O presidente do Benfica e candidato às próximas eleições, Rui Costa, defendeu esta segunda-feira a limitação de mandatos no clube e assegurou que, caso seja eleito, não permitirá que o emblema da Luz enfrente mais processos na justiça.

A poucos dias do escrutínio, agendado para sábado, Rui Costa assegurou, em entrevista à BTV, que “será feita” uma revisão dos estatutos do clube, que vá “ao encontro dos interesses” dos sócios benfiquistas.

“Estou de acordo com a limitação de mandatos. Que seja feita uma revisão dos estatutos, para ir de encontro aos interesses dos nossos sócios. Será feita. Não considero que seja premente, mas, a breve trecho, quero pegar nessa questão e criar uma comissão para rever os estatutos. Acho que três mandatos de quatro anos seria o ideal”, afirmou Rui Costa, de 49 anos.

 

O antigo vice-presidente assumiu a presidência do Benfica em julho, na sequência da demissão de Luís Filipe Vieira, que foi constituído arguido no âmbito da investigação ‘cartão vermelho’, por suspeita de vários crimes económico-financeiros.

Rui Costa recusou ser “cúmplice” de quem quer que seja e disse não poder assumir responsabilidades por algo em que não esteve envolvido: “Assumirei sempre as minhas responsabilidades no que diz respeito aos meus pelouros. Nas outras, não posso. Ninguém foi acusado de nada ainda e temos de esperar para ver como se desenrolam os processos. Não posso assumir responsabilidade sobre algo em que não estive perto.”

Ainda assim, o antigo futebolista salientou que, se vencer as eleições de sábado, nas quais enfrentará a concorrência de Francisco Benítez, não permitirá que o Benfica volte a ser notícia pelas piores razões.

“Se for eleito, não permitirei que o Benfica tenha mais processos dessa ordem. Não quero paragonas de processos e más notícias para o nosso clube. Não me cabe na cabeça pensar em mais processos daqui para a frente, mas isso toca-me a mim ou a outra pessoa que venha a estar no meu lugar”, sublinhou.

 

De resto, no decorrer da entrevista, revelou que “está a ser feita uma auditoria forense a todos os processos [associados ao Benfica] que estão em curso”, cujos resultados serão conhecidos “até ao final de outubro”.

Por outro lado, assumiu a vontade de manter Domingos Soares de Oliveira na administração da SAD, embora ressalvando que a decisão terá de ser conjunta.

“Tem-se falado muito de Domingos Soares de Oliveira e da nossa relação. Há coisas que têm de ser alteradas, que precisam de melhorar, mas há muitas coias que foram bem feitas no clube. É uma pessoa que contribuiu, e muito, para que o clube tivesse resultados positivos nos últimos anos, à exceção do último. As coisas não dependem só de mim, mas, se depender, continuará”, referiu.

 

Embora assegurando que “a SAD será sempre do clube e o clube será sempre dos sócios”, Rui Costa manifestou disponibilidades para “conversar com todos os investidores que apareçam para investir no clube”, inclusive o norte-americano John Textor.

“Acho que é uma obrigação nossa. Há várias formas de trazer investidores, sem perdermos o controlo da SAD”, observou, antes de se mostrar contra a compra das ações em posse de Luís Filipe Vieira: “Se me perguntar se comprava agora, não comprava. Comprar agora não traz vantagens ao clube.”

 

As eleições para os órgãos sociais do Benfica para o quadriénio 2021-2025 realizam-se no sábado, com Rui Costa e Francisco Benítez a disputarem a sucessão a Luís Filipe Vieira, que ocupou o cargo de presidente durante quase 18 anos, desde 2003.

Agência Lusa / BMA