A UTAO tem contas diferentes do Governo para o défice de 2016. Se a equipa de Mário Centeno e António Costa estimam que tenha ficado em 2,1%, para a Unidade Técnica de Apoio Orçamental terá ficado nos 2,3%, em contabilidade nacional, a ótica que conta para Bruxelas.

No que se refere a 2016, estima-se que o défice em contabilidade nacional se tenha situado em 2,3% do PIB (2,6% do PIB excluindo operações de natureza temporária), o que a confirmar-se deverá permitir o encerramento do Procedimento dos Défices Excessivos"

Numa nota enviada aos deputados, a que a agência Lusa teve hoje acesso, os técnicos destacam essa saída do Procedimento dos Défices Excessivos, isto é, deixar de estar na linha vermelha a nível europeu, por Portugal conseguir, finalmente, ter um défice abaixo de 3%.

Meso que esta estimativa dos especialistas que apoiam o Parlamento se confirme fica abaixo da meta de um défice orçamental de 2,5% do PIB definida por Bruxelas, aquando do encerramento do processo de sanções.

Já a presidente do Conselho de Finanças Públicas alertou, na semana passada, que as medidas usadas pelo Governo não são sustentáveis. Na opinião de Teodora Cardoso, em certa medida a redução do défice foi "um milagre"

O Presidente da República não gostou do tom religioso da presidente do Conselho de Finanças Pública. Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de lembrar que esta redução do défice "saiu do pêlo dos portugueses".

O primeiro-ministro também recusou atribuir este alcance a um "milagre". Carlos Costa considerou que as entidades responsáveis pelas previsões é que cometeram um “monumental falhanço”.

Só no final de março é que o Instituto Nacional de Estatística  vai revelar o valor final do défice orçamental do ano passado, em contas nacionais.

PIB: previsão melhor do que a do Governo para 2017

Já quanto ao crescimento da economia, a UTAO admite que a projeção para o crescimento da economia portuguesa este ano possa ser revista em alta em 0,4 pontos percentuais, para 1,9%, no seguimento do crescimento do PIB verificado em 2016.

"A projeção para o Produto Interno Bruto anual poderá ser eventualmente revista em alta em 0,4 pontos percentuais para 1,9%", face aos 1,5% previstos no Orçamento do Estado de 2017.

A estimativa da UTAO tem em conta o efeito de carry-over, ou seja, de arrastamento, que o crescimento económico na segunda metade de 2016 terá este ano, bem como a manutenção da dinâmica de crescimento intra-anual.

"Sempre que o crescimento do último trimestre é superior à média dos últimos quatro trimestres existe um efeito de ‘carry-over’ positivo, ou ‘overhang’ estatístico", explicam os técnicos que apoiam os deputados no parlamento.

Foi o que aconteceu: na semana passada, o Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou que a economia portuguesa cresceu 1,4% no conjunto de 2016 e que, no quarto trimestre, o PIB cresceu 2% em termos homólogos e 0,6% face ao trimestre anterior.

/ VC - Atualizada às 14:00