O canoísta Fernando Pimenta conquistou hoje a medalha de bronze em K1 1.000 metros nos Jogos Olímpicos Tóquio2020, a terceira medalha obtida por atletas portugueses, depois do bronze do judoca Jorge Fonseca e da prata da atleta Patrícia Mamona.

Este é um dos sonhos. Faltou o outro, de ser campeão olímpico. Dei o meu melhor neste ciclo olímpico, muito longo, com muita regularidade. De 2017 a mostrar que o Pimenta de 2016 era candidato à medalha, não consegui por coisas que não podia controlar. Só tenho de estar feliz”, declarou o atleta. "Ainda custa a acreditar e pôr os pés na terra."

 

Acredito que é possível e continuo a querer ser campeão olímpico. Ter as três cores de medalhas. E vou estar cá para lutar por esse sonho e objetivo, conquistar mais êxitos para Portugal”, disse o atleta, na conferência de imprensa após a final dos Jogos Olímpicos.

Fernando Pimenta, de 31 anos, terminou a prova de K1 1.000 metros em 3.22,478 minutos, apenas atrás dos húngaros Balint Kopasz, 24 anos, novo recordista olímpico, com 3.20,643, e Adam Varga (3.22,431), de 21 anos.

“Sabia que aqui ia prevalecer muita juventude nestes Jogos Olímpicos, mas a idade é um posto, não é peso. Espero nos próximos Jogos continuar a lutar por pódios”, vincou.

O canoísta limiano recordou que este foi um ciclo olímpico “longo e muito difícil” e contou que esta medalha “vai servir para os ‘dias não’, para acreditar sempre que ‘é possível’, depois de tanta superação”.

“É continuar a trabalhar e a acreditar. Enquanto tiver este espírito, me sentir feliz a fazer o que faço… Enquanto tiver força física e mental, vou dar o meu melhor todos os dias para conquistar mais troféus para o nosso país”, confessou.

Nelson Évora despede-se dos Jogos Olímpicos

Nelson Évora admitiu sair triste dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020 por se ter lesionado no primeiro salto do concurso do triplo, que venceu em Pequim 2008. 

É o adeus aos Jogos Olímpicos. À carreira, não está em cima da mesa ainda. Aos Jogos é, sem dúvida. Tenho 37 anos e acho que tenho de fazer já um percurso de saída”, sublinhou Nelson Évora, após a prova.

“Foi um bocado sentido, não esperava que fosse saltar a virilha no primeiro ensaio, nem tive tempo de saltar. Estas coisas acontecem. Saio triste, mas de cabeça erguida”, frisou Nelson Évora, em declarações aos jornalistas, ainda no Estádio Olímpico.

Aos 37 anos, e três meses depois de ter sido operado ao joelho esquerdo, Nelson Évora não foi além de 15,39 e dois saltos nulos, falhando a qualificação para a final, reservada para quem saltou pelo menos 17,05 metros ou para os 12 melhores.

“Eu tentei saltar pelos portugueses, muita gente esteve a acompanhar e me acompanha. Aguentei as dores. Tentei, na vida temos de lutar até ao fim. Tentei até ao fim, infelizmente o corpo não permitiu. Estou cheio de dores”, explicou.

Pichardo garante lugar na final

Pedro Pablo Pichardo foi hoje o único português a qualificar-se para a final do triplo salto dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020. Pichardo, de 28 anos, assegurou a presença na final, marcada para quinta-feira, às 11:00 locais (3:00 em Lisboa), com 17,71 metros, à segunda tentativa, enquanto Évora, de 37 anos, e Pereira, de 27, ficaram pela primeira fase, com 15,39 e 16,71, respetivamente, como melhores saltos.

Parece fácil, mas são muitos anos de trabalho, um ciclo olímpico a preparar este dia da qualificação e a final, por isso é que toda a gente acha que é fácil. É muito trabalho no meu corpo e na minha cabeça”, começou por dizer o luso-cubano.

Na estreia em Jogos Olímpicos, Pichardo começou o concurso com 16,98 metros e arrebatou a liderança da qualificação com o segundo salto, a 17,71. “Foi um salto tranquilo, sim, mas no primeiro relaxei demasiado e a fase do voo, do apoio para o salto, não saiu bem e a corrida também foi mais lenta. Foi confiança demais. E, depois, só quis fazer bem o segundo”, explicou.

Antevendo a final, na qual vai ser o único luso, Pichardo recusou um estatuto de especial: “Não posso dizer que sou imbatível, nunca se pode falar assim. Todos estamos em boa forma física, preparados para uma medalha, vai ser só o dia em que se vê quem salta mais”.

/ MJC