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Comida, brinquedos e tecnologia: o que pode faltar no Natal?

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A menos de dois meses do Natal, uma época de grande consumo, parece estar a desenhar-se uma escassez de algumas mercadorias, de produtos alimentares a tecnológicos.

Há, neste momento, uma crise global nas matérias-primas e no setor do transporte de mercadorias que está a afetar a cadeia de distribuição de vários produtos.

O setor alimentar é um dos mais afetados: há falta de mão-de-obra e está tudo a aumentar: a energia, as matérias-primas e alguns ingredientes estão 800 por cento mais caros.

O aluguer de um contentor refrigerado aumentou 900 por cento em apenas um ano: custava dois mil euros por frete e agora custa 18 mil. E tudo isto vai refletir-se no preço final.

O preço do bacalhau, por exemplo, tão tradicional na época natalícia, já está 15 por cento mais caro. E é expectável que aumente ainda mais nos próximos meses.

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Bacalhau

"Além de todas as dificuldades que têm surgido na energia e na logística, o início do ano também foi atípico, houve menos pesca do que o habitual e trouxe um cenário mais pessimista para a nossa indústria"

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Crise no setor alimentar: há produtos que já estão 800% mais caros

Há ingredientes que já estão 800% mais caros

A crise no setor alimentar deve manter-se no próximo ano

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Mas não só alimentos estão em risco de faltar nos festejos natalícios.

Esta crise afeta o mercado do retalho especializado e, por isso, o Pai Natal pode não ter todos os brinquedos disponíveis para deixar no sapatinho.

A maioria destes bens é importada de países asiáticos e a distribuição pode não acontecer a tempo.

A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição garante que os retalhistas já se estão a preparar para evitar atrasos na chegada de mercadorias a Portugal.

As cadeias de fornecimento estão a ser afetadas pela crise dos combustíveis e já produtos com três semanas de atraso.

E se por um lado assistimos a uma diminuição da oferta, por outro os preços podem escalar.

Os especialistas aconselham:  adiantar as compras poderá ser a solução no meio desta nova crise.

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Criança

"Vamos ter falta de alguns brinquedos, os que tiverem maior dependência de vir da Ásia, e sobretudo da China. Isto deve ser visto como uma oportunidade para a Europa relançar a indústria dos brinquedos"

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“Vamos ter falta de alguns brinquedos”: setor do retalho prevê crise no Natal

Alguns brinquedos podem faltar no Natal

Os produtos que normalmente vêm da Ásia serão os mais difíceis de chegar a tempo

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Antecipar as compras pode ser uma solução, mas não resolve tudo, porque alguns bens nem sequer estão a ser produzidos. É o caso de alguns automóveis.

Os carros precisam de "chips", pequenos processadores que são também usados em vários outros objetos do nosso dia a dia.

Pense, por exemplo, no seu telemóvel, computador, num eletrodoméstico ou máquina que tenha em casa: em todos eles há estes chips, que escasseiam em todo o mundo porque estão a ser produzidos em quantidades muito abaixo do necessário.

A procura por estes produtos aumentou muito e os produtores não conseguiram dar resposta a todos os pedidos, o que fez com que o preço destes bens subisse. Isso e o facto dos grandes produtores estarem situados fora da Europa, sobretudo na Ásia.

Segundo a Bloomberg, a escassez de chips afeta também a Apple e o iPhone 13, que promete ser um dos mais vendidos do Natal.

Diz a agência que a gigante tecnológica teve de reduzir 10 milhões de unidades, quando esperava produzir 90 milhões até ao final do ano.

Uma das indústrias mais prejudicadas é a indústria automóvel, com fábricas num verdadeiro pára-arranca nos últimos tempos e o problema já chegou a Portugal.

A Autoeuropa está neste momento parada, com 49 dias de produção cancelados só este ano e menos 39 mil carros produzidos. A atividade retoma na quarta-feira.

Outros fabricantes debatem-se com o mesmo problema. A Toyota vai reduzir em 100 mil unidades a sua produção internacional. Na Renault serão menos meio milhão de automóveis a circularem, por causa desta escassez sem solução à vista.

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Escassez de microchips deixa mundo em sobressalto. Autoeuropa já perdeu 49 dias de produção

Escassez de microchips deixa mundo em sobressalto

Autoeuropa produziu menos 39 mil carros este ano

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A crise das matérias-primas está por todo o lado.

Não adianta procurar na internet em sites de vendas estrangeiros, nem adianta ir a Espanha, porque lá também há atrasos nas entregas de produtos.

Num inquérito realizado em Espanha e divulgado recentemente pelo El País, entre junho e setembro, a entrega de maquinaria e automóveis estava com um atraso de 90 dias.

As entregas mais rápidas eram lideradas pelo alumínio e pelos eletrodomésticos:  60 a 70 dias respetivamente de atraso.

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Descubra como a escassez de microchips está a parar o mundo das tecnologias

Nove meses para receber um carro

O transporte marítimo representa cerca de 90% do comércio mundial. O preço dos contentores disparou e a globalização está a dar cada vez mais problemas.

Os relatos de atrasos na entrega de produtos aumentam de dia para dia. Por exemplo, a indústria automóvel está a demorar entre 9 a 12 meses na entrega dos veículos, porque as fábricas têm feito paragens na produção, por falta ou atraso de algumas peças.