A Iniciativa Liberal, que foi hoje ouvida pelo Presidente da República no âmbito da eventual renovação do estado de emergência, adiantou aos jornalistas que Marcelo Rebelo de Sousa não tem "a intenção" de "alterar seja o que for" no novo decreto.

João Cotrim Figueiredo, que vai votar novamente contra essa renovação, alertou que, assim, "parece que não há novidades" e criticou que ontem, na reunião no Infarmed, não foram revelados novos dados para a preparação do desconfinamento.

"Anda tudo aqui um bocadinho a tentar adormecer a situação, porque já tomaram a decisão política de só desconfinar no final de março".

O deputado da Iniciativa Liberal afirma que "isto é uma irresponsabilidade", porque ainda não há plano para o ensino presencial nem para uma testagem em massa. 

"O que é que vimos sobre isto na reunião do Infarmed? Nada. O que é que vamos ver no decreto presidencial? Nada. Parece que o país adormeceu e que não há urgência."

"MEDIDAS DO GOVERNO PODEM VARIAR UM POUCO"

Após também se ter reunido com o Presidente da República, o deputado do Chega, André Ventura, confirmou aos jornalistas que o decreto presidencial para o novo estado de emergência “manter-se-á nos mesmos termos do anterior”, mas “as medidas do Governo podem variar um pouco”.

André Ventura esperava que houvesse “medidas diferentes” para os próximos 15 dias, lembrando que “o Governo falhou” a apresentar um plano de reabertura das escolas. Só com "um sinal" de reabertura e desconfinamento é que admite não votar contra a renovação.

“Parece evidente que os especialistas não têm um consenso de quais os critérios para começar o desconfinamento. Mas parece-nos evidente que tem de começar esse processo.”

O deputado do Chega acrescentou que é “errado esperar pela Páscoa” para fazer um “desconfinamento à pressa”.

Questionado diretamente sobre se acredita que o Governo vai alterar medidas para os próximos dias, Ventura disse que não.

"Planeamento do desconfinamento já devia estar a ser feito"

Mariana Silva, dos Verdes, após ter falado com Marcelo, afirmou aos jornalistas que "o estado de emergência não é necessário para o que está a ser feito".

"O planeamento do desconfinamento já devia estar a ser feito e lamentamos não saber nada sobre ele."

PAN vai votar a favor

André Silva anunciou que o PAN vai votar a favor da renovação do estado de emergência porque é favorável "a que as restrições se mantenham".

O deputado acredita que o contexto epidemiológico se mantém "semelhante ao de há 15 dias". Mesmo com a descida dos números, o cenário "não é suficiente para sair deste panorama de confinamento".

CDS pede calendário de desconfinamento "com rigor e clareza"

Após ter reunido por vídeoconferência com o Presidente da República, o líder do CDS diz que um calendário para o desconfinamento é essencial, porque garante segurança às famílias e empresas

O sucesso do desconfinamento advém daquilo que o Governo é capaz de fazer. O que é inaceitável é que o Governo ande constantemente a correr atrás do prejuízo", afirma Francisco Rodrigues dos Santos, sublinhando que o Executivo é "incapaz de planear o desconfinamento com rigor e clareza"

Para o CDS, a abertura deve ser prioritária para os alunos até aos doze anos, de forma a aliviar a pressão na gestão familiar. Ainda assim, garante que é necessário que todos os alunos tenham um computador em casa para estudar, algo que não tem acontecido.

Rodrigues dos Santos refere ainda que é possível começar a preparar o desconfinamento em alguns setores, como cabeleireiros e barbeiros e pede mais verbas, celeridade e menos burocracia aos empreendedores.

Ensino: PCP considera que escolas não têm capacidade para recuperar período "perdido"

O Secretário-Geral do PCP considerou que muitas das escolas não estão habilitadas para recuperar um período que o partido descreve como perdido.

É necessário um reforço dos meios claros da educação e as escolas não estão habilitadas para procurar um período que consideramos estar perdido", disse Jerónimo de Sousa, após ter estado reunido com o Presidente da República.

Jerónimo afirma ainda que está provado que as escolas não são focos de infeção e concorda que o primeiro passo do desconfinamento deve passar pelos alunos até aos doze anos. 

O PCP refere ainda que o confinamento tem posto em evidência as consequências  sociais e da saúde das crianças e dos mais idosos, "que vivem situações sociais inquietantes".

Sobre o desconfinamento, o Secretário-Geral considera que é preciso criar condições e tomar medidas atempadas, estabelecendo um plano económico e social que combata o problema "grave" da pobreza.

O PCP afirma ainda que existe a necessidade de alargar massivamente a realização dos testes e pede medidas mais concretas sobre o rastreio epidemiológico. Aliado a isto, Jerónimo destaca que, apesar das palavras de sossego e carência do Governo, a irregularidade no fornecimento das vacinas não tem tido resposta.

Questionado se o PCP entende que o Governo terá de apresentar um Orçamento Retificativo para enquadrar mais apoios a famílias e empresas, o líder comunista disse haver “um primeiro problema a resolver”.

O Orçamento de 2021 contém muitas medidas que continuam a não ver a luz do dia e a não serem concretizadas, muitas delas propostas pelo PCP, mas não só (…) Esta é a primeira batalha que temos de travar”, referiu.