Pedro Ayres Magalhães, líder dos Madredeus, afirmou que o grupo faz «música portuguesa de um Portugal que ainda não existe», a propósito da edição do novo disco na próxima segunda-feira.

Os Madredeus «qual Fénix renascem» num novo formato ¿ guitarra clássica, sintetizadores, violinos, violoncelo e voz ¿ e editam o álbum «Essência», constituído por canções do grupo com novos arranjos, nomeadamente para cordas, conta Pedro Ayres Magalhães, para quem a expressão do agrupamento é «música de câmara contemporânea».

«Tocámos tal e qual as pautas originais dos Madredeus, claro está com os arranjos para cordas, mas correu tudo bastante bem», disse Pedro Ayres Magalhães que considerou o álbum «ótimo».

«Para os nossos padrões o disco é ótimo», sublinhou o músico que acrescentou «fazer o possível» para que o grupo renasça «qual Fénix».

A atual formação resulta do anterior formato dos Madredeus & A Banda Cósmica, que incluía bateria, harpa e duas vozes femininas.

Para Pedro Ayres Magalhães, que passou por alguns grupos históricos da música portuguesa como os Heróis do Mar e os Faíscas, os novos Madredeus surgem «essencialmente à volta da ideia de tocar ao vivo».

«Os Madredeus são para tocar ao vivo» e este novo formato «foi bem recebido pelos agentes internacionais» o que leva o grupo a ter já em agenda, em abril, o Barbican Centre, em Londres, e o Is Sanat, em Istambul, e datas marcadas nos palcos internacionais até ao final do ano. Antes, no dia 14 de abril, tocam nas Caldas da Rainha.

«Tentámos criar uma nova tradição de expressão na nossa língua, feita para tocar para outras culturas, outros povos, mas feita para enaltecer a ligação dos portugueses à sua própria história e à geografia», disse Pedro Ayres Magalhães que acrescentou que «o caminho deste grupo prova bem que este Portugal [que cantam] não existe».

«Fazemos música portuguesa que não a popular, de um Portugal que ainda não existe», enfatizou o compositor.

Ayres Magalhães salientou que «é indissociável a ligação plástica a Lisboa, uma cidade de chegadas e partidas, e o cantar uma poesia da saudade mas que ainda não tinha sido escrita que é a saudade como liberdade do espírito».

O álbum, editado pela Sony Music, é constituído por 13 canções, «metade das que se vai apresentar nos concertos», disse.

«O pomar das laranjeiras», «O navio», «Adeus... e nem voltei», «A estrada da montanha» e «Ao longe o mar» são algumas das canções escolhidas.

Os atuais Madredeus reúnem Pedro Ayres Magalhães (guitarra clássica), fundador da banda, Carlos Maria Trindade (sintetizadores), que a integrou a partir de 1994, e os recentes «companheiros de jornada» Beatriz Nunes (voz), os violinistas Jorge Varrecoso e António Figueiredo e o violoncelista Luís Clode.
Redação / PP