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Quatro promessas que Joe Biden tem para cumprir já

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Kamala Harris e Joe Biden

Um plano traçado em quatro frentes

"Esse é o trabalho de um presidente: o dever de cuidar". É desta forma que Joe Biden descreve o cargo que vai assumir esta quarta-feira, e no qual ficará pelo menos os próximos quatro anos.

Eleito depois de umas eleições muito controversas, nas quais o seu opositor, Donald Trump, fez várias alegações de fraude, o próximo presidente dos Estados Unidos da América pretende colocar de lado as clivagens na sociedade e unir a população.

Desde que soube que iria ser o próximo chefe de Estado que Joe Biden, em conjunto com a próxima vice-presidente, Kamala Harris, divulgou um plano de longa atuação para o mandato que o espera.

Covid-19, alterações climáticas, crise económica e a justiça racial são as quatro grandes bases da próxima presidência.

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Joe Biden: “A América está de volta”

Joe Biden: “A América está de volta”"

Assim que soube que tinha vencido as eleições presidenciais, a mensagem de Joe Biden centrou-se imediatamente na união do país.

As dúvidas lançadas por Donald Trump deixaram um vazio na sociedade norte-americana. Curar essas feridas é um dos grandes desafios do próximo presidente.

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Campanha de vacinação contra a covid-19 em Nova Iorque

1. Uma pandemia logo para começar

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Joe Biden toma posse como presidente dos EUA numa das alturas mais conturbadas da sociedade. O futuro é ainda muito incerto, e os próximos tempos serão seguramente marcados pela pandemia de covid-19.

Os EUA são o país mais afetado pelo vírus que surgiu na China ainda em 2019, e grande parte do insucesso na gestão da doença está relacionado com a forma desastrada como Donald Trump negou as evidências.

Começou por desvalorizar o vírus, mas em abril já admitia a hipótese de mais de 200 mil mortes no país. Estimativas lisonjeiras, quando nove meses depois os EUA registam quase o dobro desse número, tendo já sido confirmados mais de 23 milhões de casos.

Com base nos dados da Universidade John Hopkins, o país tem 25% dos mais de 90 milhões de casos registados em todo o mundo. Relativamente aos mortos, essa percentagem fica acima dos 19%.

Apesar da aprovação das vacinas das norte-americanas Pfizer e Moderna, o país continua a atravessar uma situação alarmante. A capacidade dos diferentes hospitais começa a atingir os limites, e cidades como Nova Iorque (a mais afetada em todo o mundo) vivem em clima de caos.

Só naquela cidade já foram reportados mais de 1,1 milhões de casos e mais de 40 mil óbitos. É verdade que é uma cidade muito populosa, mas os números não deixam de ser ilustrativos do atual cenário.

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Teste drive-through

Assegurar aos americanos o acesso regular, fiável e gratuito aos testes

Para cumprir este ponto, Joe Biden e Kamala Harris propõem-se a:

- duplicar o número de locais que fazem testes com acesso ao drive-through (o teste é feito sem que o testado saia do carro);

- investir em testes de nova geração, incluindo testes caseiros e testes instantâneos, para que se possa aumentar a capacidade de testagem;

- elaborar um Painel de Testes, inspirado no plano de resposta à Segunda Guerra Mundial, desenvolvido por Franklin Roosevelt. Este ponto baseia-se num aumento da capacidade de organização para a distribuição de testes;

- estabelecer corporações de saúde pública para mobilizar pelo menos 100 mil norte-americanos em todo o país para apoiar as organizações locais em comunidades com maior risco, para que possam ter abordagens competentes a proteger essa população.

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Covid-19: enfermeira dos cuidados intensivos foi a primeira a ser inoculada nos Estados Unidos

Enfermeira dos cuidados intensivos foi a primeira a ser vacinada

Os Estados Unidos começaram a enorme campanha de vacinação a 14 de dezembro.

No estado de Nova Iorque, um dos mais afetados pela pandemia, Sandra Lindsay foi a primeira pessoa a receber a imunização em todo o país.

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Máscaras

Corrigir os problemas dos equipamentos de proteção individual

O presidente Joe Biden promete assumir responsabilidade na atribuição e distribuição de meios eficazes no combate à pandemia, implementando as seguintes medidas:

- usar a Lei de Produção da Defesa para lançar a produção de máscaras, viseiras e outros equipamentos protetores, uma vez que a procura excede, de momento, a oferta;

- construir para o futuro uma capacidade de fabricar estes equipamentos nos EUA, para assegurar a independência de outros países em momentos de crise.

Recorde-se que, durante muito tempo, Donald Trump recusou afirmar a importância do uso de máscara.

