O aumento do salário mínimo nacional para 557 euros, já em aplicação, não faz sentido, na opinião do Fórum para a Competitividade. Esta associação de direito privado, constituída em 1994  e que reune dezenas de empresas, associações empresariais e personalidades, diz que é uma decisão desfasada da produtividade. Mais: uma "enorme imprudência".

A subida extraordinária do salário mínimo não tem qualquer sustentação na realidade económica portuguesa e é de uma enorme imprudência por ser realizada num contexto internacional de incerteza agravada".

O Fórum para a Competitividade argumenta que a subida acumulada, em termos reais, do salário mínimo nos últimos dez anos foi de 21%,  "muito superior ao aumento acumulado da produtividade, de apenas 7%".

"Como se isto não bastasse, em 2016 verificou-se uma queda da produtividade e a inflação foi inferior ao esperado, tudo apontado para que em 2017 não devesse haver qualquer alteração no salário mínimo nacional.Em vez disso, o governo propõe novo aumento extraordinário totalmente desfasado da produtividade", condena o Fórum, citado pela Reuters.

Mesmo que de forma extraordinária, essa medida "seria sempre perigosa porque vinha numa sucessão de aumentos significativos no passado, porque o desemprego continua elevado e porque os problemas de competitividade do país persistem - o superavit externo tem sido conseguido por uma forte contracção do investimento".

Depois, há os perigos vindos de fora, sendo "as maiores incertezas" o novo presidente dos EUA, Donald Trump, o Brexit, e as eleições em vários países da Europa, "pelo que é da maior imprudência criar mais uma fonte de risco", ironiza.

Dívida e défice

O Fórum perspetiva que os juros da dívida subam, no caso de Portugal também por causa das discussões sobre restruturação da dívida e da eventual nacionalização do Novo Banco.

Para os próximos meses, há claros riscos de intensificação desta subida, desde o fim do programa de compras do Banco Central Europeu (BCE) até às várias eleições na Europa"

Nos últimos dias, os juros da dívida a 10 anos - aqueles que servem de referência para medir o risco de um país - passaram a barreira dos 4,2%, o valor mais alto em quase três anos.

Nem o facto de o Governo assegurar que o défice de 2016 não passou os 2,3% (comparando com os 4,4% de 2015) sendo, por isso, o mais baixos dos últimos 42 anos, descansa este Fórum.

"A queda do défice orçamental em 2016 ficou a dever-se a medidas pontuais e à queda do investimento público e não a qualquer tipo de medidas estruturais, o que lhe confere especial fragilidade. Sem medidas extraordinárias, o défice seria de 3,4% do PIB, superior ao de 2015", disse, referindo-se ao défice do ano passado, sem incluir o impacto negativo do resgate do Banif.

Também Passos Coelho, o líder do PSD, pegou nisso no último debate quinzenal com o primeiro-ministro. Perguntou a António Costa em quanto teria ficado o défice de 2016 sem medidas extraordinárias. A resposta que recebeu foi: "Terá a resposta quando o diabo cá chegar".

Redação / VC