O jogador Felipe Cardoso, de 15 anos, que dormia no centro de treinos do Flamengo, Rio de Janeiro, utilizou esta sexta-feira as redes sociais para relatar que o incêndio que provocou dez mortos, naquele local, teve origem no seu quarto.

Incêndio ocorreu no meu quarto, só tenho que agradecer a Deus por conseguir acordar e escapar da morte, Deus conforte meus irmãos", escreveu o jovem jogador, na rede Twitter, embora sem adiantar mais pormenores.

"Estamos todos consternados"

O Presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, fez um breve pronunciamento aos jornalistas que estavam no local do incidente, na zona oeste da cidade brasileira do Rio de Janeiro, ao início da tarde de hoje, sublinhando a consternação do clube.

Estamos todos consternados, esta é certamente a maior tragédia pela qual este clube passou nos últimos 123 anos, com a perda destas 10 pessoas. O mais importante agora é a gente se dedicar a tentar minimizar o sofrimento e a dor destas famílias, que certamente estão sofrendo muito", disse.

Podem estar certos que o Flamengo está cuidando disto e não vai poupar esforços para minimizar [a dor dos familiares] ao máximo. O Flamengo coopera com as autoridades para que a causa deste incêndio seja apurada. Ninguém mais do que nós tem interesse de que isto ocorra", acrescentou.

No final da breve declaração, que foi a primeira posição oficial do Flamengo sobre o incidente, Landim afirmou que "todos nós, do clube, estamos de luto": "É uma tristeza enorme que estamos sentindo".

Dez mortos e três feridos

Um incêndio de grandes proporções deflagrou na madrugada desta sexta-feira no centro de treino do Flamengo, clube do campeonato brasileiro de futebol, na zona oeste do Rio de Janeiro, provocando dez mortos e três feridos.

As instalações atingidas pelo fogo, que começou por volta das 5:17 da manhã (07:17 em Lisboa), segundo o corpo de bombeiros, eram conhecidas por alojamentos do Ninho do Urubu, onde dormiam atletas com idades entre 14 e 17 anos.

Por volta das 07:20 (9:20 em Lisboa), imagens de um helicóptero que foram exibidas pela rede de televisão Globo mostravam que as chamas já tinham sido controladas, mas deixaram uma grande área destruída.

Embora os nomes das vítimas mortais não tenham sido divulgados, o canal desportivo Sportv informou que quatro eram jogadores das categorias juniores do Flamengo, outros quatro eram funcionários do clube e dois eram atletas que estavam no local para realizarem testes.

Os três feridos foram identificados como atletas de categorias juniores do Flamengo que dormiam no local. São eles, Cauan Emanuel Gomes Nunes, de 14 anos, Francisco Diogo Bento Alves, de 15 anos e Jonathan Cruz Ventura, de 15 anos.

O centro de treinos do Ninho do Urubu era considerado um dos mais modernos da América Latina e possui um módulo para a equipa profissional do Flamengo, dois campos e um espaço específico para a preparação de guarda-redes, além da área de acomodação para atletas juvenis que foi atingida no incêndio.

Em 2018 o Flamengo, uma das mais populares equipas do Brasil, inaugurou uma nova estrutura para a equipa principal e deixou as antigas instalações para os jogadores das categorias juniores do clube.

Centro sem certificado contra incêndios

O centro de treinos do clube brasileiro de futebol Flamengo, onde um incêndio deflagrou na madrugada provocando 10 mortos e três feridos, não possuía certificado contra incêndios, informaram os bombeiros do Rio de Janeiro.

Segundo a corporação de Bombeiros Militares do Rio de Janeiro (CBMERJ), citada pelo jornal Estadão, o local não possuía o Certificado de Aprovação (CA), documento que atesta que a instalação está de acordo com a legislação vigente no que diz respeito a dispositivos contra incêndio.

No entanto, o corpo de bombeiros frisou que a inexistência desse documento não implica que o local não fosse seguro: "É importante esclarecer que a não existência do CA não significa, por si só, que o local não possuía os dispositivos, e sim que não era aprovado pelo CBMERJ", ressaltou a corporação, de acordo com o Estadão.

/ Atualizada às 18:13