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Lajes Confidencial

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"Lajes Confidencial": EUA armazenaram armas e resíduos nucleares nas Lajes

Investigação: EUA armazenaram armas e resíduos nucleares nas Lajes

1ª Parte

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"Lajes Confidencial": os solos contaminados na ilha Terceira

Investigação: os solos contaminados na ilha Terceira

2ª Parte

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Era quase Natal e com ele esvaía-se o ano de 1966. Salazar ainda mandava e a guerra colonial não tinha chegado a meio. Os Estados Unidos atolavam-se no pântano do Vietname, mas não vacilavam na guerra fria.

Uma das bases mais importantes para travar o passo à União Soviética ficava numa pequena ilha, a Terceira, de um pequeno arquipélago, os Açores, no imenso Atlântico.

Nesse quase Natal de 1966, alguns guardas portugueses que trabalham para as Forças Armadas norte-americanas na base das Lajes, na ilha Terceira, recebem um presente antecipado. São dois dias de folga, sem razão aparente, que os beneficiados entendem ser uma generosidade natalícia dos patrões.

Contudo, os acontecimentos desses dois dias mostram que a generosidade tem outro motivo. Na viragem do século, dois desses guardas, contaram ao jornal “Diário Insular” o que viram. Puseram só uma condição, que as suas identidades não fossem reveladas. Apoiamo-nos nesse testemunho porque ambos já não estão vivos.  Eles relatam uma movimentação frenética de camiões entre o porto da Praia da Vitória e os paióis do Cabrito, no centro da ilha, o local onde ambos prestavam serviço.

O material que era transportado por esses veículos provinha de dois navios norte-americanos acostados no porto. Os camiões eram de grande dimensão e puxavam atrelados cobertos com oleados, que eram levados para dentro dos paióis e já não saíam.

Durante toda esta operação, conta um dos guardas portugueses, havia militares norte-americanos um pouco por todo o lado e até nos quintais de alguns terceirenses.

Quando regressaram ao trabalho, os guardas notaram mudanças. Ao contrário do que acontecia antes, os paióis começaram a ser visitados quase diariamente por norte-americanos.

“Dois ou três entravam e ficavam sempre alguns, armados, à porta do paiol.  eles ficaram mais desconfiados.  Estavam sempre a olhar para todos os lados quando abriam as portas.  antes de abandonarem o local, certificavam-se várias vezes que estavam bem fechadas”.

Estes homens estavam habituados a lidar com os militares e, por isso, este comportamento só despertou a sua curiosidade por ser invulgar. Foi isso que levou um a espreitar para dentro de um dos paióis.

E o que viu ele?...

“Um homem vestido como quando as pessoas vão tirar mel às abelhas”.

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“A Base das Lajes foi vital no período inicial da Guerra Fria. Era assim classificada pela documentação americana que dizia mesmo, oficialmente, embora fosse uma documentação interna, que logo a seguir aos Estados Unidos, era o ponto mais importante”.

 

António José Telo | Professor da Academia Militar e ex-Diretor do Instituto de Defesa Nacional.

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Só anos depois, o guarda percebeu o possível significado do que tinha visto. Foi ao ver um filme na televisão sobre um desastre nuclear.

Mário Terra, ex-chefe dos guardas portugueses no destacamento americano, viu algo semelhante quando era jovem.

Em 2018, ainda conseguia recordar o percurso que os camiões fizeram até paióis do Cabrito.

Os camiões iam cobertos e as pessoas que estavam lá à volta do camião, tanto os que conduziam como os que iam atrás, vinham vestidas de branco, com botas de borracha, luvas de borracha, com respiradores. Achei aquilo muito estranho, nós até achávamos piada,eram os astronautas (...)”, descreve Mário Terra, ex-funcionário do destacamento militar norte-americano.

A história dos dois guardas foi confirmada à TVI por uma outra fonte, que não quer ser identificada. Essa pessoa diz que houve várias operações de transporte semelhantes à descrita pelos homens e acrescenta algo mais: uma ocasião, ela chegou mesmo a ver o que estava nos atrelados. 

