A subdirectora da Faculdade de Economia de Coimbra, Lina Coelho, defendeu esta terça-feira um «New Deal», um novo acordo «entre o capital e o trabalho» à escala global, para ultrapassar a nova crise do capitalismo.

Ao intervir num debate promovido pela Associação Académica de Coimbra (AAC), intitulado «A situação económica do País e o desemprego nos recém-licenciados», a docente recordou o pacto nos EUA para ultrapassar a crise de 1929, e que teve como árbitro do sistema o Estado.

«Isso foi o que nos permitiu viver estes 70 anos de prosperidade», acentuou, ao aludir à necessidade de «repor esse pacto», mas agora à escala global, porque os EUA «já não são a única locomotiva do sistema».

No entendimento de Lina Coelho, o que se está a assistir é a uma «incapacidade total dos Estados nacionais, e sobretudo dos Estados pequenos como o português» que considerou estarem «reféns do capitalismo financeiro».

O docente disse, citada pela Lusa, que «enquanto não se reeditar um New Deal à escala global, no interesse dos próprios capitalistas», não se consegue resolver «o absurdo» de ver «umas centenas de grandes capitalistas financeiros» a dominar os Estados.

No entanto, Lina Coelho considerou que «vai ser muito difícil» conseguir esse pacto global, e vaticina que a situação mundial «vai piorar muito até começar a melhorar».

Ao dirigir-se a uma plateia constituída essencialmente por estudantes, exortou-os a investir na aquisição de competências e a apoiarem os Estados e os governantes na luta contra esse «verdadeiro poder que existe hoje».