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Os rostos da luta contra a covid-19

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Médico de Wuhan que alertou para o novo coronavírus morreu há um ano

17 de novembro de 2019

Uma data que vai estar bem presente na nossa memória nos próximos anos e marcada nos livros de história e ciência das próximas gerações. Este foi o dia em que foi detetado o primeiro caso de covid-19 em Wuhan, na China.

Na altura, suspeitava-se de uma "pneumonia viral" ou "pneumonia misteriosa". O facto é que estava disfarçada de pandemia e já matou e infetou milhões de pessoas em todo o mundo.

Na imagem, Li Wanliang. O médico de Wuhan que alertou para a existência de um novo coronavírus e que chegou a ser detido pela polícia chinesa e acusado de espalhar rumores. 

Acabou por morrer, a 7 de fevereiro de 2020, vítima do próprio vírus. 

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Covid-19: os rostas pelas ruas de Itália

Itália, a ponte do vírus para a Europa

Itália foi a ponte de entrada do SARS-CoV-2 na Europa. A região norte foi de longe a mais afetada, mais concretamente, em Lombardia, Emilia Romana, Veneto, Piemonte, Veneza, entre outros.

A primeira vítima mortal ocorreu a 21 de fevereiro de 2020. Um homem de 78 anos que já estava internado há 10 dias devido a problemas de saúde que não estavam relacionados com o novo coronavírus, mas que acabou por ficar infetado.

A grande maioria dos casos que foram surgindo no resto da Europa tinham ligação a Itália.

Na imagem, dezenas de rostos italianos meio escondidos, mas com olhares de esperança. Na altura, 16 de abril de 2020, havia uma escassez de máscaras, por isso, muitas delas eram improvisadas.

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Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, e Marta Temido, ministra da Saúde, em conferência de imprensa sobre o coronavírus em Portugal

2 de março de 2020

Confirmados os primeiros dois casos de infeção em Portugal.

Um homem de 60 anos, que estava internado no Hospital de Santo António, no Porto. Terá sido contagiado durante uma viagem ao norte de Itália e apresentou os primeiros sintomas no dia 29 de fevereiro.

O segundo, um outro homem, de 33 anos, comercial na área da construção civil e que terá sido infetado em Valência, Espanha, onde esteve em trabalho. Teve os primeiros sintomas a 26 de fevereiro e esteve internado no Hospital de São João, no Porto. 

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Hospital Santa Maria

2 de março de 2021

Passou um ano e já vamos na terceira vaga de covid-19. 

Ao longo destes útimos meses, Portugal bateu todos os recordes. Mortos, novos casos, doentes internados e cuidados intensivos.

O Serviço Nacional de Saúde entrou em rutura e os hospitais ficaram sobrelotados. Não há muito tempo, presenciámos as filas com dezenas de ambulâncias à porta das urgências covid. 

No entanto, nem tudo são más notícias. Portugal iniciou o processo de vacinação a 28 de dezembro de 2020. 

Pode consultar aqui quantas pessoas já foram vacinadas até ao momento. 

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Os rostos da luta contra a covid-19

Os testemunhos de quem está na linha da frente

Para assinalar a data, reunimos alguns dos melhores testemunhos daqueles que estão na linha da frente do combate à pandemia desde que tudo isto começou. 

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Médicos apoiam-se mutuamente no Hospital Curry Cabral

"Sozinhos não somos nada"

Provavelmente, esta imagem não lhe é estranha, nem tão pouco é a primeira vez que a vê. Esta fotografia de dois profissionais de saúde do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, comoveu o país em meados de março

Tornou-se viral em muito pouco tempo e foi interpretada como um símbolo da resistência dos portugueses à pandemia causada pela covid-19. Na imagem, é possível ver um homem e uma mulher, profissionais de saúde, frente a frente, com as cabeças encostadas, ele com as mãos no pescoço dela e ela a agarrar-lhe os braços.

Paramos, respiramos, tomamos balanço e avançamos. Sem hesitações, sem medos, porque estamos TODOS juntos. Somos uma equipa, somos colegas, somos amigos. Continuemos, juntos, sem medos, 'I've got your back' - não tem tradução literal, mas diz tudo. Hoje, amanhã e para sempre", escreveu Nuno Moreira, profissional de saúde no serviço de doenças infecciosas do hospital. 

