Os Dapunksportif estão de volta aos discos com o terceiro registo de originais. Em tempos nada fáceis para a cultura e para a música em Portugal, «Fast Changing World» foi gravado no estúdio da banda em Peniche e lançado em edição de autor.

«Gravar um disco é um investimento. Podíamos ter optado por uma edição digital, mas como temos algum amor, alguma nostalgia ligada aos CDs, lançámos o disco cá fora [em formato físico]. Marcamos concertos em pequenos clubes... portanto estamos a atirar-nos para a frente, é um risco minimamente calculado», contou Paulo Franco em entrevista ao IOL Música.

O vocalista e guitarrista dos Dapunksportif lamentou o futuro sombrio do país, mas afirmou que a solução passará sempre pelo trabalho árduo dos artistas, dos promotores e também dos media: «Não sabemos onde é que isto vai parar, onde é que o lugar da cultura e da música irá parar aqui em Portugal. Acho que temos de olhar um pouco mais para nós e promover aquilo que fazemos».

Sobre o pequeno interregno entre o lançamento de «Electro Tube Riot», em 2008, e o novo «Fast Changing World», o guitarrista João Guincho recordou que houve mesmo quem tivesse pensado que a banda tinha acabado.

«Já havia malta a interpelar-nos sobre quando é que saía o álbum e se tinha acontecido alguma coisa. Chegámos a ouvir: "Então, ouvi dizer que acabaram"», revelou o músico que, juntamente com Paulo Franco, tem participado nos últimos anos em projetos como Os Dias de Raiva, Rock 'n' Roll Station e Ramonada.

«Temos conquistado sempre as coisas a pulso»

Bem viva, e oito anos depois da sua formação, a banda atinge a maturidade ao terceiro disco. Ultrapassadas as comparações com bandas do movimento stoner rock, os Dapunksportif solidificam aquele que já podem chamar o seu som próprio.

«O mais importante quando se faz música é tu mostrares uma personalidade e as pessoas ouvirem aquilo e [dizerem] "aquilo é Dapunksportif". Para nós é gratificante», disse João Guincho.

«É isso que faz um gajo continuar. Não conseguíamos andar aqui se sentíssemos que não conseguíamos marcar a nossa posição. Neste terceiro disco foi sempre a somar uns pontos, não aparecemos e de repente estávamos lá em cima. Nós temos conquistado sempre as coisas a pulso», acrescentou Paulo Franco.

Música nascida de uma amizade com 30 anos

Com produção assinada mais uma vez em conjunto com Marco Jung, os Dapunksportif voltaram a contar com vários bateristas diferentes, entre eles Johnny Dynamite, dos Murdering Tripping Blues, e Samuel Palitos, ex-Censurados e actualmente n'A Naifa.

João e Paulo formam o núcleo duro do grupo, numa colaboração nascida de uma amizade que remonta à infância.

«Já lá vão trinta e tal anos... Praticamente éramos da mesma rua, jogávamos futebol no mesmo clube do bairro. A partir dos meus 19 anos, é que cruzei-me com o João para fazermos uma banda, o que deu origem aos Pigs In Mud na altura. A partir daí, até agora, temos estado sempre juntos a tocar», contou Paulo.

O desejo de tocar «lá fora»

«Fast Changing World» já começou a ser apresentado ao vivo em vários espectáculos em Portugal e o próximo acontece já este sábado no Beat Club, em Leiria. E, quem sabe, 2013 poderá trazer alguns concertos no estrangeiro.

«Temos a noção que ir lá para fora sem ter a coisa bem alicerçada aqui em Portugal pode ser o princípio do fim da banda. Nós gostávamos de tocar lá fora, como qualquer banda, de mostrar o nosso trabalho noutros locais. E é muito complicado ir (...), nós sabemos como o mercado funciona cá, mas lá fora a coisa já é diferente, (...) ninguém nos conhece», explicou Paulo Franco.

«Temos primeiro de divulgar a nossa música, que é o que estamos a fazer através das redes sociais e dos sites. Temos recebido bastante feedback positivo... É amealharmos os pontos para depois podermos trocar isso por uns concertos.»
João Silva / Nuno Filipe Silva (imagem)