O Benfica perdeu esta terça-feira por 5-2 frente ao Bayern de Munique, na Alemanha. Depois dos 0-4 em Lisboa, Jorge Jesus fez várias mexidas na equipa, retirando do onze jogadores como Otamendi, Weigl ou Rafa. Para o lugar destes entraram Morato, Meité e Pizzi, mas o desfecho acabou por ser semelhante ao de há duas semanas.

Os alemães colocaram muita intensidade desde o primeiro minuto, mostrando que vinham sem dó nem piedade para garantirem a vaga nos oitavos-de-final da Champions League (o que acabaram por fazer, tal como a Juventus).

O Benfica ainda fez o primeiro golo, mas o lance foi anulado por fora-de-jogo de Lucas Veríssimo, numa decisão da qual Jorge Jesus ainda tinha algumas dúvidas na conferência de imprensa (dúvidas a que o antigo árbitro Pedro Henriques deu razão).

O Bayern de Munique não mudou de ritmo, e aos 26 minutos Robert Lewandowski acabou por quebrar a resistência de Odysseas Vlachodimos, que até aí tinha feito de tudo para evitar o primeiro.

Golo fácil para o polaco, que, como tantas vezes, esteve no sítio certo à hora certa. Mas o grande destaque vai para a jogada. Kingsley Coman bailou sobre Grimaldo, que mostrou claras dificuldades em lidar com a rapidez de execução do francês. Seguiu-se um cruzamento teleguiado para a área, que acabou dentro da baliza.

Estava feito o mais difícil para os bávaros, que seis minutos depois voltavam a faturar, e de novo com nota artística. Grande passe a isolar Lewandowski, que não foi egoísta e entregou para Serge Gnabry fazer o segundo de calcanhar.

Temia-se que o Benfica desmoronasse psicologicamente, um pouco à imagem do que aconteceu no Estádio da Luz (quatro golos em quinze minutos), mas uma rápida resposta acabou por colocar um travão na cavalgada alemã.

Na sequência de um excelente cruzamento de Grimaldo, Morato apareceu no sítio certo para cabecear sem hipóteses para Manuel Neuer. Estava feito o 2-1, o resultado que iria para o intervalo, mas não sem mais um susto para o Benfica.

Em mais uma jogada estonteante do Bayern de Munique, Goretzka (regressado à equipa) rematou contra o braço de Lucas Veríssimo. O árbitro mandou jogar, mas reverteu a decisão depois de alertado pelo videoárbitro. Seguiu-se um frente-a-frente entre Lewandowski e Vlachodimos, com o guarda-redes a levar a melhor, depois de um remate frouxo do polaco.

Apesar da insistência alemã, o Benfica saía vivo para o intervalo.

No recomeço da segunda parte, rapidamente se percebeu que os alemães vinham com a mesma vontade, o que culminou no 3-1 aos 49 minutos. Grande abertura de Kimmich para Alphonso Davies, que amorteceu para Leroy Sané fazer mais um grande golo.

O Bayern continuou a carregar e chegou com naturalidade ao quarto golo. Lewandowski a redimir-se do penálti falhado, atirando para o bis na partida, deixando para trás um Meité, que claramente (ainda) não tem o andamento necessário.

Era o tempo de Jorge Jesus mexer na equipa, tirando os três do ataque (Everton, Yaremchuk e Pizzi), colocando em campo Diogo Gonçalves, Darwin e Rafa.

Dez minutos depois, aos 74, Darwin Nuñez justificou a aposta, colocando a bola na baliza de Neuer, numa jogada em que o grande destaque vai para a calma e classe de João Mário.

Resultado diferente, mas poucas mudanças. O Bayern continuou a carregar, e é num lance de desnorte do Benfica que Neuer assiste Lewandowski para o quinto golo na partida, o terceiro para o polaco, que assim chegou aos oito golos na Champions League, tornando-se no melhor marcador da competição.

Mau resultado do Benfica na Alemanha, numa noite que ainda ficou pior com a vitória do Barcelona em Kiev, frente ao Dinamo. Os encarnados ficam agora com os mesmos quatro pontos, a dois dos seis dos catalães, que recebem a equipa portuguesa na próxima jornada.

António Guimarães