O diretor-executivo (CEO) do Benfica concedeu esta quarta-feira uma entrevista à TVI24 e ao Jornal Eco. Domingos Soares de Oliveira admitiu que o clube da Luz não vai voltar a ter um orçamento para transferências de 100 milhões de euros, afirmando que os encarnados vão ter de vender jogadores, como têm de o fazer todos os anos.

Em concreto sobre contratações, o homem forte das finanças reconhece que há duas posições que Jorge Jesus tem mais urgência em reforçar, ainda que não tenha avançado quais.

Dizendo que não há jogadores inegociáveis, afirma não ter chegado qualquer proposta por Haris Seferovic, jogador que está a encantar ao serviço da seleção da Suíça no Euro 2020.

O treinador não coloca a questão de o jogador ser inegociável. O treinador diz 'o meu onze base é este'. Não temos uma proposta em cima da mesa e não anda nenhum caixeiro-viajante a tentar vendê-lo [n.d.r. referindo-se a Seferovic]", explicou.

Numa época em que o Benfica volta a ter de disputar eliminatórias para entrar na fase de grupos da Liga dos Campeões, Domingos Soares de Oliveira reconhece a necessidade de ajustes caso o clube não entre na liga milionária.

Pode ser necessário reduzir a massa salarial, que pode ser de duas formas: reduzir os salários ou reduzir os jogadores com contrato", vincou.

Sobre as contas do clube, e não avançando com valores oficiais, no dia em que fechou a época desportiva, Domingos Soares de Oliveira aponta a não entrada na Liga dos Campeões e a quebra na receita de bilheteira como principais causas do mau desempenho financeiro do clube.

O Benfica faz todos os anos qualquer coisa como 30 milhões de euros em receitas de bilhética. Outros clubes apresentaram prejuízo", referiu, apontando o exemplo da Juventus.

Apesar disso, foi um bom ano para o Benfica em termos do pagamento de quotas e também na aquisição de patrocínios, sendo que o CEO do clube avançou que "foi o terceiro melhor ano em termos de novos sócios".

Sobre o regresso aos estádios, Domingos Soares de Oliveira revelou que o clube da Luz espera uma ocupação média de 50% na época de 2021/22, sendo que é isso que está orçamentado, e que se baseou na decisão do Governo de permitir um terço da lotação a partir da próxima época, esperando o Benfica que essa percentagem possa aumentar ao longo do ano.

Empréstimo obrigacionista de 35 milhões

Domingos Soares de Oliveira anunciou que o clube da Luz vai avançar com um empréstimo obrigacionista no início da primeira-semana.

O valor inicial da oferta é de 35 milhões de euros e vai ser efetuado com uma taxa de 4%, naquela que é a 11.ª operação do género por parte dos encarnados.

O empréstimo obrigacionista a três anos, como é normal, com prazo de maturidade em junho de 2024 coincide com o reembolso de outro empréstimo obrigacionista, este no valor de 45 milhões de euros, cujo prazo de maturidade vence precisamente no próximo mês de julho de 2021, tendo sido feito em 2018.

[Este empréstimo obrigacionista] já foi parcialmente reembolsado. Foi um empréstimo de 45 milhões, já foram reembolsados cerca de 25,2 milhões, falta reembolsar 19,8 milhões, o que vamos fazer com fundos próprios", revelou o homem forte das finanças benfiquistas.

Questionado sobre qual o objetivo do empréstimo, o CEO do Benfica indicou que esta operação está englobada numa estratégia do clube, admitindo um endividamento do clube.

O investimento no plantel

A época de 2020/21 começou com muitas promessas de resultados e boas exibições. Jorge Jesus regressava ao Benfica e o clube desembolsou cerca de 100 milhões de euros em reforços, para no fim acabar sem títulos e no terceiro lugar do campeonato.

Domingos Soares de Oliveira reconhece que esse número é "bombástico", mas relembra as vendas efetuadas pelo clube, e recorda que o investimento feito é a pensar noutros anos, e não apenas num.

Dessa forma, e referindo-se em concreto ao caso de Darwin Nuñez, que custou mais de 20 milhões de euros, o CEO diz que é um caso de um jogador, como houve outros, em que algumas coisas não correram bem, sendo um atleta em que o Benfica acredita para o futuro.

Segundo o diretor-executivo do Benfica, o grande objetivo do clube é ter rendimento desportivo, e esse será sempre o principal foco da equipa.

António Guimarães