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A vacinação nos EUA

Em vacinação desde 14 de dezembro, os Estados Unidos já aprovaram os projetos da Pfizer e da Moderna. Em pouco mais de um mês, foram administradas mais de 12 milhões de doses da vacina contra a covid-19.

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Escola

O combate nas escolas, empresas e famílias

A nova presidência quer aplicar planos "claros, consistentes e baseados em ciência" para ajudar as comunidades a lidar com a covid-19, pretendendo implementar os seguintes pontos:

- pedir ao Centro de Controlo de Doenças guias especializados para ajudar a gerir o risco de contágio. O objetivo é ter mais eficácia sobre quando e quais as medidas a tomar, como sejam o fecho de restaurantes, bares ou escolas;

- estabelecer um novo orçamento para os estados, para os ajudar a prevenir falhas, evitando cortes em áreas como a educação ou a saúde;

- pedir ao Congresso que passe um pacote de emergência para atribuir recursos adicionais às escolas;

- providenciar um pacote de "recomeço" que ajude os pequenos negócios a cobrir os custos operacionais.

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O exemplo de Biden: "Não há nada a recear na vacina"

O exemplo de Biden: "Não há nada a recear na vacina""

Ao contrário de Donald Trump, Joe Biden mostrou-se desde cedo do lado da ciência, procurando ouvir os especialistas e seguir as suas recomendações.

Assim que pôde, o democrata vacinou-se contra a covid-19 no estado de Delaware, num ato feito em público, como forma de dar o exemplo.

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Joe Biden recebe a segunda dose da vacina

Distribuição efetiva e equitativa de vacinas e tratamentos

Joe Biden entende que a investigação sozinha não é suficiente, e pede uma melhor organização no plano de vacinação, a qual pretende implementar com os pontos seguintes:

- investir 20 mil milhões de euros no fabrico e distribuição das vacinas para garantir que chegam a todos os americanos de forma gratuita;

- assegurar que a política não desempenha um papel na determinação da eficácia ou segurança de qualquer vacina;

- assegurar que toda a gente recebe a proteção e cuidados necessários.

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Calendário da vacinação nos EUA
Dezembro de 2020 Aprovação da vacina da Pfizer
14 de dezembro 2020 Início da distribuição da vacina da Pfizer
18 de dezembro de 2020 Aprovação da vacina da Moderna
21 de dezembro de 2020 Envio de quase oito milhões de doses de vacinas
Dezembro de 2020 e janeiro de 2021 Início da vacinação dos grupos priotários, com quase 50 milhões de vacinas administradas
Fevereiro de 2021 Expansão da vacinação a mais 50 milhões de pessoas
Março e abril de 2021 Continuação da vacinação nos grupos de risco
Maio e junho de 2021 Vacinas são alargadas aos restantes grupos, incluindo jovens
Julho a setembro de 2021 Maioria das pessoas será vacinada até ao final deste período
Outubro a dezembro de 2021 Período no qual deverá ser atingida a imunidade de grupo
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Vacinação nos idosos

Proteger os americanos mais velhos e outros grupos de risco

A próxima administração tem como um dos grandes objetivos salvaguardar os grupos de risco, baseando-se nos seguintes pontos:

- estabelecer uma equipa que lide com as disparidades no tratamento à covid-19 nas minorias étnicas e raciais;

- criar um painel de controlo da pandemia, onde poderão ser atualizados os dados, nomeadamente para um melhor identificação de surtos.

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Joe Biden

Reconstruir e expandir defesas para mitigar ameaças pandémicas

Joe Biden e Kamala Harris pretendem criar mecanismos que ajudem a prevenir futuras situações de pandemia. Aqui, a administração eleita é taxativa quando diz que isto "inclui aquelas que vêm da China". Estas são as propostas:

- restaurar o Conselho Nacional para Saúde Global e Biodefesa da Casa Branca;

- reentrar na Organização Mundial de Saúde (OMS);

- relançar e fortalecer a agência PREDICT, que ajuda no combate a doenças patogénicas;

- expandir o número de funcionários do Centro de Controlo de Doenças.

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Evolução da pandemia

Fonte: Universidade John Hopkins

 

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Covid-19 nos Estados Unidos

Implementar a obrigatoriedade de máscara a nível nacional

Donald Trump demorou até admitir a necessidade do uso de máscara. Para Joe Biden, ainda que numa altura completamente diferente, este será um dos utensílios principais, o qual pretende implementar da seguinte forma:

- todos os americanos devem utilizar máscara quando estão perto de pessoas fora de casa;

- todos os governadores devem tornar a máscara obrigatória em todos os estados;

- as autoridades locais devem apoiar as ordens dos estados.

