A pandemia de covid-19 provocou a maior crise económica desde o crash da bolsa em 1929. Pior que tentar recuperar os empregos e negócios perdidos é não ter um horizonte concreto de quando vai poder voltar tudo ao normal.

A vacina, a tal luz ao fundo do túnel, como lhe chamou António Costa, já chegou, mas o túnel parece ser bem mais comprido que o que parecia ao início.

Perante esse cenário, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou esta terça-feira as previsões para a retoma económica da zona euro, na qual se insere Portugal, mas também para o resto do mundo.

Estas revisões do organismo têm sido particularmente pessimistas para a Europa: "As novas restrições apontam para um crescimento mais fraco", disse Kristalina Georgieva, diretora do FMI, referindo-se ao agravar de medidas pelo continente, como resposta ao disparar de casos no período pós-festas, que está a fazer-se sentir de forma mais severa em Portugal.

Os prognósticos negativos são acompanhados pelo Banco Central Europeu, que se afirma receoso com os mais recentes desenvolvimentos da pandemia.

Não podemos descartar novos desenvolvimentos adversos", disse Christine Lagarde, presidente do organismo.

Também o ministro português das Finanças, João Leão, admitiu o "efeito tremendo" da terceira vaga na economia, ainda para mais num país que tem grande parte do produto interno bruto dependente do turismo, uma das áreas mais afetadas pela pandemia.

As projeções do FMI apontam para um crescimento económico mundial superior ao inicialmente previsto, cifrando-se num crescimento de 5,5%, depois de uma recessão mundial de 3,5% em 2020.

Mas esta recuperação verifica-se acima de tudo pelo desempenho das economias chamadas emergentes, caso da China, por exemplo, que parece já ter debelado a pandemia a nível económico.

Mas uma das grandes perguntas é quando voltamos aos níveis que se verificavam antes da pandemia ter começado. A solução divide-se em várias respostas, e são poucos os países que regressam já este ano a uma atividade considerada normal. Entre eles estão as superpotências China (que recuperou ainda em 2020) e Estados Unidos.

No caso da zona euro, a previsão é que um regresso a níveis pré-pandémicos se verifique apenas em 2022, como explica o analista Pedro Santos Guerreiro: "Quando chegamos à zona euro percebemos que foram três anos perdidos".

Relativamente a Portugal, o relatório do FMI não é específico, mas os dados analisados para a zona euro apontam que a Alemanha deverá ser o único país a conseguir recuperar os índices de 2019 em 2022. Nem Espanha, nem França ou Itália recuperam no próximo ano, e Portugal segue o mesmo caminho, podendo estender-se esse período até 2024, segundo dados da Universidade Católica.

Se isto estiver certo, significa para Portugal que são cinco anos para voltarmos ao nível que estávamos em 2019", refere Pedro Santos Guerreiro.

 Como fatores decisivos para uma melhor recuperação, o FMI elenca os seguintes:

  • vacinação;
  • força das medidas;
  • velocidade das medidas;
  • flexibilidade de economia;
  • reação comportamental das populações.

O primeiro ponto parece mesmo ser o mais importante, até porque será um fator de segurança atingir a imunidade de grupo nos países.

A força e velocidade das medidas aplicadas, que em Portugal dependerão, em muito, do Fundo de Recuperação, é um dos fatores decisivos para o estímulo à economia.

Portugal é muito afetado pela quebra no turismo, nomeadamente no Algarve, região que depende largamente deste setor.