Barris amarelos, a cor utilizada para os recipientes que transportam resíduos perigosos. A fonte da TVI, que tem um conhecimento muito detalhado do funcionamento da base das Lajes nas últimas décadas, vai mais longe. Afirma que os militares norte-americanos armazenaram resíduos radioativos na ilha Terceira durante muitos anos. Quantos, não se sabe ao certo.

Orlando Lima, um antigo funcionário do Departamento Ambiental da Base das Lajes, soube que alguns militares norte-americanos se queixaram de terem sido expostos a radioatividade. “Soube, enquanto estava na fiscalização dos americanos, que esteve uma comissão do senado cá a investigar o facto de alguns militares terem sido expostos a radioatividade na ilha Terceira”, recorda. 

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“Tive acesso a um documento que ‘Top Secret’ e que tinha a identificação de um lugar, que seria na zona do Cabrito, e que tinha também um símbolo nuclear”

 

Ex-trabalhar da Base das Lajes

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A Base das Lajes tem 75 anos. Isso significa que há outros tantos se sussurram histórias sobre o que lá se passa.

Numa ilha pequena, como a Terceira, onde tanta gente trabalhou para os americanos, não seria de esperar outra coisa. Afinal, trata-se de uma instalação militar e o secretismo abunda.

O problema é separar o facto do boato e encontrar pessoas com conhecimento direto das situações que estejam dispostas a contar o que sabem.  Muitas das informações mais credíveis que foram chegando ao nosso conhecimento centram-se num local: os antigos paióis do Cabrito, situados da freguesia de Agualva, bem no centro da ilha, a cerca de 20 quilómetros da base das Lajes. Hoje, já quase nada resta deles.

As instalações foram demolidas em 2010 e agora só existem bocados da vedação e alguns montes de entulho. Fotografias feitas antes da destruição mostram os bunkers que aqui existiram durante mais de cinco décadas. Pelo menos alguns tinham dezenas de metros de comprimento. Oficialmente, ali eram armazenadas munições convencionais, mas certos dados indicam que algo de diferente estaria lá guardado.

Um ex-trabalhador aceitou contar à TVI, sob reserva de identidade, a descoberta surpreendente que fez sobre aquelas instalações. “Tive acesso a um documento que ‘Top Secret’ e que tinha a identificação de um lugar, que seria na zona do Cabrito, e que tinha também um símbolo nuclear”.

O que este antigo trabalhador viu parece ter apenas duas explicações possíveis: o Cabrito servia para armazenar armas nucleares ou outros materiais radioativos. E essa tese é suportada por outro dado. A TVI sabe que, nas últimas décadas do funcionamento dos paióis, os bombeiros da base nunca tiveram autorização para lá entrar, muito embora a presença de explosivos tornasse imperativo que eles o conhecessem bem o local.

Jim Oskins, um antigo técnico de armas nucleares da força área norte-americana, que entretanto se tornou num dos maiores especialistas na história dos acidentes com armas atómicas, explica-nos o significado desta interdição. “Se não deixares as pessoas entrar de todo, isso dá-te a flexibilidade de, por vezes, armazenares armas nucleares e, por vezes, não. Se as deixares entrar apenas quando não há armas lá, então ficas a perceber quando é que tens mesmo armas nucleares”, explica Jim Oskins, ex-militar dos EUA especialista em armas nucleares.

Com bombeiros ou sem bombeiros, o destacamento norte-americano estava preparado para lidar com qualquer incidente de natureza nuclear ou radiológica na base. Outro antigo trabalhador soube por acaso da existência de uma equipa secreta que tinha como única função atuar em caso de contaminação nuclear.

Havia uma equipa que nós chamávamos EOD – Explosive Ordnance Disposal. Tinha equipamentos normais, por exemplo, para ameaça de bombas, derrame de combustível… mas havia uma outra, mais secreta, que talvez pouca gente conhecesse. Nessa altura, atuavam pessoas de diversos esquadrões, num número máximo de meia-dúzia de pessoas, talvez, e essa respondia a uma situação muito grave, em caso de radioatividade ou alguma fuga radioativa”, explica ex-funcionário do destacamento militar norte-americano.

