Um verdadeiro passeio. O Farense goleou o Aves, carimbando, sem dificuldades, a passagem à 4ª eliminatória da Taça de Portugal (5-2).

O Estádio de São Luís, em Faro, foi palco de uma tarde de glória para a equipa algarvia, a fazer lembrar outros tempos. É que o Farense, que milita na II Liga, conseguiu eliminar um emblema da I Liga, num feito digno de registo. A verdade é que o Aves nunca demonstrou grandes argumentos para combater a superioridade do Farense.

O FILME DO JOGO

Sérgio Vieira fez cinco alterações para este jogo: lançou Daniel Fernandes na baliza, Bandarra e Rafael Vieira no eixo defensivo, Bura no meio-campo e Irobiso no setor mais atacante. Do lado do Aves, Augusto Inácio, que está em maus lençóis, “sentou” Afonso Figueiredo e Mohammadi.

Desde o início, foi o Farense quem assumiu as rédeas do encontro. Sualehe deu o primeiro sinal de perigo (8’), com um remate forte, à entrada da área, que passou perto da barra.

A equipa algarvia mostrava que tinha a lição bem estudada. Na manobra ofensiva aparecia sempre com muitos jogadores, fruto, também, do forte envolvimento dos laterais: Sualehe e Bandarra. Foi, precisamente, dos pés de Bandarra que saiu o cruzamento para o primeiro golo do encontro. Fabrício (que ponta de lança!) apareceu ao segundo poste e, já em queda, encostou para o golo (14’).

O Farense não tirou o pé do acelerador e continuou a dominar a seu belo prazer. Logo aos 16’, Bandarra atirou à barra, na cobrança de um livre a uns bons 25 metros da baliza.

Inácio percebeu que tinha de mudar. O treinador do Aves, campeão nacional ao serviço do Sporting, tirou Jaílson para entrar Mohammadi na busca de alterar o estado de coisas. Mas, o único jogador que ainda ia conseguindo ter algum discernimento era Enzo Zidane – sim, esse mesmo, filho de Zinedine Zidane -. O Aves era uma equipa perdida em campo e foi, sem surpresas, que o Farense chegou ao segundo.

E quem mais se não Fabrício para voltar a marcar? O ponta de lança, ex-Famalicão, apareceu ao segundo poste, sem oposição, após canto, onde cabeceou para o 2-0 (38’). Um verdadeiro pesadelo esta primeira parte do Aves, equipa que ganhou a Taça de Portugal em 2017, frente ao Sporting. Já em período de descontos, o Farense fez o terceiro e, mais uma vez, de canto. Desta feita foi Ryan Gauld a cruzar, com Cássio a cabecear, no coração da área, sem hipóteses para Beunardeau.

À saída para os balneários, a contestação subiu de tom no lado dos cerca de 50 adeptos do Aves presentes no São Luís. A polícia teve de ir ao local para evitar males maiores.

Uma leve esperança que rapidamente acabou

Os primeiros minutos da etapa complementar mostraram um Desportivo das Aves totalmente diferente. Os comandados de Augusto Inácio apareceram com vontade de fazer mais e melhor. Logo aos 47’, o Aves reduziu para 3-1. E que grande golo apontou Welinton, um dos melhores jogadores desta equipa. O extremo fintou um defesa, fletiu para dentro e, à entrada da área, rematou colocado sem hipóteses para Daniel Fernandes.

Foi sol de pouca dura para o Aves. Numa tarde em que tudo correu mal, até um auto-golo houve. Aos 54’, Fábio Nunes trabalhou bem pela esquerda e, dentro da área, mas perto da linha final, cruzou. A bola bateu em Dzwigala e só parou no fundo das redes. Estava feito o 4-1.

Mas a contagem (ainda) não terminaria aqui. O Farense voltou a tomar conta das incidências do encontro, mostrando que tem uma frente de ataque poderosíssima.

Quanto ao Aves, era uma equipa sem rei nem roque. Uma desatenção na defesa, ainda no meio campo, permitiu ao Farense recuperar a bola. Sem oposição, Fábio Nunes correu, fez o cruzamento e Fabrício apareceu à boca da baliza para apontar o quinto dos algarvios (64’).

Mesmo sem fazer por isso, o Aves conseguiu reduzir, aos 88’. Wellinton bisou no encontro, mas, face ao descalabro geral, nem festejou. Quem tem motivos para estar em festa é o Farense que mereceu, por completo, esta vitória. Quanto ao Aves, afundou-se, ainda mais, somando a sétima derrota consecutiva.

FICHA DE JOGO:

Estádio de São Luís, em Faro
Árbitro: André Narcisso (AF Setúbal)
Assistentes: Venâncio Tomé / Paulo Brás
4º árbitro: Dinis Gurjão

Ao intervalo: 3-0

Farense (4x4x2): Daniel Fernandes, Bandarra, Cássio, Rafael Vieira, Sualehe, Bura, Fabrício (Mayambela, 69’), Fábio Nunes, Ryan Gauld (Tavinho, 76’), Irobiso (Filipe Melo, 58’) e Fabrício Simões

SUPLENTES NÃO UTILIZADOS: Miguel Carvalho, Pedro Kadri, Patrick Fernandes, Alvarinho

TREINADOR: Sérgio Vieira

D. Aves (5x4x1): Beunardeau, Bruninho, Dzwigala, Mato Milos, Jaílson (Mohammadi 33’), C. Falcão, Luiz Fernando (Yamga, 62’)., Enzo, Ruben Oliveira (Estrela, 69’), Bruno Xavier, Welinton

SUPLENTES NÃO UTILIZADOS: Fábio, Peu, Afonso Figueiredo, Bruno Jesus

TREINADOR: Augusto Inácio

Golos: 1-0, por Fabrício (14); 2-0, por Fabrício (37’); 3-0, por Cássio (45+1’), 3-1 por Wellinton (47’), 4-1 por Dzwigala, auto-golo (54’), 5-1 por Fabrício (64’), 5-2 por Wellinton (88’)

Disciplina: cartão amarelo a Filipe Melo (60’), Ryan Gauld (71’) e Bruno Xavier (90+2’)

Pedro Lemos