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Trump vs Biden: os perfis dos dois candidatos à presidência dos EUA

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O republicano e atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o democrata Joe Biden são os dois candidatos à presidência dos Estados Unidos.

Estes são os perfis dos dois candidatos à liderança de um dos países mais influentes do mundo.

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Família Trump (Donald à esquerda)

Quem é Donald Trump?

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Filho de um magnata do ramo imobiliário, Donald Trump nasceu a 14 de junho de 1946, em Nova Iorque, Estados Unidos. 

Desde muito cedo, começou a trabalhar com o pai e a revelar capacidades para "fazer" dinheiro. 

Completou estudos numa academia militar e inscreveu-se numa universidade da Pensilvânia, onde se licenciou em Finanças, em 1968. 

Fez fortuna como empresário no ramo imobiliário. Enveredou pelo mundo do espetáculo, primeiro como produtor de concursos de beleza e depois com participações em séries e filmes de grande sucesso, representando-se a si mesmo, e, finalmente, como apresentador de televisão do popular concurso "The Apprentice". 

E 2016, depois de uma acesa disputa eleitoral, tornou-se no 45.º presidente dos Estados Unidos da América.

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Trump tower

O magnata do imobiliário... e não só

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Donald seguiu as pegadas do pai e fez fortuna no ramo do imobiliário. Começou por recuperar prédios antigos, que vendia depois com larga margem de lucro.

Na década de 1980, tornou-se proprietário de edifícios como a Trump Tower, na 5.ª Avenida, uma das mais populares e mais movimentadas de Nova Iorque, o Trump Parc, o Plaza Hotel e o New Jersey Generals.

Alargou o ramo de negócios e investiu no mundo dos casinos, em Atlantic City e Nova Jérsia, e nos transportes, com a criação da companhia aérea Trump Shuttle, que fundou em 1989 e acabou por vender três anos depois à US Airways.

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Donald com o pai Fred Trump

O negociador

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Muita das suas capacidades para o negócio e para o investimento, Donald Trump herdou-as do pai, Fred Trump. Mas a sua auto-estima e a sua capacidade de persuasão, com vista fazer fortuna, sempre surpreenderam.

Depois de terminar os estudos, foi viver para Manhattan. Apesar de não ser ainda um homem rico, na altura, conseguiu inscrever-se num clube de milionários em Nova Iorque, tendo para tal usado o seu poder de negociação. Foi aí que iniciou uma série de contactos que lhe permitiram conseguir vários negócios.

Com pouco mais de 40 anos, já estava a lançar a sua primeira autobiografia, intitulada The Art of Deal ("A Arte de Negociar"). Em 1990, no ano em que o seu império entrou em situação de bancarrota e não conseguiu pagar à banca uma dívida milionária, publicou Surviving at the Top ("Aguentar por Cima", em tradução livre).

Em finais da década de 1990 conseguiu recuperar a fortuna e resolveu contar a sua história no livro The Art of the Comeback ("A Arte do Regresso"), naquela que era já a sua terceira autobiografia.

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A nova família presidencial

A família

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Donald Trump é casado com Melania Trump e tem cinco filhos: Donald Trump Jr., Ivanka Trump e Eric Trump (1º casamento); Tiffany Trump (2º casamento) e Barron Trump (do seu atual casamento). 

Ivanka é uma das conselheiras do presidente, exercendo um cargo não remunerado, mas com grande influência junto do Executivo do pai.

Donald Trump tem algumas quezílias com alguns membros da família mais alargada. Ainda recentemente, a sobrinha do presidente Mary Trump, psicóloga de profissão, publicou um livro onde apresentou o tio como um homem egoísta e um presidente incompetente.

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Exclusivo TVI: "Trump não se importa com ninguém""

Mary Trump, sobrinha de Donald Trump, deu uma entrevista à TVI, onde fala da infância do tio, da sua saúde mental e considera que os contornos que rodearam o diagnóstico do presidente com covid-19 são "uma síntese do seu mandato".

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As mulheres de Trump

As mulheres de Trump

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Do passado pessoal de Trump falta, apenas, abordar um ponto: as mulheres. A atual esposa de Donald, a ex-modelo eslovena Melania Knauss (hoje Melania Trump), é a terceira mulher do magnata e mãe de um dos cinco filhos do candidato republicano. Casaram em 2005, cinco anos após o último divórcio de Trump.

