Eduardo Cabrita anunciou esta sexta-feira a decisão de se demitir do cargo de ministro da Administração Interna que ocupava desde 2017.

 A demissão acontece no dia em que foi conhecido o despacho da acusação de homicídio do motorista do ministro. O acidente na A6 ocorreu no dia 18 de junho e envolveu o carro em que seguia o ministro da Administração Interna. 

Segundo uma nota do Ministério Público, o motorista estava a conduzir "em violação das regras de velocidade e circulação previstas no Código da Estrada" e "com inobservância das precauções exigidas pela prudência e cuidados impostos por aquelas regras de condução". Além do crime de homicídio por negligência, o motorista foi acusado de duas contraordenações.

O ministro explicou que, desde o acidente, só "a lealdade, o tempo e as circunstâncias que enfrentávamos há seis meses atrás e a solidariedade do senhor primeiro-ministro" o levaram a prosseguir no exercício das suas funções.

Cabrita diz que, neste momento, não poderá permitir que este caso "seja utilizado para penalizar a ação do governo" e para prejudicar o Partido Socialista nas eleições que se avizinham.


“Não posso permitir que este aproveitamento político absolutamente intolerável seja utilizado no atual quadro para penalizar a acão do Governo contra o senhor primeiro-ministro ou mesmo contra o PS. E por isso entendi solicitar hoje a exoneração das minhas funções de ministro da Administração Interna.”

“Mais do que ninguém lamento essa trágica perda irreparável e a minha solidariedade vai para família da vítima. Desde então, foi com grande sacrifício pessoal que verifiquei com estupefacção o aproveitamento político que foi feito de uma tragédia pessoal”, disse Eduardo Cabrita.

Desde o acidente, o ministro manteve-se em silêncio e foi bastante criticado por se recusar a comentar o caso. Agora explica: “Qualquer que fosse a resposta era lida como uma interferência, quanto ao ritmo do processo, quanto à sua substância”.

Na sua declaração, o ministro começou por recordar a ação do seu ministério em áreas como o combate os incêndios, à criminalidade ou à pandemia.

Maria João Caetano