira, ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, esteve no Jornal da 8, da TVI, esta segunda-feira e falou sobre o impacto económico do novo coronavírus e das medidas adotadas pelo Governo para mitigar o seu impacto.

O ministro da Economia sublinhou a importância de conter o pânico em relação ao surto de Covid-19, apesar de admitir que “vamos ter algumas semanas em que a atividade económica vai estar afetada”, seja porque as matérias primas não vão chegar às cadeias de montagem, seja por incapacidade dos trabalhadores.

Temos ainda uma incerteza em relação às perspetivas. Há muitas coisas que não sabemos como vão evoluir.”

A paralisação da economia chinesa por causa do coronavírus irá ter um forte impacto na economia global, mas o ministro sublinhou que será necessário estar atento à velocidade de retoma da China.

Todos os governos têm de levar a sério aquilo que se está a passar. Têm que estar preparados para adotar medidas que suporte a atividade económica”.

Nesta entrevista no Jornal da 8, o ministro sublinhou que o Governo está a tomar todas as medidas necessárias para assegurar “a capacidade produtiva das empresas e proteger o emprego” e garantiu que as medidas de alívio da tesouraria são superiores a 2 mil milhões de euros. O adiamento do pagamento de impostos, a capacidade de acelerar pagamentos no sistema de incentivos às empresas foram alguns dos exemplos dados pelo governante.

O Governo está preparado para tomar medidas de alívio de tesouraria das empresas e para proteger os postos de trabalho (...) “As medidas de alívio de tesouraria são superiores a 2 mil milhões de euros. Entre o adiamento do pagamento de impostos, a capacidade de acelerar os pagamentos nos sistemas de incentivo...”, vincou.

A prioridade, de acordo com o ministro, é que “o emprego não seja prejudicado”.

Ter “finanças públicas equilibradas” é o que permite ao Governo ter margem de manobra para “absorver as consequências negativas de um choque económico”.

Quando há umas semanas discutíamos para que serve um excedente orçamental... é precisamente para isto”, referiu.

Questionado por Miguel Sousa Tavares acerca da dependência da economia portuguesa do setor do turismo, Siza Vieira explicou que o turismo poderá ser um dos setores que mais beneficiará das medidas tomadas pelo Governo.

No caso de Portugal, o turismo não é uma moda”, sublinhou.

Para isso, contam com o acesso a uma linha de crédito que privilegia as empresas que tiveram uma quebra na receita superior a 20% do ano anterior.

Temos hoje uma economia mais diversificada e não dependente de um setor ou de uma empresaO mais importante é assegurar que as empresas tomam as medidas adequadas para preservar a sua capacidade produtiva”, realçou.

/ JGR