O projeto de Biden pretende ainda evitar uma subida no preço dos seguros de saúde para aqueles que sofram de efeitos de longo prazo provocados pela covid-19.

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Poluição

2. Mudança de clima na Casa Branca

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Outro dos tópicos que separa Joe Biden e Donald Trump de forma a absoluta são as alterações climáticas. Depois de Barack Obama ter feito avanços na luta contra o aquecimento global, o republicano decidiu sair do Acordo de Paris em 2019, fazendo com que uma das nações mais poluidoras do mundo se alheasse da luta contra o tempo na redução das emissões de gases com efeito de estufa.

Apoiado pelos interesses dos magnatas do petróleo, Donald Trump negou por completo uma adoção de medidas amigas do ambiente, traçando vários comentários e referências que davam conta do seu desinteresse pelo assunto.

Em 2019, pouco antes de sair do acordo climático, o presidente afirmou na cimeira do G20, no Japão, que os EUA tinham a "água e ar mais puros de sempre". Na mesma reunião recusou uma maior aposta em energias renováveis, noemadamente a éolica e a solar, as quais disse não serem boas opções.

Em sentido contrário, Joe Biden entende o aquecimento global como uma "ameaça existente", definindo-a como uma das suas principais prioridades.

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Joe Biden

Joe Biden sabe que não existe um desafio maior para o nosso país e para o mundo. É por isso que tem um plano arrojado - uma revolução de energia limpa - para lidar com esta grave ameaça e liderar o mundo no combate à emergência climática", pode ler-se no site de campanha.

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Green New Deal

Green New Deal

Joe Biden fala num Green New Deal, uma espécie de pacto que pretende colocar em prática duas ideias principais: uma maior ambição para conseguir lidar com o problema e a perceção de que o ambiente e a economia estão "completa e totalmente ligados".

O próximo presidente pede um investimento sério, apelando à "inigualável" capacidade de inovação dos norte-americanos, com a qual poderão ser criadas novas indústrias, das quais surgiriam novos postos de trabalho mais classificados.

Podemos liderar a América para ser a maior superpotência com energia limpa".

Joe Biden pede um caminho até uma economia "100% limpa", lembrando que "não é uma obrigação, é uma oportunidade". O democrata lembra que este é um desafio que servirá os interesses de todos, sobretudo das gerações mais novas, que podem crescer mais saudáveis e seguras.

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Mês de setembro foi o mais quente já registado

Mês de setembro foi o mais quente já registado"

A comunidade científica e a grande maioria dos governos já chegaram a um entendimento de que o aquecimento global é o problema mais urgente do planeta.

Um dos grandes objetivos passa por atingir a neutralidade carbónica em 2050. Com Donald Trump, a América deu vários passos atrás nesse desígnio, mas Joe Biden pretende voltar a encarrilar o país.

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Planeta

As medidas para a neutralidade carbónica

O presidente eleito propõe-se asim a atingir a neutralidade carbónica até 2050, com os primeiros quatro anos a serem consigo ao leme, baseando-se no seguinte plano:

- regresso ao Acordo de Paris

- assegurar a chegada à neutralidade carbónica e a uma economia limpa até 2050;

- construir uma nação mais forte e resiliente;

- correr com o resto do mundo para conseguir fazer face às alterações climáticas;

- fazer frente ao abuso de poder por parte de poluidores que ameaçam comunidades de cor e com baixos salários;

- cumprir a obrigação para com trabalhadores e comunidades que desencadearam a revolução industrial e as décadas seguintes de crescimento económico.

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Como a natureza dificulta o combate aos incêndios na Califórnia

Como a natureza dificulta o combate aos incêndios na Califórnia"

Tornou-se numa imagem quase habitual. O estado da Califórnia vem sendo devastado por enormes incêndios, e a situação parece piorar de ano para ano.

Muitos especialistas atribuem a situação às alterações climáticas. No inverno de 2020 não foi diferente. Só no dia 27 de setembro, nos fogos de Zogg e Glass, ardeu uma área de 500 quilómetros quadrados, cerca de cinco vezes a cidade de Lisboa.

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Efeitos da vaga de calor em vários países na Europa

Investir para mudar

Falar de clima e das aplicações necessárias para combater o problema adjacente talvez seja o mais fácil. Difícil é perceber quanto é que isso pode custar e, sobretudo, realizar esses gastos.

