A Caixa Geral de Depósitos (CGD) reiterou que a emissão de dívida subordinada que vai fazer será colocada apenas junto de investidores institucionais e não de clientes do retalho.

“Pelas suas características de subordinação e tratando-se de dívida perpétua, esta emissão é dirigida exclusivamente a investidores institucionais, nomeadamente fundos de investimento e ‘hedge funds’, fundos de pensões e seguradora”, lê-se no esclarecimento hoje divulgado pelo banco público.

Assim, diz a entidade que “não haverá colocação desta emissão junto de clientes particulares ou empresas, bem como junto de entidades públicas”, tal como foi acordado com a Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia e tal como o presidente executivo, Paulo Macedo, garantiu na quinta-feira.

“Na questão da recapitalização há dois momentos, um momento de injeção de capital por parte do Estado Português e uma condição prévia que é a emissão de dívida, que será colocada junto de institucionais, coisa que desde de sempre esteve prevista, ou seja, não será colocada no retalho, não será objeto de qualquer venda avulso, como já ouvi dizer”, explicou o responsável, no Porto.

O presidente da Comissão Executiva da CGD referiu que o sucesso, ou não, da emissão de dívida só será conhecido na data da sua colocação, revelando que até ao momento há manifestações variadas de interesse pela sua compra.

A emissão de dívida que a CGD está a preparar faz parte do processo de recapitalização do banco, com o objetivo de aumentar o seu capital em cerca de 5.000 milhões de euros, o que servirá para assumir maiores níveis de imparidades (perdas potenciais, nomeadamente com créditos), cumprir rácios de capital (indicadores de solvabilidade da instituição) mais exigentes e ainda fazer face aos custos da reestruturação que será feita (sobretudo saída de pessoal, nomeadamente através de reformas).

Do valor total do aumento de capital, já foi executada a primeira fase, que equivale a cerca de 1.300 milhões que vieram de operações contabilísticas (a integração da ParCaixa e a conversão para capital das obrigações contingentes subscritas pelo Estado em 2012, os chamados 'CoCo').

Já o restante valor de 2.700 milhões vai ser uma injeção de dinheiro direta do Estado e cerca de 1.000 milhões de euros de emissão de dívida subordinada que conta para efeitos de capital.

Em meados de fevereiro, o secretário de Estado das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, disse no Parlamento que a primeira parte desta emissão de dívida (o objetivo é colocar 500 milhões de euros) deverá acontecer até final deste mês de março e assegurou que existem “vários investidores interessados”.

Em outubro passado, o mesmo governante tinha afirmado que acreditava que a emissão de dívida poderia ser feita com um juro abaixo dos 10%.

A injeção dos 2.700 milhões de euros estatais no banco acontecerá, segundo o acordo com Bruxelas, ao mesmo tempo da primeira emissão de dívida. Para isso é necessário o banco fechar as contas referentes a 2016, que ainda não são conhecidas.

A imprensa tem noticiado que os prejuízos de 2016 poderão ascender a 3.0000 milhões de euros.

Já a segunda emissão de dívida, com os restantes 500 milhões de euros, deverá acontecer 18 meses depois.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reiterou também na quinta-feira a importância desta emissão de dívida para a recapitalização da CGD e que esta "está muito bem encaminhada".

/ AM