Luís Filipe Menezes considera que era expectável a contestação que Frederico Varandas iria enfrentar na assembleia geral, por causa das últimas semanas, apesar do acordo de reestruturação anunciado na véspera. Para o comentador, o grande desafio da direção de Frederico Varandas, à entrada para o segundo ano de mandato, é encontrar um tom para unir o Sporting, o que só conseguirá com bons resultados desportivos.

Menezes considera ainda que é inadmissível que Sousa Cintra não tenha tido direito à palavra na assembleia geral e convergiu com a opinião de Rogério Alves de que é necessário repensar a organização dos clubes para democratizar as decisões, visto que estiveram na assembleia cerca de 1.300 associados de um universo de 90 mil sócios pagantes. Para Menezes, é urgente impedir que os clubes se tornem em palcos de disputas pouco elevadas, como tem acontecido nos últimos tempos em vários clubes portugueses.

Pedro Guerra defende que é preciso dar tempo ao tempo no Sportng, mas sublinha que há pouca gente no clube com vontade de o fazer. O comentador acredita que ficou finalmente a perceber-se que a situação financeira do clube era difícil, que conseguiu finalmente sair da situação de incumprimento, e que isso foi escondido dos sócios.

Pedro Guerra não acredita que Frederico Varandas consiga unir o Sporting e defende que os sportinguistas devem refletir se este é o caminho que querem seguir, porque o clube precisa de unidade e estabilidade e não de gritaria, demagia e populismo. 

Frederico Varandas deve dizer aos sócios o que se passa, apontar o dedo a quem cometeu os atos que cometeu, tomou decisões erradas e que revelaram falta de bom senso. Para o comentador, não há uma solução perfeita para o clube, que vai ter de atravessar esta má fase e, se a situação não melhorar, terá de tomar medidas drásticas. O clube não vei ter paz enquanto não houver preocupação com a unidade, acrescentando que o Sporting não pode viver permanentemente em clima pré-leitoral.

Pedro Guerra elogiou também Frederico Varandas por este ter cortado com as claques depois do ataque à academia de Alcochete, mas terá sido por isso que está a sofrer tanta contestação, por ter enfrentado o problema de frente, com coragem e sem paninhos quentes.

Manuel Serrão concordou com Pedro Guerra quando este disse que Frederico Varandas não tinha a experiência de Luís Filipe Vieira ou Pinto da Costa, caso contrário teria apertado o pescoço aos sócios em vez de mandar beijinhos para as bancadas. O comentador espera que Pinto da Costa, na próxima assembleia geral do FC Porto, não vá para lá apertar pescoços ou atirar beijinhos, antes discuta ideias.

Sobre a reestruturação do Sporting, Serrão confessou-se um sócio com inveja, porque gostava que o FC Porto também ter um perdão de dívida semelhante, acrescentando que os leões só o conseguiram porque os bancos decidiram abrir as pernas. Apesar disso, considerou a reestruturação um sucesso, mas que não é mérito de Frederico Varandas.

Quanto à proposta de Rogério Alves, disse que era só o que faltava ter de mudar os formatos das assembleias gerais por causa de quem não se dá ao trabalho de não ir às reuniões nem votar. 

Finalmente sobre Sousa Cintra, Manuel Serrão defende que o antigo presidente do Sporting não foi impedido de falar, não falou porque não quis esperar, até porque ninguém o mandou embora. Manuel Serrão deu o exemplo: quando é interrompido por Pedro Guerra no programa, fica à espera que acabe e depois continua a falar.