Em conversa com a TVI, na altura, Nuno explicou que o objetivo da publicação "foi passar a mensagem daquilo que nos une, não só fisicamente, mas emocional e profissionalmente, que é o apoio incondicional, o estar presente, o tal ‘I’ve got your back!’, é exatamente a necessidade de sensibilização de que sozinhos não somos nada. Nesta altura em particular, precisamos uns dos outros, de sermos todos Portugal." 

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"A minha chefe pediu-me para não ir a Portugal para não prejudicar a minha família"

Alguns profissionais de saúde portugueses a trabalhar na Galiza atravessaram diariamente a fronteira, que está novamente sob controlo, mas alguns optam por permanecer em Espanha para “proteger a família, colegas e doentes”.

Sem se deslocar à sua terra natal, em Chaves, no distrito de Vila Real, Hugo Rodrigues, enfermeiro num lar de idosos na Galiza, foi um dos profissionais que optou por ficar em Espanha. 

"É por opção. Trabalho com muitas pessoas e nunca se sabe se poderei alguma vez ficar infetado e levar o vírus para junto dos meus familiares. Já depois de eu ter tomado esta decisão, a minha chefe veio falar comigo e pedir-me para não ir a Portugal para não prejudicar a minha família, mas também para fazer o meu melhor para proteger aqueles 125 residentes que temos no lar e que estão mais expostos."

Pode ler a reportagem na íntegra aqui

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Lar em Resende: "Estamos completamente abandonados"

"Entrei às oito da manhã e saio às oito da manhã do próximo dia"

O testemunho de um dos enfermeiros da Santa Casa da Misericódia de Resende, em Viseu, que desempenhava funções na unidade de cuidados continuados. 

Na altura, a provedora também afirmou que os colaboradores estavam "esgotados".

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Nuno Moreira da Fonseca

"Um Guerreiro que VENCEU a batalha do ventilador e o duelo com a pandemia"

A 31 de março de 2020, dia em que a DGS confirmou mais 20 mortes em Portugal, Nuno Moreira da Fonseca, infectologista no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, decidiu partilhar boas notícias com o país e revelar que um doente internado com covid-19 deixou o ventilador e está de volta a casa.

“Hoje as portas abriram-se, não para receber doentes, mas para deixar entrar o sol, a luz do dia, porque um doente recuperado no nosso serviço está de volta a casa. Um Guerreiro que VENCEU a batalha do ventilador e o duelo com a pandemia. Um doente igual a tantos outros com quem lutamos lado a lado, todas estas batalhas ganhas serão o culminar duma grande vitória”, escreve o enfermeiro.

O profissional de saúde termina a mensagem lembrando que os dias de luz e alegria têm sido roubados a quem luta para combater esta doença e pede a todos para que fiquem em casa de forma a que os dias felizes cheguem em breve.

“Também nós nos privamos nestes tempos da luz e alegria dos que sofrem a nossa ausência… Faltam-nos demasiadas vezes os abraços, os olhares os sorrisos e a ternura daqueles que amamos e em casa esperam ansiosos por nós. Mas estamos aqui para vos abrir as portas sempre, no intuito de tudo fazer para vos devolver às vossas vidas. Por mais dias assim, não tornem os vossos dias diferentes - fiquem em casa - em breve todos teremos dias bons e felizes."

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"Esta terceira vaga está a rebentar com isto tudo”

Ana Isabel Pedroso é médica no hospital de Cascais e desde o início da pandemia que tem estado na linha da frente no combate ao novo coronavírus.

A profissão que quis para a sua vida é agora também aquela que a obriga a algumas escolhas - por conta do contexto que estamos a viver. Muitas horas de trabalho e muito cansaço acumulado que estão a deixar marcas físicas e psicológicas.

E foi precisamente uma chamada de atenção que Ana quis fazer.

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Médica do Hospital de Cascais mostra as marcas deixadas pela covid-19

"Em burnout estamos todos. Quem trabalha com estes doentes não tem conseguido descansar"

O testemunho na primeira pessoa de Ana Isabel Pedroso, médica especialista em medicina Interna e Intensiva, no Hospital de Cascais. 

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A descrição dramática de um enfermeiro sobre a pandemia: "Estou a pôr a vida de outros em risco, eu estou a ser um homicida"

"Estou a pôr a vida de outros em risco, eu estou a ser um homicida"

O relato do enfermeiro Alexandre Fonseca, do Hospital Garcia de Orta, em Almada.

