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O Inferno na Grécia

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A tragédia em números

O número de vítimas mortais no incêndio na Grécia subiu para 80, de acordo com o último balanço divulgado pelas autoridades. De acordo com os números oficiais, o número de feridos mantém-se: há 187 feridos, incluindo 23 crianças.

Dos 164 adultos feridos, 65 permanecem hospitalizados, onze com respiração assistida. Das 23 crianças, nove permanecem hospitalizadas. 

A Brigada de Incêndios, que recolhe alertas para pessoas desaparecidas, recebeu chamadas para mais de 100 pessoas desaparecidas.

Mais de 700 pessoas que foram resgatadas do mar e das praias onde estavam retidas passaram pelo porto de Rafina. 

Mais de 1.500 casas foram atingidas pelas chamas e mais de 300 viaturas ficaram completamente destruídas.

O Governo de Alexis Tsipras decretou três dias de luto e pediu ajuda internacional ainda na noite de segunda-feira. Vários países responderam de forma positiva, incluindo Portugal, que disponibilizou 50 elementos da Força Especial de Bombeiros (FEB) para ajudar a combater os incêndios.

 

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Uma aldeia inteira reduzida a cinzas

Mati é agora sinónimo de tragédia. Foi aqui que se registou o maior número de mortos e os testemunhos asseguram que ardeu tudo, incluindo estabelecimentos comerciais. 

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Paraíso engolido pelas chamas em poucas horas

Mati está já no mapa das tragédias que se abateram sobre a Grécia. Nesta pequena localidade começam agora a ser conhecidos dramas humanos vividos na primeira pessoa por moradores e turistas.

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Brian O'Callaghan-Westropp e Zoe Holohan

Lua-de-mel trágica na Grécia para casal que ficou noivo em Portugal

O recém-casado Brian O'Callaghan-Westropp é um dos vários desaparecidos na sequência dos incêndios na região de Atenas. O irlandês e a mulher, Zoe Holohan, viram-se no meio das chamas que devastaram a zona de Mati, local escolhido para celebrar a lua-de-mel. Zoe está hospitalizada, Brian está desaparecido.

Os dois ficaram noivos em Portugal, durante um passeio em Cascais, em abril passado, como mostra uma publicação no Facebook de Brian, datada de 2 de abril. Casaram no passado dia 19, no seu país, e escolheram a Grécia para a celebração a dois.

Brian e Zoe separaram-se quando fugiam das chamas. Dele nada se sabe, dela sabe-se que está internada no hospital depois de ter sofrido queimaduras.

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A "estrada da morte": Mati como Pedrógão Grande

A "estrada da morte": Mati como Pedrógão Grande

Na zona de férias, a 30 quilómetros de Atenas, 26 pessoas perderam a vida. Tentaram fugir de carro, mas ficaram presos pela chamas e tentaram nova fuga a pé. Morreram a poucos metros da praia que os podia ter salvo. Muitos foram encontrados abraçados uns aos outros. 

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Encurralados entre o fogo e a água

As imagens de quem se resguardou no mar, para fugir à tragédia do fogo correram mundo, esta segunda-feira. Um número significativo das vítimas mortais ficou a dever-se precisamente a afogamento. É o caso de dois turistas polacos mãe e filho, que estavam num barco com mais oito pessoas que procedia à evacuação de um hotel. A embarcação naufragou e todos os 10 ocupantes morreram.

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Cão que se conseguiu salvar dos Incêndios na Grécia

O cão que se tornou símbolo da sobrevivência

Um cão fugiu do fogo e procurou um lugar seguro no mar. Subiu para uma rocha  para se salvar enquanto a tragédia à sua volta continuava arrasar casas, a queimar florestas e a destruir carros.

A imagem do animal foi captada pela lente do jornalista da Reuters Kalogerikos Nikos e tornou-se símbolo da uta pela sobrevivência da população de Mati: qualquer nesga de terra resguardada das chamas era um bom lugar para esperar que o fogo se extinguisse. 

A história de Luke teve um final feliz: a dona conseguiu encontrá-lo, salvá-lo e levá-lo no barco que levava os sobreviventes para o porto de Rafina.

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Grécia: pai lança apelo para encontrar filhas desaparecidas

A busca desesperada por desaparecidos

No terreno, as autoridades têm juntado esforços para encontrar desaparecidos. Uma das estratégias passou por juntar as fotografias de várias pessoas desaparecidas e divulgá-las na internet.

Foi também criado um site onde os familiares podem colocar as fotos dos desaparecidos, para facilitar o processo.

Também os próprios populares encetaram esforços individuais para encontrar familiares desaparecidos. Um pai lançou um apelo para encontrar as filhas gémeas que garante ter visto na televisão a desembarcar no porto de Rafina. O nome das crianças não consta nas listas das autoridades gregas. 

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Grécia: pai salvou filho bebé das chamas mas perdeu a mulher

Salvou o filho, mas perdeu a mulher

Na localidade de Mati, Panagiotis Dagalos só teve tempo de pegar no bebé e correr para o mar

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Número de mortos dos fogos na Grécia sobe para 88

[Flávio Almeida/TVI24]

Vítima mais recente é uma mulher de 42 anos que morreu no hospital

Um relatório divulgado pela imprensa este sábado desmente o governo grego e afasta a tese de fogo posto como causa do incêndio que já matou 88 pessoas.

A vítima mais recente é uma mulher de 42 anos que morreu no hospital, onde várias vítimas permanecem internada em estado grande, adiantou o Ministério da Saúde em comunicado.

Entretanto, terá caído por terra a narrativa de fogo posto lançada pelo executivo de Atenas para explicar a tragédia de Mati. Um relatório dos serviços de bombeiros aponta negligência de um habitante de Daou Pendeli, onde deflagraram as chamas domingo passado. Uma queimada que acabou por se descontrolar e se agigantou levada pelo vento.

Segundo fonte citada pelo jornal Ekathimetrini, a investigação conhece a identidade do incendiário involuntário que, concluiu o relatório, tentou esconder as provas, tapando com pedras a área onde fez a queimada, largando sobre ela grandes quantidades de água.

Noutra frente da tragédia, seja em terra ou no mar, prosseguem as buscas pelas ainda dezenas de desaparecidos. as autoridades gregas acreditam que muitas pessoas procuraram refúgio nas águas quando fugiam das chamas e do fumo.

O primeiro-ministro da Grécia assumiu a responsabilidade política pela tragédia e prometeu corrigir o perigoso desordenamento do território, mas quanto a consequências políticas, nada. Tsipras não demite ninguém.

Manuela Micael