O ministro do Trabalho voltou a dizer que o Governo vê "com bons olhos" a "cooperação entre instituições da área social". Ao dizer isto, estava a referir-se a uma eventual entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no capital do Montepio.

O Governo e eu próprio vemos de forma positiva uma cooperação reforçada entre instituições que têm uma missão social relevante"

À margem do evento que marcou o 40.º aniversário do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, Vieira da Silva foi questionado pelos jornalistas sobre a hipótese hoje noticiada de a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa ser acionista da Caixa Económica Montepio Geral e os problemas que tal poderá levantar.

O governante considerou que, em causa, não está uma "instituição financeira qualquer", mas com origem no setor da economia social.

"Estamos a falar de uma [instituição] que tem por base uma organização da chamada economia social, de matriz mutualista, e a integração com outras organizações que também têm essa origem de instituição de natureza social vejo como positiva", sublinhou, citado pela Lusa.

Em entrevista à TVI, no último sábado, o presidente da Santa Casa, Santana Lopes, não descartou a entrada da Santa Casa no Montepio, mas também avisou que a instituição "não entra em aventuras"

Vieira da Silva disse ainda que tem o "maior prazer" em responder às questões sobre este tema no Parlamento, tal como pediu o CDS-PP.

A assembleia geral extraordinária da Caixa Económica Montepio Geral aprovou ontem a transformação da instituição financeira em Sociedade Anónima. 

Questionado sobre as alterações que estão a ser estudadas quanto à tutela da Associação Mutualista Montepio Geral, atualmente da responsabilidade do Ministério que tutela, Vieira da Silva não quis adiantar o que está em discussão, referindo apenas que está a ser “estudado que algumas funções de instituições mutualistas de maior dimensão sejam supervisionadas por instituições de outra natureza”.

No entanto, recusou confirmar se em causa está passar parte da supervisão para a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF): “Eventualmente, mas não queria avançar”.

Já sobre a revisão do Código Mutualista, o governante referiu que esse assunto está ligado ao da supervisão das instituições mutualistas e que eventuais mexidas serão anunciadas ao mesmo tempo.

O Presidente da República está em sintonia com o primeiro-ministro no que toca a resolver "sem alarme" (palavras de António Costa), a situação do Montepio. É preciso serenidade, segundo Marcelo Rebelo de Sousa, mas também "rapidez".