A Associação Mutualista Montepio Geral deixará de ter 100% do capital social do banco Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) logo que este passe a sociedade anónima, mudança que já foi aprovada em assembleia geral extraordinária.  É o que preveem os novos estatutos do banco mutualista.

Segundo o texto final dos estatutos aprovados na assembleia-geral desta terça-feira, a transformação da CEMG em sociedade anónima implica que os atuais detentores de títulos do Fundo de Participação da Caixa Económica Montepio Geral passem a ser acionistas do banco.

Também por efeito da transformação, os anteriores titulares das unidades do Fundo de Participação adquirem a posição de acionistas da Caixa Económica”

É o que se lê no artigo 32.º dos futuros estatutos, disponíveis no portal da Internet do Montepio. 

O Governo voltaou hoje a dizer que vê "com bons olhos" a eventual entrada da Santa Casa da Misericórdia no capital do Montepio.

Este processo começou em 21 de março de 2016, com o projeto de decisão, remetido pelo Banco de Portugal, de transformação da CEMG em Sociedade Anónima.

O objetivo é conferir ao banco "maior flexibilidade para responder às necessidades e exigências do mercado e do quadro prudencial e regulatório, mantendo o seu cariz económico-social enquadrado num grupo que persegue fins mutualistas”, segundo a nota explicativa da CEMG.

O presidente da Associação Mutualista Montepio Geral, que foi constituído arguido num processo extraído da operação Marquês, na semana passada, sente-se orgulhoso com a aprovação ( 95,8% dos votos) das contas de 2016 associação. A associação mutualista revelou em meados de março que, a nível individual, obteve um lucro de 7,4 milhões de euros em 2016, quando tinha registado um prejuízo de 393 milhões de euros em 2015.

Esta é a dona da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG), o banco, que apresentou, na semana passada, um prejuízo de 86,5 milhões relativo ao exercício do ano passado. Foi melhor do que o resultado líquido negativo de 243 milhões de euros em 2015.