Depois de várias horas reunidos no ministério das Infraestruturas, a ANTRAM e o Sindicato de Motoristas de Matérias Perigosas chegaram a um princípio de acordo, durante a madrugada deste sábado.

A greve dos motoristas foi desconvocada, um dia depois da investigação da TVI sobre um esquema de fuga ao Fisco por parte das empresas de transporte.

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João Salvador, advogado e porta-voz da ANTRAM, foi o primeiro a confirmar aos jornalistas que a paralisação, com início marcado para este sábado e que deveria terminar no dia 22, já não tem efeito.

Temos acordo", referiu, garantindo que este documento terá uma base semelhante ao acordo alcançado com a FECTRANS. João Salvador disse ainda que esta é "uma reconciliação no sector que há muito era necessária".

O presidente do SNMMP, Francisco São Bento, também afirmou que a paralisação deixou de ter efeito e que o princípio de um acordo com os patrões significa que não deverão haver mais greves nos próximos meses.

Temos de congratular-nos por chegar a este bom senso. Saímos daqui com a garantia que todo o trabalho efetuado pelos profissionais será remunerado".

O Governo terá assumido apenas um papel de mediação neste encontro.

Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas, frisou que deixou de "haver o bloqueio" entre os trabalhadores e a ANTRAM, para que "daqui para a frente seja possível resolver o problema".

Foi o culminar do trabalho de alguns meses. Nunca desistimos de tentar promover a via do diálogo para a resolução deste conflito", garantiu, acrescentando que "o Governo fez o que podia fazer, para resolver alguns bloqueios. Felizmente para todos nós, para o povo português em particular, mas sobretudo para os motoristas e para as empresas".

Quando questionado sobre se esta seria uma vitória do Governo, o ministro sublinhou que é um feito "de todos".

"Isto é uma vitória do país, dos motoristas, das empresas. Conseguirmos paz social num setor tão importante quanto este é uma vitória".

A nova greve boicotava o trabalho extraordinário, os fins de semana e os feriados e estava previsto terminar no dia 22 de setembro.

As partes foram chamadas, na sexta-feira à noite, para assinar o acordo no ministério das Infraestruturas, em Lisboa.