Antes foi casado com a ex-modelo Ivana Zelnícková, desde 1977 até 1991.

A sua segunda esposa foi a atriz Marla Maples (em cima, à direita), com quem esteve casado desde 1993 a 1999.

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Donald Trump

A carreira política

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A ideia de Trump concorrer à presidência dos EUA começou muito antes da eleição de 2016. Ser presidente da maior potência mundial era algo que o magnata já queria desde há muito. Apesar de ter mudado várias vezes a sua filiação partidária (foi republicano, depois democrata e agora republicano novamente), Trump manifestou várias vezes vontade em concorrer à Casa Branca.

Em 1988, 2004 e 2012, Trump considerou entrar na corrida, mas nunca chegou a concretizar as suas intenções. Nas duas datas mais recentes, os rumores de uma candidatura foram vistos como uma jogada de marketing, de forma a promover o reality-show que apresentava, “O Aprendiz”. Durante a campanha de 1988, Trump terá sido considerado como um possível nome para o cargo de vice-presidente do (futuro presidente) George H. W. Bush, mas quem acabou por ocupar o lugar foi Dan Quayle.

Só em 1999 é que Trump esteve mais perto de uma campanha “a sério”. O magnata teve intenção de conseguir a nomeação do Partido Reformista, mas desistiu da corrida, durante as primárias, devido a disputas internas no partido.

O envolvimento nas eleições e política não fica por aqui. Mesmo sem concorrer, Trump apoiou vários candidatos, incluindo Ronald Regan (1976), John McCain (2008) e Mitt Romney (2012).

Em 2016, conseguiu ser eleito, apesar de ter tido menos votos populares que a sua opositora democrata, Hillary Clinton.

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Donald Trump

Polémicas: impostos e mulheres

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Donald Trump não causou polémica apenas pelas suas propostas para o país ou pelas medidas que levou a cabo enquanto presidente. Também fez manchetes por todo o mundo devido a outras afirmações em relação à sua vida pessoal e aos seus negócios.

Trump foi, também, acusado de várias fugas aos impostos nas suas empresas e de arranjar esquemas para fugir ao fisco e a dívidas. O candidato admite, apenas, que enquanto homem de negócios, sempre fez tudo ao seu alcance para "pagar o mínimo de impostos possível".

O tema abalou a campanha de 2016 e voltou recentemente a agitar a campanha para as presidenciais deste ano.

Mas as suas declarações e ações de cariz misógino também provocaram alvoroço. Um dos casos está relacionado com um vídeo de 2005, gravado a propósito do programa "Access Hollywood", revela uma conversa de bastidores (quando os microfones deviam estar desligados) entre Trump e o apresentador. 

O candidato afirma que costuma fazer avanços sobre mulheres - fala inclusivamente sobre uma casada - e que por ser uma "estrela" consegue não ter problemas. A frase "agarrá-las pela ****" chocou a América.

Trump chegou a emitir um pedido de desculpas, mas frisou que se tratava de "conversa de balneário". Várias mulheres têm falado desde então aos media, contando situações em que se sentiram abusadas pelo candidato.

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Tomada de posse de Donald Trump

Donald J. Trump, 45.º Presidente dos Estados Unidos da América

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Contra todas as sondagens, Donald Trump foi eleito 45º presidente dos Estados Unidos com uma vitória expressiva no Colégio Eleitoral, apesar da vantagem de Hillary Clinton no voto popular. 

Donald Trump, o multimilionário que foi estrela de um reality show, o candidato que prometeu construir um muro na fronteira com o México, o homem que foi acusado de racismo e misoginia, vai liderar os destinos da maior potência mundial. Donald Trump derrotou Hillary Clinton e é o 45.º Presidente dos Estados Unidos, sucedendo a Barack Obama.

Tomou posse a 20 de janeiro de 2017.

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Já se fazem testes para a construção do muro entre os EUA e o México

O muro

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Nunca o escondeu. Donald Trump sempre defendeu uma política de imigração apertada.

Na campanha eleitoral de 2016 prometeu a construção de um muro na fronteira com o México, para travar o fluxo migratório que entrava nos Estados Unidos por aquele país latino.

Se bem o pensou, melhor o fez e o muro tornou-se uma realidade.

