Paulo Gonçalves foi ouvido em interrogatório no Tribunal Central de Instrução Criminal a 16 de novembro, naquelas que foram as primeiras declarações do antigo assessor da SAD do Benfica no processo "e-Toupeira", uma vez que optou por permanecer em silêncio durante a fase de inquérito.

Na gravação do interrogatório, difundida pelo blog Mercado do Futebol, Paulo Gonçalves respondeu durante mais de duas horas e meia às perguntas da juíza de instrução Ana Peres e prestou os esclarecimentos pedidos pelo Ministério Público e restantes advogados presentes na sessão de interrogatório.

O ex-assessor jurídico encarnado explicou os convites e lugares no parque de estacionamento da tribuna presidencial oferecidos a Júlio Loureiro e José Augusto Silva, as alegadas toupeiras do Benfica, acrescentando que "não convid[a] para lanchar em [sua] casa, uns ficam na cozinha e outros na sala", motivo por que não diferenciava o tratamento dado às duas toupeiras.

Sobre a razão por que José Augusto Silva tinha os números dos processos contra Nuno Saraiva e Hugo Gil, Paulo Gonçalves justificou-se dizendo que queria mostrar ao amigo e funcionário judicial que o Benfica estava de facto a fazer alguma coisa contra o Sporting. No caso do blogger afeto aos encarnados, o ex-assessor não conseguiu encontrar justificação, até porque admitiu que não iria ajudar Hugo Gil no processo-crime de que era alvo.

Confrontado com o alegado contrato de trabalho oferecido ao sobrinho de José Augusto Silva para trabalhar no museu do Benfica, Paulo Gonçalves recusou que tenha sido uma contrapartida em troca de informações de processos.

Também o caso Hernâni Gonçalves foi alvo do escrutínio da juíza, que quis saber por que razão Paulo Gonçalves tinha documentos da Segurança Social sobre o ex-árbitro assistente. O ex-assessor revelou que alguém deixou aqueles documentos na porta 18 do Estádio da Luz, num envelope ao seu cuidado.

Paulo Gonçalves está acusado de 79 crimes no âmbito do processo e-Toupeira: um de corrupção ativa, um de oferta ou recebimento indevido de vantagem, seis de violação de segredo de justiça e 21 crimes de violação de segredo por funcionário, em co-autoria com os arguidos Júlio Loureiro e José Silva, ambos funcionários judiciais.

O antigo alto quadro do Benfica está ainda acusado de 11 crimes de acesso indevido em co-autoria, 11 crimes de violação do dever de sigilo em co-autoria e 28 crimes de falsidade informática. A SAD do Benfica está acusada de 30 crimes.