Recorrer ao microcrédito já é uma realidade para muitos portugueses. Segundo as contas da Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC), já foram financiados perto de 1.500 projectos, revela o presidente da entidade, Mohamed Ahmed, em entrevista à Agência Financeira.

O valor mínimo do empréstimo destinado a apoiar pessoas que não têm acesso ao crédito bancário é de mil euros e o máximo é 10 mil euros. Este montante vai, no entanto, sofrer uma alteração e passará para 12.500 euros.

«Muitas vezes pensam que estes valores são baixos, mas na realidade não são, uma vez que, a média do empréstimo ronda os 5 mil euros».

Microcrédito em «raio-x»

Quer arrancar com um negócio? O microcrédito pode ajudar

Para um empréstimo de 10 mil euros a vigência do contrato é de 3 anos, mas com a passagem para 12.500 euros passará para 4 anos.

Serviços são a grande aposta

Lisboa e Vale do Tejo são, segundo Mohamed Ahmed, as zonas com maior procura por parte dos microempresários.

Ao mesmo tempo, há uma grande aposta nos serviços. Restauração, cabeleireiro, limpeza de roupa e pequeno transporte são os negócios mais comuns, uma vez que, não necessitam de grande investimento e onde o retorno é rápido.

Mas há quem invista em áreas mais originais. É o caso de lojas de piercings e de venda de bolas de golfe que são apanhadas na rua. «Um indivíduo na zona de Cascais e Oeiras apanhava bolas de golfe, pintava-as e voltava a vendê-las. Era um projecto que o banco não queria financiar, acabou por conceder o empréstimo e hoje é um caso de sucesso», revela o responsável à AF.

Taxa de sucesso ultrapassa os 80%

Segundo as contas de Mohamed Ahmed, a taxa de sobrevivência das microempresas anda à volta dos 82%. Um número considerado elevado «tendo em conta que a taxa média de sobrevivência das empresas a nível europeu anda à volta dos 70% até 3 anos e dos 50% passado 5 anos».

Quando questionado sobre a importância do apoio do Estado aos microempresários, o presidente da ANDC diz que «mais importante do que as questões fiscais é agilizar o processo inicial do arranque do negócio».

Segundo o dirigente, «muitos microempresários vêm da economia paralela, não pagavam impostos, nem segurança social. Com estes projectos passam a ser legais em termos fiscais, mas no início todo este processo é muito difícil», refere.

Mohamed Ahmed defende ainda que, no caso dos candidatos ao microcrédito que estão desempregados e têm subsídios de desemprego, possam recuperar esse subsídio caso o negócio não corra bem.

«Não defendo que tenha o melhor dos dois mundos, mas sim que possa vir a recuperar esse valor no caso da actividade fracassar».
Sónia Peres Pinto