O mandato de Trump na Casa Branca fica também marcado pela sua política sancionatória e restritiva quanto aos imigrantes.

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O primeiro ato público de Donald Trump após a infeção por covid-19

"Covid, covid, covid"

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Desde o início da pandemia que Donald Tump adotou uma atitude negacionista em relação ao vírus. Referiu-se várias vezes ao SARS-CoV-2 como "vírus chinês", o que provocou alguma indignação por parte da China.

Ironicamente, e em plena campanha eleitoral, Donald Trump acabou infetado pelo novo coronavírus. Chegou mesmo a ser hospitalizado, mas teve alta poucos dias depois.

Disse que se curou graças a um cocktail de medicamentos, muitos ainda em fase de testes. Num permanente discurso de desvalorização da pandemia, chegou mesmo a dizer que foi "uma benção" ter sido infetado.

Depois de ter alta, saudou a multidão da janela da Casa Branca, sem máscara e, recentemente, acusou a campanha rival de dar demasiado protagonismo ao vírus.

Seja qual for o resultado deste ato eleitoral, a campanha já ficou marcada pela pandemia.

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Joe Biden

Quem é Joe Biden?

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Joe Biden é o mais velho de quatro irmãos.

Nasceu em 1942, em Scranton, Pensilvânia, no seio de uma família católica. Filho de uma dona de casa e de um vendedor de automóveis. Os pais mudaram-se para Delaware quando era ainda muito jovem.  

Formou-se em História e Ciência Política na Universidade de Delaware e depois em Direito na Universidade de Syracuse. 

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Joe Biden

Forma-se em História e Ciência Política e depois em Direito

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O início da carreira política

Em 1969, Biden começou a trabalhar no escritório de Sid Balick, um político democrata muito ativo localmente, que o incentivou a filiar-se no partido.  

Pouco tempo depois, em 1972, Biden candidatou-se a um lugar no Senado norte-americano por Delaware. Ia disputar o lugar com o senador republicano J. Caleb Boggs, um senador com muita experiência, que tinha o apoio explícito do presidente Richard Nixon. Entre os democratas, ninguém queria concorrer contra Boggs. 

A campanha de Biden praticamente não tinha dinheiro e os analistas consideravam que não tinha hipóteses de vencer. Mas depois de apostar numa campanha porta-a-porta, encontrando-se diretamente com os eleitores, Biden conseguiu a eleição e tornou-se o sexto senador mais jovem da história norte-americana. Tinha 30 anos, a idade mínima para o cargo.

 

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Joe Biden

Torna-se um dos senadores mais jovens do país

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Opõe-se à Guerra do Golfo, mas aprova Guerra do Iraque

Biden integrou o Senado norte-americano durante 36 anos, de 3 de janeiro de 1973 até 15 de janeiro de 2009. 

Presidiu o Comité Judiciário (de 1987 a 1995) e o Comité de Relações Internacionais (de 2001 a 2003 e de 2007 a 2009). 

Em 1991, opôs-se à Guerra do Golfo, mas defendeu a intervenção dos EUA e da NATO na Guerra da Bósnia em 1994 e 1995. 

Votou a favor da resolução que deu luz verde à Guerra do Iraque, em 2002. Em 2007, opôs-se ao aumento de tropas norte-americanas no território. 

Biden envolveu-se na elaboração de muitas leis federais sobre a criminalidade. Liderou esforços para aprovar leis contra o crime violento e a violência contra as mulheres. 

 

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Debate entre Joe Biden e Paul Ryan (Reuters)

Falha duas candidaturas à nomeação Democrata

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Joe Biden concorreu, sem sucesso, à nomeação do Partido Democrata para as eleições presidenciais em 1988 e 2008.  

A campanha para as presidenciais de 2008 foi marcada por algumas gaffes. Biden descreveu o senador e também candidato à nomeação democrata Barack Obama como “o primeiro afro-americano popular, que é articulado, inteligente, transparente e bem parecido”. As palavras causaram polémica e motivaram um pedido de desculpas. 

Antes, Biden já tinha sido criticado por uma observação que fez quando falava do apoio que reunia entre os norte-americanos de ascendência indiana. “Em Delaware, o maior crescimento populacional é o dos indianos-americanos. Não pode ir a um 7-Eleven ou a um Dunkin’Donuts sem ter um leve sotaque indiano. Não estou a brincar”, afirmou. 