Ora, a administração Biden-Harris prevê investir perto de 1,4 biliões de euros, uma quantidade astronómica de dinheiro, mesmo se pensarmos num país como os EUA. Ao todo, e contando com os apoios esperados do setor privado e de algumas organizações locais, esse período pode ver perto de 4 biliões de euros para combater as alterações climáticas.

Para que se tenha uma melhor ideia, Portugal teve um Produto Interno Bruto de 212 mil milhões de euros em 2019, segundo dados do Pordata. O mesmo é dizer que o dinheiro que Biden prevê alocar para combater o aquecimento global dava para cerca de 18 anos de atividade económica razoável em Portugal.

Dirse-à, e com razão, que Portugal e EUA não são realidades comparáveis. Mas se colocarmos lado a lado os EUA e a União Europeia, aqueles 4 biliões continuam a parecer uma grande soma junto dos 13 biliões de Produto Interno Bruto gerados pela união.

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"As assustadoras imagens dos fogos florestais na Califórnia

Estas imagens chegaram precisamente do estado da Califórnia, de longe o mais afetado pelos incêndios que todos os anos assolam a costa oeste dos EUA.

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Mercado acionista (Reuters)

3. "É [sempre] a economia, estúpido"

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O autor desta frase com certeza não ficou celebrizado, mas esta tirada ainda hoje faz eco, e explica bem uma das grandes realidades políticas dos EUA. Quando em 1992 o assessor de Bill Clinton, James Carville, criou esta frase, talvez não soubesse o quão bem isso ilustrava o pensamento de grande parte dos americanos.

Muitos acreditam que, não fosse a pandemia, e Donald Trump teria vencido as eleições sem grandes problemas, até porque os EUA viviam um tempo de alguma prosperidade.

Joe Biden entra num período completamente diferente, talvez o mais ingrato desde que Franklin Roosevelt assumiu a presidência, corria então o ano de 1933, e os EUA, como o resto do mundo, estavam mergulhados nas consequências da crise bolsista de 1929.

Agora a crise é outra, possivelmente ainda mais imprevisível, até porque não se lhe conhece uma data de término, nem tão pouco as reais consequências que vai deixar.

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Covid-19 nos Estados Unidos

Uma crise chamada covid-19

Nas propostas de candidatura, Joe Biden reconhece que o desempenho económico estará sempre dependente do decorrer da pandemia: "Nenhuma estratégia económica vai resultar se não pararmos o vírus", pode ler-se.

O presidente eleito afirma que é possível fazer a gestão da saúde pública ao mesmo tempo que se trabalha na recuperação económica. A nova administração acredita que o pior é voltar a abrir tudo sem ordem, para depois voltar a fechar. Biden defende antes uma abertura gradual, sempre com os ouvidos postos na ciência, e na qual se deverá basear a grande capacidade de testagem que pretende implementar.

Seria catastrófico reabrir tudo sem um plano, e depois ter um aumento dos casos e fechar tudo outra vez. Isso só significaria mais vidas perdidas e dor na economia".

Para reerguer a economia americana, que chegou a ter um máximo histórico de 14,8% de taxa de desemprego em abril. Desde então, e baseando-se numa grande volatilidade e flexibilidade económica, o país recuperou mais de metade dos 20 milhões de postos de trabalho perdidos durante a pandemia.

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Taxa de desemprego em 2020

 

Fonte: Departamento de Estatísticas do Trabalho

 

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Times Square em tempos de Covid-19

Um Ato de Recuperação

Com Joe Biden, a recuperação continuará através do Ato de Recuperação, um programa ambicioso que tem um mote: "garantir que cada dólar vai parar à porta das pessoas que precisam".

Para isto, a administração Biden-Harris criou três pontos fulcrais, nos quais se deverá basear este plano:

- manter o máximo de pessoas empregadas e a receber e recompensar os americanos pelas horas e ordenados perdidos;

- atuar para manter os pequenos negócios a funcionar;

- criar condilões reais e supervisionar as grandes empresas.

Assim, o novo governo compromete-se a apoiar os empresários que ajudem os trabalhadores a manter o emprego durante a crise. São também esperados novos apoios aos regimes de lay-off.

Para ajudar as pequenas empresas está prevista a proposta de uma lei que vai direcionar 309 milhões de euros, num documento que terá ainda de ser votado pelo Congresso, mas que não deve ter grandes objeções, uma vez que o Partido Democrata tem maioria na Câmara dos Representantes e no Senado.

Relativamente às grandes empresas, a nova administração vai pedir um grande compromisso para com os trabalhadores.

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A poucos dias de assumir o cargo, Joe Biden apresentou um ambicioso plano económico, o qual deverá custar 1,5 biliões de euros.