Durante anos, os americanos também estiveram muito atentos à saúde dos portugueses que guardavam os paióis. Mário Terra conta que, durante anos, eles foram sujeitos a análises de sangue mensais. Orlando Lima, outro antigo funcionário, recorda como um engano num pedido de análises ao solo do Cabrito deixou o comando americano em sobressalto, no final dos anos 90, quando aquelas instalações foram desativadas.

"Chego à secção onde trabalhava, a secção do Ambiente, e a minha chefe a capitã***(...) estava completamente em pânico. O comandante dizia que ia rolar cabeças. Como eu era português era dificil rolar a minha. Era a dela que ia rolar. Eu disse: 'mas qual é o problema que encontrámos lá que cria toda essa preocução?'. 'Ahhh foram metais pesados'. E aí confrontei-a: 'Estás a falar de metais pesados radioativos?'. E nessa altura, a senhora respondeu 'isso está muito acima do meu nível de pagamento e não posso comentar nada sobre isso'", explica.

Certo é que as análises nunca chegaram às mãos de Orlando Lima, apesar de ter sido ele que as pediu.  O caso deixou-lhe poucas dúvidas de que haveria contaminação radiológica na ilha terceira. Todavia, faltava prová-lo.

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A contaminação do solo com radiotividade

Orlando Lima trabalhou durante 18 anos na Base das Lajes. O seu trabalho na secção ambiental do destacamento norte-americano já o tinha educado sobre o impacto que aquela instalação militar teve na ilha Terceira. Mas certo dia, teve uma surpresa para a qual não há preparação possível.

Há 75 anos que a bruma do secretismo envolve a Base das Lajes, na ilha Terceira. A presença militar norte-americana tornou-se um dado adquirido, mas nem por isso bem conhecido. As décadas passam, as guerras também e até os regimes políticos mudam, mas eles continuam lá e a base também. Inabalável, impenetrável eterno mistério de que alguns falam, mas que muito poucos conhecem.

Uma das primeiras coisas que há a saber sobre a Base das Lajes é que ela não é isto, ou melhor, não era só isto. A Base era a ilha e a ilha era a Base. Espalhadas um pouco por todo o lado, estiveram mais de vinte instalações, postos de comunicações cruciais para as forças aeronavais norte-americanas no atlântico enormes tanques de combustível, oleodutos, bunkers com fins mais ou menos obscuros, estações meteorológicas.

E, finalmente, os paióis.  A base pode ser aérea, mas os paióis eram da Marinha. A explicação é simples: as bombas e torpedos que estavam ali guardados estavam destinados aos aviões P-3 Orion da Marinha e tinham como missão atacar os submarinos soviéticos em caso de guerra.

A poucas centenas de metros da pista, na zona da Caldeira, existia o chamado “Torpedo Shop”, uma instalação de alta segurança. Mais longe, bem no centro da ilha, estavam situados os paióis do Cabrito. Dois conjuntos de bunkers separados por aquilo que aparenta ser um pequeno vulcão secundário chamado Pico Careca. É nesta zona da ilha que se centram as suspeitas de Orlando Lima.

Passaram anos até que a oportunidade de esclarecer as dúvidas surgisse. É que, para fazer isso, há dois métodos, nenhum deles disponível ao virar a esquina. Um é a contagem de emissões radioativas no próprio terreno com um aparelho vulgarmente conhecido como contador geiger. O outro, muito mais preciso e caro é a análise de amostras de solo ou água em laboratório.

Graças aos próprios norte-americanos, que puseram à venda de um medidor de radiações antigo que fazia parte do equipamento da própria Base, Orlando Lima conseguiu iniciar uma investigação, em 2017. Mas para isso contou com uma ajuda muito importante de Félix Rodrigues, professor da Universidade dos Açores, físico de formação e especialista na área ambiental por opção.