Apesar de ter procurado destacar a sua experiência em política externa face à do senador Barack Obama, a verdade é que a sua candidatura não conseguiu ganhar força. Biden acabou por desistir da nomeação.  

Ora, logo depois da desistência, Obama mostrou interesse em dar-lhe um cargo de destaque num eventual governo. Os observadores consideraram que esta decisão se deveu à grande experiência em política externa e segurança nacional por parte de Biden, ao seu papel entre os eleitores da classe média e da classe trabalhadora e ao facto de confrontar de forma mais agressiva o candidato republicano John McCain.  

Foi o que acabou por acontecer: Biden acabou por concorrer à vice-presidência ao lado de Obama e ambos foram eleitos nas presidenciais de 2008. 

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Obama e Joe Biden (07-09-2012), Iowa City, Estados Unidos

Torna-se o "braço direito" de Obama

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Biden foi durante oito anos vice-presidente e 'braço direito' de Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Depois de terem assumido um primeiro mandato em 2008, foram reeleitos nas presidenciais de 2012. 

Estilos diferentes, mas complementares. Obama, formado em Direito em Harvard, era tido como um homem inteligente, estudioso, sagaz. Já Biden é um político clássico, com uma grande capacidade de diálogo e de negociação com os adversários. 

Os dois tinham almoços semanais na Casa Branca e as próprias famílias acabaram por se aproximar.  

No primeiro mandato, Biden foi destacado para gerir o dossier da Guerra do Iraque, tendo visitado este país do Médio Oriente por diversas vezes.  

Foi também responsável pela supervisão dos gastos em infraestruturas ao abrigo do pacote de estímulos destinado a ajudar a combater a recessão.  

Já no segundo mantado, liderou uma equipa de trabalho destacada contra a violência por armas de fogo, que surgiu após o tiroteio na escola primária de Sandy Hook, em 2012.

Biden negociou também com os republicanos para que, em 2013, fosse aprovada a lei que interrompeu a paralisação do governo federal e a crise do teto da dívida dos Estados Unidos.

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Obama surpreende Biden até às lágrimas

Na despedida, é surpeendido com a Medalha da Liberdade

Foi uma das últimas cerimónias de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos, em 2017, e ficou marcada por momentos de grande emoção.

O presidente norte-americano surpreendeu Biden e condecorou-o com a Medalha da Liberdade, a máxima condecoração civil dos Estados Unidos pelo seu amor ao país e envolvimento na política. O vice-presidente não conseguiu conter as lágrimas.

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Biden, a mulher e dois filhos

Uma vida pessoal marcada por várias tragédias

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A vida pessoal de Joe Biden foi marcada por várias tragédias, incluindo a morte de dois dos seus filhos.

Em dezembro de 1972, pouco tempo depois de ter sido eleito para o Senado, a mulher, Neilia Hunter e a filha mais nova, Naomi, de apenas 18 meses, morreram num acidente de carro em Delaware. Os outros dois filhos do casal, Beau e Hunter, também se encontravam no veículo e foram hospitalizados com várias fraturas e ferimentos.

Biden admitiu que, na altura, pensou em não assumir o cargo, mas acabou por ser persuadido da ideia. Durante décadas, viajou diariamente de comboio entre Washington e Delaware para estar com os filhos. Foi assim que ganhou a alcunha Amtrak Joe (Amtrak era o nome da transportadora).

Cinco anos depois, casou com Jill Jacobs e o casal teve uma filha em 1981, o que permitiu ao político recuperar a estabilidade pessoal.

O filho mais velho, Beau, foi procurador-geral de Delaware e juiz advogado do Exército, servindo no Iraque. Já Hunter tornou-se advogado e lobista em Washington.

Mas em 2015, uma nova tragédia volta a abalar a vida de Biden: o filho Beau, que era apontado como favorito à nomeação democrata para governador de Delaware, morre aos 46 anos, com cancro no cérebro.

Foi, de resto, a morte de Beau que levou Biden a não se candidatar à nomeação do Partido Democrata para as presidenciais de 2016.

O próprio Biden sofreu dois aneurismas nos anos oitenta e teve de ser operado ao cérebro.

