Kathryn Mayorga, norte-americana, professora de Educação Física, 34 anos. Resumidamente, é esta a descrição da mulher que acusa Cristiano Ronaldo de violação quando tinha 25 anos num quarto do Palms Hotel, em Las Vegas, crime que o jogador nega.

A antiga aspirante a modelo, apresentou queixa contra o jogador a semana passada num tribunal do condado de Clarck, Las Vegas, no estado norte-americano do Nevada, e desde então tem visto o seu nome espalhado mundialmente. 

Tudo aconteceu em 2009, quando Cristiano Ronaldo passava férias no hotel com o cunhado e um primo. Depois de uma festa na discoteca do hotel, o jogador convidou Kathryn e uma amiga a subir até à penthouse onde estava alojado. A modelo aceitou o convite para, junto com outras pessoas, apreciar a vista e a banheira de hidromassagem.

Aquele que deveria ter sido um momento de descontração acabou por, segundo conta a norte-americana, se transformar na pior noite da sua vida depois de Cristiano Ronaldo a ter interpelado enquanto trocava de roupa, a ter beijado e a ter forçado a sexo anal.

Os detalhes do incidente foram contados por Kathryn Mayorga em entrevista à Der Spiegel, a qual teve de interromper várias vezes para se acalmar e onde garantiu que a sua vida se transformou num pesadelo depois do que aconteceu.

A professora, que cresceu com os pais e um irmão, sofre de défice de atenção e tem dificuldades de aprendizagem. Licenciada em jornalismo na Universidade do Nevada, Kathryn casou-se em 2008 com um albanês de quem se divorciou um ano depois. 

A jovem voltou a viver com os pais num dos melhores bairros de Las Vegas, com piscina e vistas sobre a cidade. Foi lá que se refugiou depois do que aconteceu na penthouse do Palm Hotel e onde contou com o apoio da família para conseguir sair da cama e lidar com a imagem do jogador em todo o lado.

Depois de ter apresentado queixa por violação, a norte-americana viu os advogados de Cristiano Ronaldo tentarem descredibilizá-la. Apesar de não referir o nome do português na queixa - o nome do jogador só foi referido a um polícia que a demoveu de seguir com a denúncia - Kathryn acabou por chegar a um acordo com os advogados do português que lhe diziam que o seu emprego não era "um emprego de uma rapariga decente”.

Sem nunca se voltar a cruzar com Cristiano, a jovem acabou por escrever uma dura carta onde, ao longo de seis páginas, relembra o português da noite em que tudo aconteceu e pergunta-lhe "o que pensará Deus" do que aconteceu.

“Tu atacaste-me por detrás. Com um rosário branco ao pescoço! O que pensará Deus do que fizeste?!”, terá escrito.

Apesar de toda a revolta, a professora assinou um acordo após várias reuniões onde, em troca de silêncio, recebeu 375 mil euros. Agora, depois do escândalo #MeToo, Kathryn foi aconselhada a reabrir o processo e assim o fez. Mas garante que nunca lhe interessou o dinheiro, mas sim fazer justiça.