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Eles estão a  vir e não acaba. (...) As pessoas cada vez mais doentes, as pessoas a falecer e a gente não consegue fazer milagres, não consegue lá chegar"

 

Alexandre Fonseca, enfermeiro no Hospital Garcia de Orta, em Almada

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UCI - Hospital de Santa Maria

"Se o problema do combate à pandemia fosse a falta de camas, o IKEA resolvia a pandemia"

O testemunho é de Carmen Garcia, uma enfermeira que tinha tomado a decisão de deixar a profissão no início de 2020, mas a quem a pandemia trocou as voltas e a “obrigou” a voltar à prática.

A profissional de saúde criticou a falta de testagem e apontou a escassez de recursos humanos como o maior problema no combate à pandemia e não a falta de camas.

Pode ler o artigo completo aqui

 

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«Na última noite tinha cinco enfermeiros para 70 doentes covid», desabafa enfermeiro

"Na última noite tinha cinco enfermeiros para 70 doentes, é impossível chegar a toda a gente"

O relato do enfermeiro Hugo de Sá, chefe de equipa do departamente de urgências do Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.

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Ricardo Batista Leite (PSD)

"Cada vez que se estabiliza um doente, havia já mais três ou quatro doentes instáveis a entrar pela porta dentro"

Entre tantos 'gritos de alerta' e apelos ao respeito pelas normas de confinamento, houve um que ganhou um destaque diferente, o de Ricardo Baptista Leite. 

O deputado e vice-presidente da bancada do Partido Social Democrata, que é também médico especializado em infecciologia, partilhou nos seus perfis de twitter e facebook um sentido e descritivo lamento sobre a situação que enfrenta o Hospital de Cascais, onde está a trabalhar como médico voluntário desde o início da pandemia.

Mas o político da bancada social democrata vai mais longe e descreve, de forma sentida e plangente, o estado de exaustão psicológica e emocional em que os profissionais de saúde se encontram. 

Pode ler o testemunho completo aqui

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Vi uma colega médica a chorar depois de sair do covidário mais de cinco horas depois do término do seu turno. Física e psicologicamente esgotada. Cada vez que se estabiliza um doente, havia já mais 3 ou 4 doentes instáveis a entrar pela porta dentro".

Ricardo Baptista Leite, deputado do PSD e médico especializado em infecciologia no Hospital de Cascais

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Andreia Castro

"Ontem ao chegar a casa após mais uma noite, as palavras do meu namorado foram apenas – ‘estás destruída’”

Andreia Castro, médica no Hospital da Luz, em Lisboa, utilizou a conta de Instagram para apregoar o “novo normal” com que se tem vindo a deparar a cada dia. Ao texto publicado chamou-lhe: “Estamos exaustos”.

"São 6 da manhã e continuo serviço pela 2ª noite consecutiva. Quando dou por mim, são 4 noites numa semana. É só mais uma, e nós achamos sempre que aguentamos. O serviço precisa. A equipa precisa. O corpo não precisa há muito, e a alma fica todos os dias um bocadinho mais despida, um bocadinho mais deixada para trás nos corredores do hospital. Ontem ao chegar a casa após mais uma noite, as palavras do meu namorado foram apenas – ‘estás destruída’."

A também blogger não escondeu o desnorte que se apoderou de algumas das principais unidades hospitalares do país. Camas a escassear, cada vez mais doentes e equipas médicas incapazes de se multiplicarem.

Foi mais longe e disse que “aqueles que nos aplaudiram” não cumpriram a sua parte no combate à pandemia.

Para ler na íntegra aqui

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Marta Temido emociona-se ao realçar importância do SNS para Portugal

"As lições a tirar da pandemia serão muitas"

Durante o discurso de encerramento da cerimónia comemorativa do dia do Instituto Ricardo Jorge, Marta Temido não conseguiu conter as lágrimas.

A Ministra da Saúde emocionou-se ao falar da luta contra a pandemia.

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Covid-19: portugueses foram às janelas homenagear os profissionais de saúde

Obrigado a todos

Os portugueses bateram palmas aos profissionais de saúde logo no início da primeira vaga, mas estas palmas estendem-se ao longo do tempo e por todos os que têm combatido esta doença na linha da frente.

Um trabalho jornalístico feito por Cláudia Évora, com textos de Andreia Miranda, António Guimarães, Diogo Assunção, Emanuel Monteiro, João Guerreiro Rodrigues, Lara Ferin e Nuno Mandeiro.