Entre as medidas aprovadas está um pacote de 342 mil milhões de euros destinados à resposta ao vírus e acelerar o processo de vacinação.

Perto de 825 mil milhões serão destinados às famílias, enquanto 363 mil milhões se destinam a pequenas empresas e às comunidades mais atingidas pela pandemia.

Os cheques de estímulo económico vão continuar. Em vez dos 495 euros atribuídos durante a primeira fase, o valor para cerca de 1.125 euros. O subsídio de desemprego sobe também de 247 euros para 330 euros semanais e é estendido até setembro.

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Joe Biden

Assegurar que ninguém tem de pagar um dólar para fazer testes, tratamentos ou eventuais vacinas" é um dos objetivos de Joe Biden

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Protestos em várias cidades dos Estados Unidos por causa da morte de George Floyd

4. Novamente a justiça racial

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Protestos nos Estados Unidos após morte de George Floyd

Reconstruir em conjunto

Este ponto está diretamente ligado à economia. Joe Biden quer reconstruir a confiança da sociedade norte-americana, não olhando para etnias, raças ou religiões.

O objetivo passará por dar oportunidades iguais a toda a gente, num país onde a questão racial, sobretudo em relação aos afro-americanos, nunca ficou totalmente resolvida.

Com efeito, a pandemia de covid-19 acabou por agravar as desigualdades sociais, sendo que a prevalência de mortes também é maior nas comunidades minoritárias.

Desta forma, é o plano do presidente investir na "igualdade" e "equidade".

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"EUA a ferro e fogo: os protestos por causa da morte de George Floyd

A morte de George Floyd, a 25 de maio, trouxe de volta à agenda a questão racial nos EUA. O afro-americano morreu asfixiado por um polícia, na cidade de Minneapolis.

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Pontos para uma sociedade mais equilibrada

- estimular o investimento público-privado por meio de um novo plano de oportunidade para pequenas empresas

- fazer um compromisso histórico para igualar as aquisições federais

- assegurar um plano com investimentos "arrojados" no acesso ao imobiliário e no acesso ao imobiliário para negros, hispânicos e nativos

- atingir a equidade nas oportunidades de gestão, treino e de ensino superior, que possam levar a empregos de futuro

- aumentar os subsídios para as comunidades negra, hispânica e nativa

- assegurar que os trabalhadores de cor são recompensados justamente e tratados com dignidade

- assegurar a equidade nos investimentos por uma economia descarbonizada

- apoiar segundas oportunidades de investimentos económicos

- reforçar os apoios federais para combater a disparidade racial

- promovera diversidade e quantidade de lideranças em várias agências federais

- construir infraestruturas de cuidado dignas do século XXI

- fazer face às diferenças existentes na agricultura

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Fronteira entre os EUA e o México

O regresso do American Dream?

Um dos grandes flagelos da sociedade norte-americana é a imigração ilegal. A última estatística oficial, datada de 2017, aponta para cerca de 11 milhões de pessoas que vivem nesta condição.

Joe Biden comprometeu-se a fazer algo por estas pessoas, que chegam de todo o lado, incluindo de Portugal (são cerca de 3.300 os portugueses ilegais a viver nos EUA, segundo o Departamento de Segurança).

Foi uma das principais propostas do próximo presidente, e tudo indica que deverá ser um dos primeiros projetos a dar entrada no Congresso: o longo e demorado processo de legalização de todos estes imigrantes.

Mas as diferenças para Donald Trump não terminarão aí. Prevê-se o fim das restrições de viagem de passageiros vindos de vários países, entre os quais está o Irão, por alegadas ligações ao terrorismo.

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Como Trump tratava os migrantes na fronteira

Tornaram-se recorrentes imagens como estas ao longos dos últimos anos. Foram muitas as caravanas que partiram da América do Sul e Central com milhares de pessoas que tentam procurar uma vida melhor.

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EUA lançam gás lacrimogéneo para dispersar caravana de migrantes na fronteira

O fim da separação das famílias

É talvez um dos pontos mais negros da conturbada presidência de Donald Trump. A meio do mandato, o presidente aprovou a detenção de várias crianças junto à fronteira, separando-as das famílias biológicas.

Joe Biden prometeu terminar com este flagelo, mas pela frente tem um longo caminho: mais de 500 crianças continuam sem saber dos pais três anos após o início desta política.

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Trump autoriza uso de "força letal" junto à fronteira

Trump autorizou o uso de "força letal" junto à fronteira

Perante os milhares de migrantes que iam chegando aos EUA, Donald Trump autorizou as forças de segurança que fazem controlo na fronteira que utilizassem "força letal".

Trabalho jornalístico desenvolvido por António Guimarães