As primeiras leituras de radiação na zona do Cabrito assustaram os dois homens. Os valores detetados pareciam confirmar que algo de muito errado

se passava.

 

O Governo Regional dos Açores foi alertado e, logo a seguir, a TVI tomou conhecimento da situação. Foi então que acompanhámos Orlando Lima numa primeira visita ao terreno. Os resultados não foram tão assustadores como da primeira vez, mesmo assim permitiram confirmar que havia alguns locais que valia a pena investigar melhor, dadas as flutuações de valores que aí se verificavam.

Passou-se então à segunda fase. Recolha de amostras de água e solo, que foram enviadas para um laboratório francês independente e especializado em radioatividade, o CRIIRAD.

As análises a duas amostras de água recolhidas em locais muito próximos da base nada revelaram de anormal. Já com o solo, a situação foi diferente. As descobertas do CRIIRAD não deixam lugar a dúvidas: existem substâncias radioativas ligadas a armas nucleares na zona dos antigos paióis do Cabrito: césio 137, estrôncio 90, amerício 241 e plutónio 239 – a principal substância usada no fabrico de armas nucleares.

Os valores detetados não constituem perigo para a saúde pública. Hoje são também compatíveis com o fenómeno do fallout, o transporte, pela chuva, de substâncias radioativas libertadas na atmosfera por testes nucleares ou por acidentes como o de Chernobyl ou Fukushima.

A existência de uma causa local para esta contaminação não está excluída, e há um valor que dá que pensar.

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A seguir...

Na terceira parte desta reportagem, iremos conhecer as diferenças entre as conclusões do laboratório francês CRIIRAD e as dos estudos realizados pelo laboratório oficial português a pedido do Governo Regional dos Açores. Ficaremos também a saber porque é que a TVI está segura de que houve mesmo armazenamento de resíduos nucleares norte-americanos na ilha Terceira.

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A limpeza

Em 2017, a TVI tomou conhecimento de que Orlando Lima, um ex-funcionário da secção ambiental do destacamento norte-americano na Base das Lajes, e Félix Rodrigues, professor do departamento de ambiente da Universidade dos Açores, tinham fortes suspeitas de que havia contaminação radioativa na ilha terceira.

As suspeitas centravam-se na antiga zona militar do Cabrito, onde durante décadas estiveram situados paióis da marinha dos Estados Unidos.

Para esclarecer a questão, a TVI tomou uma medida invulgar em Portugal: decidiu contratar os serviços de um laboratório internacional independente para realizar leituras de radiação em vários locais da ilha Terceira e analisar amostras de água e solo.

O provável transformou-se em certeza. Análises mais detalhadas comprovaram a existência de plutónio 239 e também de estrôncio 90, muito perto dos antigos paióis do Cabrito.

Esta descoberta é significativa porque ambos são elementos radioativos artificiais ou, como os especialistas dizem, antrópicos. Só podem ser produzidos em centrais nucleares e o plutónio é a principal matéria-prima das armas atómicas modernas.

Hoje, os valores detetados não constituem perigo para a saúde pública. São também compatíveis com o fenómeno do fallout, o transporte, pela chuva, de substâncias radioativas libertadas na atmosfera por testes nucleares ou por acidentes como o de Chernobyl ou Fukushima.

Contudo, a existência de uma causa local para esta contaminação não está excluída e há um valor que dá que pensar.

Duas outras análises pedidas ao laboratório de análises de radiações da Universidade de Santiago de Compostela, em Espanha, confirmaram a presença de césio 137.

Perante isto, a TVI decidiu que seria importante fazer o estudo mais alargado sugerido pelo laboratório Criirad.

Em julho de 2018, Bruno Chareyron, o diretor do laboratório, deslocou-se à ilha terceira.

Com a ajuda do professor Félix Rodrigues, fez muitas dezenas de leituras de radioatividade e recolheu 15 amostras de solo em vários pontos da ilha, com especial incidência na zona do Cabrito.

Os três dias em que Bruno Chareyron esteve na Terceira foram manifestamente curtos para o trabalho em mãos, mas motivos logísticos não permitiam mais.

