A guerra comercial entre China e os Estados Unidos está a ter efeitos nos bolsos dos portugueses. Gasolina e gasóleo vão descer de preços e não é pouco. Se tudo se mantiver no fecho do mercado, o gasóleo ensaia uma quebra de 4 cêntimos por litro e a gasolina uma das maiores descidas semanais de sempre, de, pelo menos, 7 cêntimos por litro.

No início desta semana o Preço Médio de Venda ao Público (PVP) da gasolina simples 95, no Continente, era de 1,570 euros.

Já o gasóleo simples, tinha no dia 03 de junho um PVP de 1,374 euros por litro.

A descida é motivada, sobretudo, por causas internacionais. É que apesar do preço do petróleo - por exemplo, o Brent que serve de referência às importações portuguesas, ter subido esta sexta-feira e estar a cotar nos 63,02 dólares, está muito abaixo dos 69 dólares de há duas semanas e a caminho da terceira semana de quedas.

O principal motor e preocupação continua a ser a fraca procura, motivada pela guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, numa altura em que persistem os sinais de estagnação do crescimento economia mundial.

Do lado da oferta, o ministro da Energia da Arábia Saudita, Khalid al-Falih, disse em uma conferência do setor em São Petersburgo, na Rússia, que o fraco valor do barril de petróleo desencoraja o investimento no setor, noticiou a Bloomberg.

O acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e de outros produtores, incluindo a Rússia - para reduzir a produção em 1,2 milhão de barris por dia - acaba no final do mês e o presidente russo, Vladimir Putin, já veio dizer que o país tem divergências com a OPEP sobre o que representava um preço justo do petróleo, mas que Moscovo tomaria uma decisão conjunta com membros da Organização sobre a produção em uma reunião política nas próximas semanas.

Já o ministro do Petróleo iraquiano, Thamer Ghadhban, assegurou que a OPEP e seus aliados estariam mais propensos a estender seu acordo global de produção de petróleo até o final do ano, noticiou a agência de notícias RIA. Um acordo que tem travado a produção no sentido de evitar maiores descidas de preço, provocadas pelo excesso de oferta.

Recorde-se que, além do acordo da OPEP, o fornecimento ou ouro negro também foi limitado pelas sanções dos EUA às exportações de petróleo do Irão e da Venezuela.

No meio desta incerteza e “guerra”, a produção de petróleo dos EUA subiu para um recorde de 12,4 milhões de barris por dia na semana até 31 de maio, informou a Administração de Informações sobre Energia, citada pela Blomberg. Na mesma semana, os stocks de petróleo bruto dos EUA subiram para os maiores níveis desde julho de 2017.