Hunter Biden é o único filho vivo do primeiro casamento. Hunter foi expulso da Marinha norte-americana depois de um exame ter detetado que tinha usado cocaína.

Hunter foi membro do conselho de administração de uma empresa produtora de gás natural da Ucrânia, entre 2014 e 2019. Donald Trump alegou, em 2019, que Biden tinha pedido a demissão de um procurador ucraniano para proteger a empresa. Apesar de não terem sido encontradas evidências que sustentassem a aelgação, Trump terá pressionado o governo ucraniano a investigar a família Biden, o que levou a um processo de impeachment. 

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Advogados de Trump dizem que acusações são afronta à constituição

Trump pede a presidente da Ucrânia para investigar Biden

Donald Trump terá pressionado o governo ucraniano a investigar a família Biden por causa dos negócios de Hunter na Ucrânia, retendo ajuda externa.

As acusações levaram a um processo de impeachment, do qual o presidente norte-americano foi absolvido.

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O caso Anita Hill

O caso Anita Hill

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Em 1991, o presidente dos Estados Unidos, George H.W. Bush, nomeou Clarence Thomas, um juiz negro, para o Supremo Tribunal. Mas antes de ter sido confirmado pelo Congresso, o juiz foi acusado de assédio sexual por uma advogada e professora de Direito chamada Anita Hill.

Hill foi ouvida pela Comissão de Justiça do Senado, na altura presidida por Biden. A audiência ficou marcada pela forma agressiva como os senadores questionaram a advogada. Um senador conservador, Orrin Hatch, afirmou mesmo que Hill se tinha inspirado no livro "O Exorcista" para relatar o incidente.

“A Senhora é uma mulher rejeitada? Acha justo perguntar ao juiz Thomas sobre factos ocorridos há oito ou dez anos?.” Estas foram apenas algumas das perguntas que Hill teve de enfrentar.

Por outro lado, Angela Wright, uma antiga funcionária da Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego, que também acusava o juiz de tratamento inapropriado, não foi chamada a depor.

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9 FOTOS

Hill inspirou outras mulheres

A audiência de Anita Hill, realizada por um painel formado só por homens brancos, transformou-se no paradigma de interrogatório machista e de culpabilização da suposta vítima nos Estados Unidos.

O depoimento de Hill atraiu a admiração e o apoio de muitas mulheres que se inspiraram na advogada para falarem abertamente sobre suas próprias experiências de assédio sexual.

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Antes de lançar a candidatura às presidenciais de 2020, Biden telefonou a Hill, informando que se sente mal pelo que aconteceu, mas, num entrevista ao The New York Times, a advogada disse que o pedido de desculpas não é satisfatório.

"Eu só estarei satisfeita quando souber que há uma mudança real e assunção de responsabilidade."

Ainda assim, Hill já fez saber que vai votar no candidato democrata.

"A esta altura, entre Donald Trump e Joe Biden, acho que Joe Biden é a pessoa que deve ser eleita em novembro."

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Joe Biden

Biden, o "Tio Sinistro"

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Joe Biden tem sido criticado pelos comportamentos, considerados menos apropriados, que já teve junto de mulheres.

Em março de 2019, a ex-candidata a vice-governadora do Nevada, Lucy Flores, queixou-se, num artigo publicado na revista The Cut, que o democrata lhe cheirou o cabelo e deu um beijo na cabeça num evento de campanha em 2014.

Depois de Flores, outras mulheres queixaram-se de comportamentos menos apropriados de Biden que as fizeram sentir desconfortáveis.

Vários vídeos partilhados nas redes sociais mostram Biden a tocar ou a agarrar mulheres ou adolescentes. Gestos que lhe valeram a alcunha de "Creepy Uncle Joe", que em português significa algo como "Tio Joe Sinistro".

Num vídeo publicado no Twitter, Biden disse que, para si, a política sempre foi "criar ligações", mas que entende que as "normas sociais estão a mudar".

O democrata prometeu ficar "mais consciente" para "respeitar o espaço pessoal de cada um".

"As normais sociais estão a mudar. Eu percebo isso e eu ouvi o que estas mulheres estão a dizer. A política para mim sempre foi criar ligações, mas vou estar mais consciente para respeitar o espaço pessoal de cada um no futuro. Essa é a minha responsabilidade."