Para além do Pico Careca e da zona do Cabrito em geral, decidimos analisar mais uma zona que, pela sua utilização, podia dar resultados interessantes: os antigos paióis da Marinha dos Estados Unidos. conhecidos como torpedo shop, um local onde estiveram guardadas armas nucleares.

Por vezes, o detetor de radiação de Bruno Chareyron fez temer o pior, mas o engenheiro nuclear francês logo relativizava.

Terminado o trabalho de campo, era o momento do laboratório e assim viajámos até Valence, no sul de França.

Depois de um mês de trabalho laboratorial, as análises não deixaram dúvidas sobre a presença de elementos radioativos artificiais nos antigos paióis militares da Terceira.

Todas as 15 amostras recolhidas pelo Crirrad continham césio 137. Duas tinham também amerício 241 acima do nível vestigial.

O Criirad diz que a situação atual não parece ser alarmante, mas lembra que no passado poderá ter sido muito diferente.

Os terceirenses podem estar a sofrer hoje os efeitos de exposições antigas e elevadas a elementos radioativos.

E é isso mesmo que Félix Rodrigues conclui. O professor universitário fez alguns cálculos, com resultados preocupantes.

Enquanto a investigação da TVI e do Criirad decorria, o laboratório de proteção e segurança radiológica do Instituto Superior Técnico fez duas visitas à Terceira a pedido do Governo regional. Uma solicitação na sequência dos alertas lançados por Orlando Lima e Félix Rodrigues às autoridades.

O primeiro relatório dessa entidade, de 2017, indica que nada de anormal foi ali encontrado. E o segundo, de 2018, vai no mesmo sentido.

Conclusões que surpreenderam Félix Rodrigues e Bruno Chareyron.

Pegando só nas análises das 51 amostras de solo recolhidas pelo laboratório de proteção e segurança radiológica do Instituto Superior Técnico. conclui-se que os cinco resultados que sobressaem claramente são referentes a locais muito próximos dos antigos paióis.

A verdade completa só poderá ser conhecida com uma investigação mais profunda e à divulgação, por parte das autoridades portuguesas e norte-americanas, de toda a documentação que possa existir sobre a presença de materiais radioativos em instalações militares.

O que a TVI sabe, graças a uma fonte que conhece profundamente o funcionamento da Base das Lajes há décadas, é que os paióis do Cabrito e outros locais albergaram resíduos radioativos de origem norte-americana.

Jim Oskins, um antigo militar norte-americano especialista em armas nucleares, e uma autoridade reconhecida, apresentou-nos uma origem possível para esses resíduos.

O que podemos dizer neste momento é que os resíduos radioativos foram tirados da ilha Terceira entre 1998 e 2000 e até sabemos quem liderou esses trabalhos: David Ausdemore, um oficial da engenharia militar norte-americana especializado em trabalhos de descontaminação, que recusou ser entrevistado.

O seu currículo. publicado no site da sua própria empresa, confirma que, no período que vai de 1998 a 2000, Ausdemore foi chefe da secção de bio-engenharia da base e oficial de segurança radiológica. E nesse âmbito teve a seu cargo a vigilância e proteção radiológica do pessoal.

David Ausdemore assume, também, que eliminou resíduos radioativos armazenados impropriamente, coordenando a retirada ou eliminação de mais de 350 materiais sujeitos a regulação legal.

Além disso, afirma que recebeu uma classificação de excecional em inspeções realizadas pela comissão reguladora nuclear dos Estados Unidos, entre outras entidades.

A TVI contactou essa comissão, que tem como papel garantir a segurança das operações com materiais radioativos realizadas por civis e militares norte-americanos. e foi-nos dito que não havia registo de inspeções realizadas na Base das Lajes, mas que isso seria de esperar se elas forem consideradas secretas pelas autoridades norte-americanas.

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A seguir...

Na quarta parte desta reportagem, iremos regressar novamente ao passado para explicar os contornos da atividade nuclear norte-americana na Base das Lajes e na ilha Terceira.



 

Rolando Santos