O presidente do Sporting, Frederico Varandas, afirmou esta quinta-feira que o clube “não pode desperdiçar a oportunidade de mudar o paradigma” e de “estar no topo do futebol português” dentro de dois a três anos, após sagrar-se campeão nacional.

Ao longo da minha vida, vi acentuar-se a bipolarização do futebol português. Este é o momento histórico em que o Sporting não pode desperdiçar a oportunidade de mudar o paradigma. Jamais prometeria que vamos ser campeões para o ano, mas posso prometer que, se o Sporting tiver cabeça fria, juízo, união e competência, tem tudo para, dentro de dois a três anos, estar no topo do futebol português”, expressou.

A discursar na Praça do Município, para cerca de uma centena de adeptos convidados, Frederico Varandas afirmou que os ‘leões’ terão de “continuar a subir os degraus de décadas de insucesso”, mas, a continuar este caminho, “o Sporting será cada vez mais competitivo, mais forte financeiramente e com cada vez mais títulos”.

Foi um percurso difícil, onde sempre disse que não podíamos vencer os nossos rivais, com o atraso que tínhamos, à custa do poder, do dinheiro e da força, mas sim pela inteligência. Teve de ser pela inteligência, mas também com muita resiliência, convicção e, sobretudo, nunca ceder ao populismo e ao ruído que vem do exterior”, sublinhou.

O dirigente ‘leonino’ agradeceu a dureza dentro de campo e a dificuldade que os dois rivais (FC Porto e Benfica) puseram na conquista do conjunto ‘verde e branco’, que foi “obrigado a superar-se a cada jornada e a bater recordes atrás de recordes”.

Cada clube tem a sua estratégia de comunicação e é legítimo. Para uns, não venceram porque foi o único clube do mundo a sofrer com a covid-19. Outro, porque tiveram apenas 16 penáltis. Mas todos eles sabem que o Sporting venceu por ter sido o mais competente”, atirou.

"É possível vencer sem abdicar da honra, decência, integridade, transparência e nobreza do desportivismo”

Aludindo às suspeitas de que já foram alvo os presidentes dos dois clubes adversários, Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira, Frederico Varandas foi taxativo ao colocar o título do Sporting “para além de uma vitória no campo desportivo”.

Quando hoje acordamos e vemos mais notícias de suspeição e de corrupção, esta vitória é uma luz ao fundo do túnel. É, acima de tudo, um alento e uma esperança para muita gente. Hoje é daqueles dias em que pais ou avós podem chegar a casa e dizer aos filhos ou netos que os do bem também têm força, coragem, resiliência e que, sobretudo, também ganham. É possível vencer sem abdicar da honra, decência, integridade, transparência e nobreza do desportivismo”, disse.

Os festejos em Lisboa, na noite da consagração, foram alvo de muitas críticas, face aos confrontos existentes entre adeptos e polícia, tanto no Estádio José Alvalade, como na Praça do Marquês de Pombal, num espetáculo que Frederico Varandas ouviu alguém dizer ter sido “degradante”, embora não concorde.

É verdade que houve excessos impossíveis de conter, tal a dimensão do clube e do sentimento pelo título que escapou durante 19 anos. Degradante é estar envolto em escutas, ouvir a minha voz em escutas de corrupção há anos e anos. Isso é que é para nós degradante”, frisou.

Frederico Varandas considerou que “a melhor maneira de definir a união deste grupo é ver meninos que tiveram de crescer à força e tornar-se homens e, depois, ver homens que jogam com a alegria de miúdos”, num equilíbrio e mistura que apelidou de “fantástico e imparável”.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, ressalvou a “inteira justiça” da vitória ‘leonina’ e lembrou que a autarquia lisboeta “nunca deixou de celebrar e receber os seus campeões”, num ano em que o Sporting juntou os títulos europeus de futsal e hóquei em patins ao campeonato nacional de futebol.

Sei bem o orgulho que os sportinguistas têm no ecletismo do seu clube e este é um momento de particular felicidade. Isto decorre no ano exato em que Lisboa é capital europeia do desporto e o Sporting está a dar um notável contributo para o nosso sucesso”, vincou.

O autarca do Partido Socialista parabenizou todos os jogadores, “muitos saídos da formação do Sporting, que prometem um grande futuro ao futebol nacional e que confirmam que a aposta na formação é o esforço de um ADN estrutural do clube”, bem como o treinador Rúben Amorim, ‘alfacinha’ de gema e que trouxe “uma lufada de ar fresco ao futebol português”.

Este é, indiscutivelmente, um ano gravado a ouro na já longa vida do Sporting. Esse é um crédito que ninguém pode negar. As vitórias não são fruto do acaso, nem caem do céu. São fruto do trabalho, competência e método”, concluiu Fernando Medina.

Antes dos discursos protocolares, a comitiva deslocou-se à varanda dos Paços do Concelho para exibir o troféu e aplaudir os presentes, numa cerimónia que durou cerca de 45 minutos.

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